Acções em todo o País marcam o Dia Internacional da Mulher
No ano em que se assinala os 50 anos da Revolução de Abril, o Dia Internacional da Mulher é comemorado com mais de 65 acções em todo o País. Lisboa acolhe uma manifestação nacional de mulheres a 23 de Março.
«Mulheres de Abril somos, com igualdade temos futuro!»
Inicialmente o Movimento Democrático de Mulheres (MDM) lançou o desafio de realizar 50 acções, apelando às mulheres que não deixem de lutar, «de todas as formas, pela igualdade a que temos direito». Um desafio que foi amplamente superado com a confirmação da realização, amanhã, 8 de Março, em todo o País, de 65 acções que afirmarão a actualidade de Abril e a imprescindibilidade dos seus valores progressistas de liberdade, conquista de direitos, igualdade e paz, e reclamarão as condições fundamentais para a emancipação e a igualdade na vida das mulheres.
Até 14 de Março, o MDM organiza e participa em 75 iniciativas, num diversificado programa que inclui contacto com mulheres trabalhadoras, jovens, estudantes, idosas e pensionistas; debates e tertúlias com uma multiplicidade de temáticas; jantares; exposições; um espectáculo no Teatro das Figuras, em Faro.
Destaque para a realização das acções em Lisboa «Elas trocam o dia pela noite», uma jornada de contacto com mulheres trabalhadoras na noite de 7 para 8 de Março no Hospital São José e no Centro Comercial Vasco da Gama, e «O estendal das nossas lutas», às 18h00, de sexta-feira, que levará do Jardim das Amoreiras até à Assembleia da República o protesto e exigência de medidas concretas pela igualdade e resolução dos principais problemas que afectam a vida das mulheres.
A manifestação nacional de mulheres em Lisboa, no dia 23, às 15h00, entre o Rossio e o Largo do Carmo, tem como lema «Mulheres de Abril somos, com igualdade temos futuro!».
8 razões para lutar
A Comissão de Igualdade entre Mulheres e Homens (CIMH) da CGTP-IN avança, numa publicação própria, com 8 razões para lutar, desde logo pelo aumento geral dos salários, na vertente da valorização do trabalho e do combate às discriminações remuneratórias, que afectam, particularmente, as mulheres grávidas, puéperas ou lactantes, com vínculos precários, com deficiências, pertencentes a minorias, imigrantes, etc. Emprego estável com direitos; redução do horário de trabalho para as 35 horas semanais; inserção na contratação colectiva da proibição da violência e do assédio laboral; combate às causas e factores de risco que fazem das mulheres a maioria dos trabalhadores com doenças profissionais; defesa do papel insubstituível das Funções Sociais do Estado e dos serviços públicos; combate à pobreza e a todas as formas de violência contra as mulheres; luta pela paz, são mais razões apresentadas pela CIMH.
A CGTP-IN promove no dia 8 mais de 200 iniciativas em todo o País, entre as quais dezenas de plenários e contactos nos locais de trabalho dos sectores público e privado, concentrações, marchas, tribunas públicas, desfiles e diversas conferências de imprensa com divulgação de dados sobre a evolução da situação da mulher no trabalho.
CDU com as mulheres
A CDU assinalará o Dia Internacional da Mulher, data aliás a que as forças que a compõem atribuem grande significado histórico na luta das mulheres pela sua emancipação, contra a guerra e pela paz.
Amanhã, dia 8, por todo o País, a CDU estará junto das mulheres trabalhadoras em centenas de empresas e locais de trabalho, assegurando que tudo fará em prol da qualidade de vida e da igualdade como condições para uma sociedade mais justa e solidária. Quanto ao Secretário-Geral do PCP, Paulo Raimundo, participa numa sessão evocativa do Dia Internacional da Mulher em Vila Nova de Gaia, na qual serão apresentados diversos depoimentos de candidatas da CDU que intervêm em diversos sectores e será feita uma evocação a Odete Santos, destacada comunista e mulher de Abril, que assumiu um relevante papel na defesa dos direitos das mulheres, falecida recentemente.
Hoje mesmo Paulo Raimundo visita a exposição «As mulheres de Maria Lamas», patente na Fundação Calouste Gulbenkian, acompanhado com mulheres apoiantes e candidatas da CDU. Pretende-se assim destacar o papel desta notável mulher comunista, enquanto intelectual, resistente antifascista e acérrima defensora dos direitos das mulheres.
As mulheres e os seus direitos na campanha eleitoral
O 8 de Março calha, este ano, em plena recta final da campanha eleitoral para as legislativas de domingo. A CDU apresenta-se a estas eleições para a Assembleia da República com um longo percurso de combate à degradação das condições de vida e de trabalho das mulheres e na apresentação de muitas medidas que visam cumprir os seus direitos e concretizar a igualdade a que têm direito – no trabalho, na família e na vida.
Entre os compromissos assumidos pelo PCP no seu Programa Eleitoral constam o aumento dos salários e a igualdade salarial, a valorização de reformas e pensões, a criação de uma rede pública de creches gratuitas. Juntamente com muitos outros, dão corpo a uma política alternativa que rompe com os principais bloqueios que impedem a valorização da participação das mulheres, abrem caminho à prevenção e combate às diversas e persistentes formas de discriminação, desigualdade e violências.
Os problemas e aspirações das mulheres, sobretudo das mulheres trabalhadoras – que terão hoje e amanhã momentos altos –, têm estado presentes na campanha da CDU, seja pelos testemunhos concretos das mulheres que abordam os seus candidatos e activistas, seja pela voz do Secretário-Geral do PCP, em diversas intervenções.