1547 – Criação da Câmara Ardente
Os tribunais de excepção criados em França para julgar os crimes de Estado sob o Antigo Regime, como é conhecido o período antes da Revolução francesa, entre os séc. XV e XVIII, tinham o nome de Câmara Ardente, decorrente da sede original, uma sala decorada a preto e iluminada por tochas. Dois desses tribunais ficaram célebres: o primeiro, criado no reinado de Henrique II, foi instituído no Parlamento de Paris para julgar questões de heresia e funcionou até 1550; o segundo, sob Luís XIV, foi criado em 1679 para julgar um famoso caso de envenenamentos e esteve instalado no Arsenal até 1682, pelo que também é por vezes referido como Câmara do Arsenal. Este tribunal realiza 442 julgamentos, pronuncia 36 condenações à morte, 23 desterros e 5 condenações às galeras. Entre os condenados está Catherine Deshayes, conhecida por La Voisin devido ao apelido do marido, queimada junto à Câmara de Paris por prática de bruxaria e envenenamento. O caso, «Affaire des Poisons», ganhou projecção porque La Voisin, praticante de abortos e comércio de venenos, antes de morrer denunciou muitos dos seus clientes, entre os quais alguns da alta aristocracia. Madame de Montespan, amante de Luís XIV, é envolvida no processo, que acabou por ser encerrado pelo próprio monarca.