- Nº 2617 (2024/01/25)

Vêm aí as eleições: perguntas frequentes

CDU

A cerca de mês e meio das eleições legislativas de 10 de Março e praticamente a dez dias das eleições legislativas regionais nos Açores, o Avante! responde a um conjunto de questões e dúvidas mais comuns, presentes nesta batalha eleitoral. Trata-se de um contributo para o esclarecimento, face a sucessivas campanhas de mistificação, manipulação, desinformação e mentira. É, também, um apoio para todos os activistas e candidatos empenhados na campanha de esclarecimento da CDU, um elemento para estimular a conversa, desbloquear preconceitos e mobilizar para o voto na CDU

O que dizem as sondagens sobre a CDU?

Há duas coisas que caracterizam as sondagens: uma é que frequentemente não acertam, a outra é que procuram levar os eleitores ao engano, influenciando o seu sentido de voto. Mais do que prever, visam produzir resultados. Foi o que aconteceu nas últimas legislativas (em que haveria um «empate técnico» entre PS e PSD e o PS acabou por ter uma maioria absoluta) e foi o que aconteceu na Madeira (a CDU ia perder o seu único deputado e afinal aumentou a votação em 50%).

A CDU tem vindo a perder votos e eleitos. Isso é inevitável?

Não. Bem pelo contrário. Os contactos com a população, os trabalhadores e os seus problemas, para os quais a CDU tem soluções, dão uma grande confiança no seu crescimento eleitoral. A história mostra que o reforço da CDU se traduz num contributo decisivo para a melhoria das condições de vida e dos direitos.

Quem poderá vir a votar na CDU?

Os que votaram na CDU nas últimas eleições e que não têm razões para deixar de o fazer (o seu voto foi respeitado). Todos aqueles que tencionavam votar, mas que cederam à chantagem e vitimização do PS em 2022 (o chumbo da proposta de orçamento) ou se deixaram assustar com o «perigo da direita» (alimentado pelas sondagens), ainda mais errado quando o PS não dá garantia de combate efectivo à direita. Os que estão indignados porque têm uma vida pior, enquanto vêem os grupos económicos e as multinacionais a acumular lucros e o poder económico a dominar o poder político, alimentando a corrupção. Todos os que percebem a falta que fazem as propostas, as causas e o projecto transformador da CDU.

Mas não é essencial derrotar a direita?

Os votos da CDU serão sempre contra a direita e a política de direita. Não há voto mais coerente e corajoso no combate à direita do que o voto na CDU. É preciso dizer a verdade: o PS capta votos à esquerda para fazer a política de direita. Não se combate a direita com a política da própria direita.


Mas a CDU vai conseguir eleger o seu candidato a primeiro-ministro? Entre os dois, não é melhor votar no PS?

As eleições são para eleger deputados. Como se provou em 2015, o que vai contar é o número de deputados que cada força eleger para a Assembleia da República. Transferir o voto para o PS não retira nenhum voto à direita e enfraquece a força que mais conta para uma política diferente – a CDU.


Nos distritos em que a CDU não elege, não é melhor votar no PS para derrotar a direita?

O que é preciso aqui é eleger um deputado da CDU que dê a voz que falta a esse distrito. Isso é possível com mais votos. Mas cada voto na CDU conta sempre para uma vida melhor. O resultado global nacional da CDU é um elemento político determinante para o futuro. É diferente ter 12 deputados e 9% do que ter os mesmos deputados e 7%.


Há quem diga que o PCP faz do PS o seu inimigo principal. Não é melhor um governo do PS do que um do PSD?

O PCP faz da política de direita o seu inimigo principal, seja ela praticada pelos partidos de direita, seja pelo PS. O PCP não diz que o PS é igual ao PSD, mas isso não o impede de se oporao Governo PS que, afirmando-se de esquerda, desvaloriza os salários e as reformas, promove a acumulação de lucros à custa da riqueza que os trabalhadores criam, prossegue com as privatizações, destrói o SNS e a Escola Pública.

O PCP certamente não viabilizará um governo da direita. Há uma coisa que é clara e provada: a CDU é a garantia maior da força que se opõe à direita e que intervém para a derrotar, mesmo quando outros hesitam, como se viu em 2015.


Mas descarta o PCP um acordo com o PS após as eleições?

O que é decisivo são os votos que a CDU tiver. Subordinar soluções futuras ao PS, como por aí insistem, é alimentar a ilusão de que do lado do PS pode vir a resposta que não deu, nem quer dar, aos problemas. Ora, estes dois anos desmentiram essa ilusão. A CDU não procura nem cargos nem o poder pelo poder. O que a CDU quer são soluções para a vida do País e das pessoas.


