Frente à CIP, nas empresas e nas ruas luta-se por salários melhores

A FI­E­QUI­METAL/​CGTP-IN pro­moveu uma con­cen­tração de re­pre­sen­tantes dos tra­ba­lha­dores dos sec­tores da in­dús­tria, dia 16, junto da sede da CIP, para levar à con­fe­de­ração pa­tronal as rei­vin­di­ca­ções que emanam dos lo­cais de tra­balho. Au­mentos sa­la­riais de 15 por cento, com um mí­nimo de 150 euros, são justos e ne­ces­sá­rios e estão ao al­cance das em­presas.
A luta vai con­ti­nuar e es­tará pre­sente no 15.º Con­gresso da CGTP-IN, amanhã e sá­bado, as­se­gu­raram os di­ri­gentes sin­di­cais.

Uni­dade, or­ga­ni­zação e luta dão força à razão dos tra­ba­lha­dores

A Se­cre­tária-Geral da CGTP-IN, Isabel Ca­ma­rinha, que in­ter­veio no final da con­cen­tração de sexta-feira, re­a­firmou que as em­presas podem su­portar o au­mento sa­la­rial exi­gido, o qual «é pos­sível, é ur­gente e é mesmo ne­ces­sário».

A con­fe­de­ração e os sin­di­catos vão con­ti­nuar a «es­cla­recer, in­formar, or­ga­nizar e mo­bi­lizar, para con­ti­nuar a luta por me­lhores con­di­ções de vida e de tra­balho e também para levar a luta até ao voto, no dia 10 de Março». Isabel Ca­ma­rinha rei­terou que o Con­gresso da CGTP-IN (que tra­tamos nestas pá­ginas) «vai ter pre­sente a luta dos tra­ba­lha­dores» e que «a luta vai ter de con­ti­nuar».

Esta ex­pressão já se tinha ou­vido nas in­ter­ven­ções de di­ri­gentes dos sin­di­catos (SITE Sul, SITE CSRA, SIESI, SITE Centro-Norte e SITE Norte) e «a luta con­tinua» foi uma das pa­la­vras de ordem mais re­pe­tidas na­quele final de manhã.

Ro­gério Silva, co­or­de­nador da FI­E­QUI­METAL, também ga­rantiu que «a luta vai con­ti­nuar nos lo­cais de tra­balho». A CIP, con­fe­de­ração pa­tronal de que fazem parte as prin­ci­pais as­so­ci­a­ções pa­tro­nais e em­presas dos sec­tores do âm­bito sin­dical da FI­E­QUI­METAL, «deve en­tender que a in­dús­tria não tem fu­turo com baixos sa­lá­rios, pre­cisa de dar o salto quan­ti­ta­tivo e qua­li­ta­tivo no au­mento dos sa­lá­rios», alertou.

Por una­ni­mi­dade, foi apro­vada uma re­so­lução, de­pois en­tregue na CIP, exi­gindo da con­fe­de­ração pa­tronal:

– des­blo­quear a con­tra­tação co­lec­tiva nos sec­tores quí­mico, me­ta­lúr­gico, au­to­móvel e do ma­te­rial eléc­trico e elec­tró­nico;

– au­mentar os sa­lá­rios em 15 por cento, com um mí­nimo de 150 euros, com efeitos a 1 de Ja­neiro de 2024;

– fixar o sa­lário mí­nimo, no mo­mento de ad­missão nas em­presas, em 910 euros, igual­mente com efeitos a partir do pri­meiro dia deste ano;

– va­lo­rizar o tra­balho e os tra­ba­lha­dores, as­se­gu­rando a pro­gressão nas car­reiras;

– re­duzir pro­gres­si­va­mente os ho­rá­rios de tra­balho, para atingir, a curto prazo, 35 horas se­ma­nais.

 

Exi­gên­cias justas ga­nham força

As tra­ba­lha­doras da Fico Ca­bles, na Maia, fi­zeram greve, dia 15, três horas por turno, e pro­tes­taram no ex­te­rior da fá­brica, por me­lhores sa­lá­rios, re­dução do ho­rário de tra­balho, ac­tu­a­li­zação do sub­sídio de ali­men­tação e eli­mi­nação das dis­cri­mi­na­ções no pa­ga­mento do tra­balho ex­tra­or­di­nário ao sá­bado, e contra a ava­li­ação de de­sem­penho, feita de uma forma en­vi­e­sada, que trava a pro­gressão sa­la­rial – como ex­plicou o SITE Norte.
Al­fredo Maia, pri­meiro can­di­dato da CDU no cír­culo elei­toral do Porto, es­teve na con­cen­tração, a so­li­da­rizar-se com a luta dos tra­ba­lha­dores nesta em­presa do Grupo Fi­cosa In­ter­na­ti­onal.

