1810 a 1940 – Zoos humanos

Um estudo do professor Richard Lewontin, da Universidade de Harvard, provou, em 1972, que não há diferenças significativas do ponto de vista molecular no sangue humano. Mais tarde, outros estudos revelaram que a informação genética no DNA humano é 99,9% idêntica, pelo que não tem sentido falar de «raças». Mas o racismo existe e durante mais de um século, por todo o mundo, Portugal incluído, seres humanos mostraram a sua «superioridade» exibindo outros seres humanos. Estima-se que, de 1810 a 1940, cerca de 35 mil pessoas foram expostas, para mais de 1,2 mil milhões de visitantes, em feiras internacionais, exposições universais ou jardins zoológicos. A exibição de pessoas «exóticas» era um negócio lucrativo. Um dos primeiros a explorá-lo foi o empresário de Hamburgo Carl Hagenbeck, com a sua Völkerschau (exposição etnológica), em 1874. A empresa com o nome da família ainda dirige o zoo daquela cidade alemã. A Feira Mundial de 1958, realizada em Bruxelas, incluiu um «zoo humano». O Atomium, símbolo da Feira e uma das principais atracções turísticas da capital belga, não tem nenhuma referência à prática racista. Os zoos humanos desapareceram nos anos 1960, mas não o racismo. Como dizia Einstein, «é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito».