- Nº 2628 (2024/04/11)

EUA ameaçam África do Sul

Internacional

A África do Sul acusa os EUA de procurarem colocar o país africano «de joelhos», por Pretória ter processado Israel no Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) e denunciado o genocídio na Faixa de Gaza.

Um projecto de lei em discussão no Congresso norte-americano afirma que «o governo sul-africano tem um historial de aliar-se com actores malignos» e pretende averiguar se a África do Sul «se envolveu em actividades que prejudicam a segurança nacional dos EUA ou os interesses da sua política exterior».

A ministra dos Negócios Estrangeiros sul-africana, Naledi Pandor, comentou que, dada a «forte relação» entre os dois países, o projecto de lei bipartidário instando Washington a rever as relações com Pretória «é particularmente desconcertante». O projecto «tão-pouco reconhece o direito de todos os países soberanos a desenvolver e promover as suas próprias políticas externas», destacou.

A ministra indicou que «seria devastador» para o comércio bilateral que a proposta fosse para diante, dado que «a África do Sul é o maior importador de produtos norte-americanos da África subsaariana» e o país que recebe o maior investimento estrangeiro directo dos EUA no continente africano. «A África do Sul acolhe mais de 600 empresas norte-americanas de diversos sectores, que dão emprego a 134.600 pessoas. Tentar pôr de joelhos a África do Sul equivale a auto-sabotagem para os EUA», considerou a ministra sul-africana.

Associada à proposta legislativa, a seguir os seus trâmites na Câmara dos Representantes, paira a ameaça de retirar Pretória da Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA), que concede a 40 países africanos isenção de taxas para determinados produtos no acesso ao mercado norte-americano. «As repercussões da perda de adesão à AGOA não afectarão apenas a África do Sul mas terão um impacto negativo em toda a região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral. Ademais, a África do Sul é um fornecedor significativo de minerais críticos aos EUA. Se perdêssemos o estatuto de membros da AGOA isso poderia ter implicações negativas para os EUA», realçou Naledi Pandor.