Para exi­girem res­postas da ad­mi­nis­tração às rei­vin­di­ca­ções apre­sen­tadas em No­vembro, re­la­tivas a Se­gu­rança e Saúde no Tra­balho, au­mentos sa­la­riais e ou­tras ma­té­rias, os tra­ba­lha­dores da Lauak ma­ni­fes­taram-se, no dia 15, em Se­túbal, desde o Jardim do Que­bedo até junto da uni­dade local da Au­to­ri­dade para as Con­di­ções do Tra­balho.
O SITE Sul lem­brou que as más con­di­ções de tra­balho nesta em­presa do sector ae­ro­náu­tico sus­ci­taram já vá­rios pro­testos e um ca­derno rei­vin­di­ca­tivo es­pe­cí­fico.

A greve de dias 10 a 14 na Va­randas de Sousa teve forte im­pacto nos ín­dices de pro­du­ti­vi­dade dos três cen­tros (Vila Flor, Vila Real e Pa­redes), afirmou o SINTAB, adi­an­tando estão a ser pla­ne­adas novas ac­ções de pro­testo e de­núncia. Os tra­ba­lha­dores exigem res­posta ao ca­derno rei­vin­di­ca­tivo en­tregue em De­zembro, com des­taque para au­mentos sa­la­riais e re­so­lução de vá­rios pro­blemas de se­gu­rança e saúde no tra­balho.
Em Vila Real, no dia 12, es­teve com o pi­quete José Luís Fer­reira, pri­meiro can­di­dato da CDU neste cír­culo elei­toral.

Pelo au­mento geral dos sa­lá­rios, a va­lo­ri­zação das car­reiras pro­fis­si­o­nais e me­lhores con­di­ções de tra­balho, sem perda de di­reitos, pros­se­guem a luta os tra­ba­lha­dores da grande dis­tri­buição co­mer­cial. O CESP no­ti­ciou ac­ções, no dia 15 – no Centro Co­mer­cial Alegro, em Se­túbal, e nas lojas Con­ti­nente Mo­delo e Bom Dia, em Cas­telo Branco – e no dia 19, no Con­ti­nente Bom Dia, na Ave­nida Bar­bosa du Bo­cage, em Lisboa.

A FNSTFPS, con­jun­ta­mente com a FEN­PROF, o SEP e o STSS, pro­moveu uma con­cen­tração, na tarde de dia 15, em frente ao Mi­nis­tério do Tra­balho, So­li­da­ri­e­dade e Se­gu­rança So­cial. O prin­cipal ob­jec­tivo foi exigir me­lhores sa­lá­rios nas santas casas de Mi­se­ri­córdia. Após a não ac­tu­a­li­zação sa­la­rial, em 2023, veio da União das Mi­se­ri­cór­dias Por­tu­guesas uma pro­posta «mi­se­ra­bi­lista» para 2024, a qual «tem como único ob­jec­tivo baixar os custos do sector, à custa dos sa­lá­rios dos tra­ba­lha­dores», apesar de terem sido ac­tu­a­li­zados os va­lores dos acordos ce­le­brados pela UMP com o Go­verno.

 

CGTP-IN em Con­gresso

O 15.º Con­gresso da CGTP-IN re­a­liza-se na sexta-feira e no sá­bado, dias 23 e 24, no Pa­vi­lhão Mu­ni­cipal da Torre da Ma­rinha (Seixal), sob o lema «Com os tra­ba­lha­dores: or­ga­ni­zação, uni­dade e luta. Ga­rantir di­reitos. Com­bater a ex­plo­ração. Afirmar Abril por um Por­tugal com fu­turo».

Cerca de 730 de­le­gados, em re­pre­sen­tação dos sin­di­catos fi­li­ados, vão de­bater e votar o Re­la­tório de Ac­ti­vi­dades re­la­tivo ao pe­ríodo desde o Con­gresso an­te­rior (2020) e o Pro­grama de Acção para os pró­ximos quatro anos, e vão eleger o Con­selho Na­ci­onal para o man­dato 2024-2028.

Dos 147 ele­mentos que in­te­gram o CN, serão subs­ti­tuídos 39, entre os quais, Isabel Ca­ma­rinha, por cri­tério de re­no­vação etária ou por al­te­ração de fun­ções.

Na se­gunda-feira, dia 19, a Co­missão Exe­cu­tiva do CN da CGTP-IN reuniu-se, para pre­parar o Con­gresso, e «tratou de as­pectos re­la­tivos à com­po­sição da Co­missão Exe­cu­tiva e do Se­cre­ta­riado, para re­flexão e apro­vação pelo novo Con­selho Na­ci­onal».

Para exercer as fun­ções de Se­cre­tário-Geral da CGTP-IN, no man­dato 2024-2028, de­cidiu su­gerir Tiago Oli­veira, co­or­de­nador da União dos Sin­di­catos do Porto, que in­tegra a Co­missão Exe­cu­tiva desde 2016 (13.º Con­gresso). Tem 43 anos, é me­câ­nico na Auto Sueco, di­ri­gente sin­dical desde 2006 e membro do Co­mité Cen­tral do PCP desde 2016 (20.º Con­gresso do Par­tido).

Uma con­fe­rência sin­dical in­ter­na­ci­onal tem lugar hoje, dia 22, no Fórum Cul­tural do Seixal, com a par­ti­ci­pação de con­vi­dados es­tran­geiros que estão em Por­tugal para as­sis­tirem ao Con­gresso.