- Nº 2615 (2024/01/11)

Pela alternativa necessária no Norte e no País

Em Foco

A 6 de Janeiro, no Cinema Venepor, Maia, várias centenas de activistas da CDU participaram num comício que contou como Secretário-Geral do PCP, onde foi destacada a crise na habitação, as privatizações e as soluções da CDU para estes e outros problemas. Nesse dia, Paulo Raimundo participou, também, num contacto com a população em Espinho e num jantar-comício em Gondomar.



A abertura da sessão coube ao músico Miro Couto, tendo intervindo, também, o mandatário distrital, Manuel Loff, e o primeiro candidato da CDU pelo círculo do Porto, Alfredo Maia. Num momento musical entrecortado pelo coro da plateia, passaram pelo palco canções de Adriano Correia de Oliveira, Zeca Afonso, Sérgio Godinho e o emblemático «Hino de Caxias».

Ser e não ser digno de Abril

«Dois anos depois, aqui estamos de novo», iniciou Manuel Loff, lembrando as muitas promessas do PS, da subida dos salários e pensões à solução dos problemas do SNS. Promessas que traíram quem neles votou «julgando que o fazia em nome de valores de esquerda», disse.

Dois anos volvidos, e o Governo não deu resposta aos reais problemas das pessoas, na habitação, saúde, educação, «direitos sociais inscritos na Constituição», mas que estão a ser vividos como privilégios, «numa lógica crescente de desigualdade». Citando Almeida Garrett («quantos pobres são necessários para fazer um rico?») Manuel Loff ilustra a situação: quantos trabalhadores com salários de miséria, imigrantes sem condições de habitação, estudantes sem quarto para alugar, são necessários para «alimentar os ricos deste País»?

Estas eleições são, por isso, afirmou, a oportunidade de eleger deputados «para uma AR digna dos 50 anos da Revolução de Abril», com os seus valores – os «do povo é quem mais ordena, os do País da fraternidade». Uma disputa entre as forças que se enredaram nas «lógicas capitalistas de mercado» e a CDU, força que «mantém compromissos» com a defesa de Abril.

Ser a alternativa no distrito e no País

Já Alfredo Maia recordou que o reforço da CDU significa «mais propostas e mais realizações ao serviço dos trabalhadores e do povo». Num quadro de crescente pobreza e exclusão social, só no distrito do Porto, lembrou, mais de 24 mil famílias estão a receber o rendimento social de inserção.

O candidato recordou, ainda, os lucros na banca («mais de 12 milhões» por dia em 2023), à custas da famílias sujeitas a um caminho de empobrecimento que também se expressa na habitação: só na Maia «estão prometidos 575 fogos», face aos 2 600 necessários; «no Porto, há necessidade de mais três mil; em Matosinhos, mais 1 700».

Reforçar a CDU significa, para Alfredo Maia, que «não ficam silenciadas as operações de desmantelamento de indústrias», com especial foco na região portuense: fecho de empresas no Vale do Sousa; encerramento da fábrica do grupo La Perla em Vila Nova de Gaia; privatização da Efacec. Um caminho com centenas de desempregados, no distrito e no País. Valorizando, ainda, a luta dos trabalhadores do Global Media Group, saudou a greve de 24 horas que irão realizar, pelo pagamento dos salários de Dezembro e 13.º mês, e em defesa dos seus postos de trabalho.

O candidato mencionou, também, propostas do PCPpara a região, como «o reequipamento em meios auxiliares de diagnóstico e terapêutica do Hospital de S. João», «a construção do Hospital da Póvoa do Varzim», «remodelar e melhorar as condições em centros de saúde» como o de Azevedo-Campanhã, entre outras, todas chumbadas pela maioria do PS.

Não ser subserviente ao grande capital

Na sua intervenção, Paulo Raimundo focou-se na habitação, reafirmando a posição do PCP: trata-se de um «direito constitucional», de um «bem essencial», que necessita, portanto, de «medidas que respondam aos problemas» que a assolam, e que estarão presentes no programa eleitoral do Partido. Propostas como criar um «regime especial de protecção da habitação própria», que reduza encargos e «coloque os lucros da banca a suportar o aumento das taxas de juro». Mas, também, um regime especial de protecção dos inquilinos, limitando o «aumento das rendas e do valor dos novos contratos» e restringindo as situações de despejo, bem como o alargamento da oferta pública de habitação, com a «mobilização imediata de imóveis públicos» e com investimento «reforçado e contínuo» do Estado. Medidas das quais o PCP não desiste, mesmo afrontando, garantiu, os milhões de euros de lucros diários dos grupos económicos e enfrentando a oposição de PS, PSD, CH e IL, «seus instrumentos políticos».

O Secretário-Gerallembrou, ainda, as privatizações, em que, mais uma vez, as forças da política de direita convergem, dando como exemplo maior o caso dos CTT. Trata-se, referiu, de «uma empresa pública que dava ao Estado milhões de euros», cuja privatização, à qual o PCP se opôs, revelou o caminho que estes processos tomam: «património roubado», «degradação a olhos vistos do serviço postal», «direitos dos trabalhadores postos em causa», «postos, estações e balcões encerrados», aumentos de 9,5 por cento do custo do correio já em Fevereiro, numa lista que só pode ter como conclusão a proposta do Partido de «recuperação do controlo público da empresa».