Mas o PS de Pedro Nuno Santos não é mais à esquerda?

Pedro Nuno Santos (PNS) já afirmou querer cumprir o programa e a política do PS. Assume o legado da política de baixos salários e pensões, de destruição do SNS, da degradação da Escola Pública, das dificuldades na habitação. PNS foi membro deste Governo, é responsável pelas decisões que nos levaram à actual situação. Ele próprio tomou decisões contrárias ao interesse nacional: impulsionou a privatização da TAP, submeteu-se aos interesses da ANA/Vinci, dos Champalimaud na concessão dos CTT. Afirma-se de esquerda, mas atira para 2028 os 1000 euros de Salário Mínimo Nacional que deveriam ser aplicados este ano. No fundo trava o crescimento dos salários quando se impunha o contrário.


O PCP está disponível para uma nova «geringonça»?

Aquilo a que chamam de «geringonça» foi um governo do PS, minoritário e condicionado pela força da CDU na Assembleia da República, que o obrigou a fazer coisas positivas que não queria e a não concretizar projectos negativos que tinha como objectivo. Do que o País precisa não é de mais do mesmo, ou seja, governos do PS ou do PSD. A solução do PCP é um governo com uma política patriótica e de esquerda. O que exige que a CDU tenha mais força, mais votos, mais deputados. A CDU não só não faltará como tomará a iniciativa de promover políticas positivas (defender o SNS, aumentar salários e reformas, etc.), mas não passa cheques em branco a ninguém.


Não foram o PCP e o PEV que estiveram com o PS no Governo na «geringonça»? Porque se queixam agora dos resultados?

Entre 2015 e 2019 a intervenção do PCP conseguiu impor ao PS, que não tinha maioria absoluta, muitas vezes contra a sua vontade, a reposição de um conjunto de direitos – salários, reformas e subsídios que tinham sido cortados e feriados antes roubados – e a concretização de outros até aí inexistentes, como o aumento do salário mínimo, aumentos intercalares das reformas, passes sociais intermodais, redução e eliminação de taxas moderadoras, redução de propinas, manuais escolares gratuitos...

A generalidade das pessoas regista justamente esses anos como um período em que recuperaram direitos e poder de compra. Não se foi mais longe porque o PS se recusou a abandonar opções estruturantes, negativas, que aliás acentuou nos anos seguintes.


E porque não uma aliança com o BE?

Na CDU, que integra o PCP, «Os Verdes» e muitos independentes, há uma clareza, uma coerência e um compromisso prioritário com os trabalhadores ou os reformados que não têm a mesma prioridade no BE. As nossas posições, sendo justas, não se alteram nem se ajustam perante a pressão ideológica e mediática em cada momento. Dito isto, temos naturalmente muitas posições convergentes no Parlamento. Não são o inimigo do PCP ou da CDU.


O Chega vai crescer muito. Não é o Chega que «abana o sistema»?

O objectivo do Chega não é alterar o sistema, mas mantê-lo e agravar as injustiças. Tal como os restantes partidos de direita, o que o Chega quer é chegar ao poder aproveitando-se da justa indignação das pessoas. O Chega e a IL nasceram do PSD e do CDS. Foi daí que veio André Ventura, até 2017 candidato e dirigente do PSD, apoiante de Passos Coelho. O Chega tem duas caras: a falsa, que diz querer combater o «sistema»; e a verdadeira, que representa o pior do sistema.

Basta lembrar que o Chega é financiado por grupos económicos, interesses instalados e obscuros que nele apostam. A sua verdadeira face é a cara dos cortes nos salários e pensões, do fim do Subsídio de Natal que se viveu durante a troika, do ataque ao SNS para defender o negócio da doença. Quem tem duas caras não pode ser levado a sério. O Chega não diz as verdades, é a mentira permanente.


Quem combate a corrupção?

Só quem, como a CDU, se bate contra o poder dos grupos económicos e das multinacionais, contra as privatizações, contra a promiscuidade entre o poder económico e o poder político, é que dá garantias de combater a corrupção. A CDU é constituída por homens e mulheres sérios e honestos, dedicados ao interesse colectivo e sem compromissos com os grandes senhores do dinheiro, como acontece com o PS e os partidos da direita. Entre muitas outras posições, é bom ter presente que tanto PS como PSD, mas também Chega, IL e PAN, estiveram de acordo e aprovaram na generalidade os projectos-lei do PS e PSD sobre «lobbying» que visam legalizar o tráfico de influências.


Como se financiam as propostas da CDU?