Neste quadro, fez questão de distinguir as forças que colocam na Assembleia da República (AR) «deputados ao serviço do Grupo Champalimaud e de outros capitalistas que ganharam milhões à custa dos CTT», e aqueles que, como o PCP, consideram que «as privatizações têm sido um banquete para o grande capital», mencionando, ainda, casos como os aeroportos, a banca, as telecomunicações, entre outros sectores. Privatizações essas que são, para Paulo Raimundo, «um caso de polícia», «terreno fértil para a corrupção» e exemplo de promiscuidade entre estes partidos e o poder económico, de que a aprovação da legalização do tráfico de influências (chamado lobby) é exemplo.

Para o dirigente comunista, o PCP não será a cereja no bolo da política de direita, o inimigo principal, «venha ele de onde vier», nem da sua subserviência aos grupos económicos. «Para isso não, obrigado», declarou.

Em Espinho e Gondomar, contra os novos apertos

De manhã, em Espinho, Paulo Raimundo, entre largas dezenas de activistas da CDU, fez questão de reforçar a necessidade do controlo e afixação de preços face ao seu aumento, que tanto aflige os consumidores e os pequenos produtores. «Novo ano, novos apertos», afirmou, lembrando o aumento de preços na alimentação, não solucionado com o IVA Zero, que cortou 500 milhões em impostos que poderiam ser arrecadados e não interferiu nos lucros gritantes da grande distribuição, esses que não fizeram «um único esforço».

Já em Gondomar, com uma centena de activistas e apoiantes, Alfredo Maia, que também esteve presente, frisou a necessidade de «ânimo imenso» no combate eleitoral, afirmando como tarefas fundamentais esclarecer, informar, consciencializar e mobilizar. Já o Secretário-Geral reforçou os problemas que «cada um de nós sente na pele», e apontou a CDU como única força com «soluções que enfrentam a besta de frente», no SNS, na educação e na habitação.

 

Afirmar a CDU no distrito do Porto

Além do cabeça-de-lista, estiveram presentes, na Maia, outros dos quinze primeiros candidatos da CDU pelo círculo do Porto, que damos a conhecer.

Alfredo Maia, 61 anos, jornalista, deputado à AR, membro da Direcção do Sector Intelectual do Porto do PCP. Integrou os conselhos de redacção d’O Primeiro Jornal e do Jornal de Notícias, a Assembleia Municipal (AM) da Maia e do Porto, foi vice-presidente da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto, dirigente do Sindicato dos Jornalistas e membro do seu Conselho Deontológico.

O advogado João Ferreira, 33 anos, membro da AM de Santo Tirso e da Direcção do Sector Intelectual do Porto do PCP.

Com 31 anos, Inês Branco, empregada de comércio, dirigente do CESP, membro do Secretariado da Direcção Nacional da Interjovem, do Conselho Nacional da CGTP-IN e da Comissão Concelhia do Porto do PCP.

André Araújo, 24 anos, músico, artista visual, doutorando em Criação Artística, membro da Assembleia da União de Freguesias (UF) de Mafamude e Vilar do Paraíso, da AM de Vila Nova de Gaia e da Comissão Concelhia do PCP na cidade. Presidiu à Associação de Estudantes do Conservatório de Música do Porto.

Professora,Maria Olinda Moura, 65 anos, integra a Assembleia da UF de São Cosme, Valbom e Jovim e a Comissão Concelhia de Gondomar do PCP. Foi eleita na AM de Gondomar.

Jaime Toga, 45 anos, licenciado em Ciências Sociais, membro da Comissão Política do Comité Central (CC) e responsável pela Organização Regional do Porto (ORP) do PCP. Integrou a Assembleia Geral do Núcleo Académico de Química da Universidade do Minho, a AM da Trofa e a Assembleia Metropolitana do Porto.

Com 54 anos, Isabel Pires Souto, professora, integra o Conselho Nacional do PEV. Foi dirigente do Sindicato dos Professores da Região Centro.

Técnica de contencioso, Raquel Ferreira, 30 anos, é activista do Movimento «Porta a Porta – Casa para Todos», integra a Assembleia da UF de Matosinhos e Leça da Palmeira e a Comissão Concelhia de Matosinhos do PCP.

Miguel Januário, 42 anos, artista plástico, designer, licenciado em Design de Comunicação, doutorando em Design, é Head of Art Sustainability no CeiiA, artista na Underdogs Gallery, criador do projecto de intervenção ‘±MaisMenos±’ e do KissMyWalls Art Studio.

Mecânico de pesados, Tiago Oliveira, 43 anos, é coordenador da União de Sindicados do Porto e membro da Comissão Executiva do Conselho Nacional da CGTP-IN, da Assembleia da UF de São Mamede de Infesta e Senhora da Horta e da Direcção da ORP e do CC do PCP.

Assistente de bordo, Helena David, 27 anos, é membro do PCP, da Comissão de Trabalhadores da EasyJet e delegada do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo e Aviação Civil.

Rita Costa, 42 anos, operadora de centro de contacto, é membro do PCP e dirigente do SITE-Norte e da Fiequimetal.

Professor de ensino superior e investigador, Rui Pereira, 60 anos, independente, é autor de publicações científicas e académicas, de textos para teatro e infância e de trabalhos de ensaio e reportagem. Foi jornalista n’O Diário e no Expresso e galardoado, entre outros, com o Prémio Gazeta Revelação.

Estudante de 24 anos, Margarida Chalupa, licenciada em Engenharia de Minas e Geoambiente, integra o Executivo da Comissão Regional do Porto da JCP.

Cristiano Ribeiro, 67 anos, médico, membro da Assembleia de Freguesia de Cête e da Direcção Sub-Regional do Vale do Sousa e Baixo Tâmega do PCP, desenvolveu mais de 20 anos de actividade profissional voluntária na Parada de Tondeia, em Paredes, concelho onde colaborou com muitas colectividades e integrou a Assembleia Municipal.