As propostas da CDU não significam só mais despesa. Há muitas que significam mais receita. A CDU defende outra gestão orçamental e outra política fiscal, mais justa. Mesmo sem romper com as regras do euro, o País teria tido em 2023 uma margem de mais 11.000 milhões de euros para responder aos problemas do País, que não usou. Mas também acabando com os benefícios fiscais ao grande capital – um banco paga proporcionalmente menos imposto que um trabalhador – o País teria tido, só em 2023, mais 1600 milhões de euros. E com o fim dos benefícios fiscais aos não residentes teríamos mais 1500 milhões de euros. E o País pode ter mais receitas, sobretudo com uma política de aumento da produção nacional e de crescimento económico, criando mais riqueza.


A CDU não defende a «classe média» sujeita a uma brutal carga fiscal?

A CDU defende todos os que vivem do seu trabalho, bem como os reformados, e é por isso que defende o aumento geral dos salários e a redução do IRS, mas também do IVA em vários bens essenciais, que penaliza sobretudo os trabalhadores, reformados e pensionistas. Mas não embarca na conversa dos que falam dos impostos apenas para não aumentar os salários e acumular lucros ou diminuir os impostos sobre os lucros dos grupos económicos. Nem dos que à boleia disto pretendem legitimar a diminuição de meios e recursos do Estado na garantia dos direitos, ou diminuir a função redistributiva que os impostos devem ter.


A CDU quer tudo público mesmo que não funcione em vez de aceitar que todos possam ir ao sector privado na saúde e na educação?

Não aceita, isso sim, que a saúde e a educação sejam um negócio privado financiado pelo Estado. Na saúde, o sector privado nem trata tudo, nem trata todos, como o SNS. Com o crescimento do sector privado haverá cada vez mais portugueses que, sem SNS e Escola Pública, ficarão sem direitos.


A CDU quer aumentos salariais que as empresas não podem dar?

O aumento geral e significativo dos salários é a medida mais urgente e de maior impacto que precisa de ser tomada. Para distribuir melhor a riqueza produzida, dinamizar o mercado interno, fixar e atrair trabalhadores, garantir pensões mais altas. Não são os salários que mais pesam na estrutura de custos das empresas.

É preciso aumentar todos os salários, na Administração Pública e no sector privado, incluindo o SMN para 1000 euros já em 2024, em vez de atirar esse valor para 2027 ou 2028 como fazem todos os outros partidos.


A CDU é contra as empresas?

Pelo contrário, a CDU é a força que mais defende as micro, pequenas e médias empresas (MPME), que são esmagadas pelas grandes empresas que dominam a energia, o sector financeiro e os seguros, as telecomunicações ou a grande distribuição.

O que a CDU não aceita é a sujeição do País aos lucros cada vez maiores dos grupos económicos e das multinacionais, à custa do aperto das famílias e das MPME. Não é o aumento de salários que propomos que cria problemas às empresas.


A posição do PCP sobre a guerra prejudica a votação na CDU?

O PCP defende a paz desde a primeira hora. A posição do PCP é clara, seja na Ucrânia ou na Palestina: garantir a paz, exigir o cessar-fogo e uma solução política, em vez de mais armas, mais guerra, mais mortos, mais vítimas, mais destruição, como outros defendem. Esta é a posição do PCP.

Coisa diferente é aquilo que alguns dizem que é a posição do PCP, alimentando calúnias, mentiras e deturpações. O voto na CDU é um voto na paz e contra a guerra.


O País está assim por causa dos imigrantes?

Há quem queira pôr os portugueses a olhar para os imigrantes para não ver os que verdadeiramente enchem os bolsos com as injustiças. Tal como os portugueses que vão trabalhar para o estrangeiro, também em Portugal os imigrantes dão hoje um contributo fundamental para a economia e para a Segurança Social. A solução não é discriminar, mas garantir a todos os trabalhadores, nacionais e imigrantes, salário e direitos, saúde e habitação.


Os partidos «são todos iguais»?

Não, não são todos iguais. Há os que lutam em defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo, que estão ao seu lado na defesa do emprego, do direito à saúde, de uma vida melhor, e os que promovem a exploração e injustiças. Quando predomina a falta de palavra, a mentira ou a corrupção, a CDU é reconhecida como uma força de palavra, de verdade, seriedade e trabalho.


Têm razão, mas «não chegam lá»...

A CDU chegará onde os trabalhadores e o povo quiserem que chegue. Está no seu voto contribuir para dar força a uma outra política, que sirva os seus direitos. Ninguém é dono dos votos dos portugueses. Na CDU, o seu voto será respeitado e comprometido com uma política que dá reposta a salários, pensões, saúde, habitação.