PT/MEO: um activo estratégico para a Altice espremer
Desde que chegou a Portugal, a Altice tem-se dedicado a destruir a PT/MEO realizando mais-valias com a venda a prestações da empresa. As Torres de Telecomunicações foram vendidas por cerca de mil milhões de euros (sendo o principal comprador o fundo de capital criado por Sérgio Monteiro e Pires de Lima, respectivamente ex-Secretário de Estado e ex-Ministro das Infra-estruturas). A venda de metade da rede de fibra óptica rendeu 2,6 mil milhões. O Data Center da Covilhã (tantas idas de ministros para isto) está à venda por cerca de 100 milhões. Vários edifícios da PT/MEO foram sendo vendidos por umas dezenas de milhões de euros (alguns deles no quadro das negociatas em investigação judiciária).
E agora está a venda a Altice Labs (a PT inovação, um sector de ponta responsável por muito do avanço das telecomunicações em Portugal), o resto da rede de fibra óptica e o maior operador de telecomunicações do país, a MEO, havendo propostas para o conjunto entre os 6 e os 9 mil milhões de euros.
Um dos potenciais compradores é um fundo de capital americano com um testa de ferro português (que até quer, elogia a imprensa ideologicamente dominada, «trazer de volta o nome Portugal Telecom»). Outra hipótese, a empresa saudita de telecomunicações. E ainda temos um fundo de capital britânico e outro luxemburguês. A decisão, essa, será tomada pelo «dono» da Altice.
Quanto à gestão da empresa, a Altice concentrou-se em realizar sucessivos processos de despedimento colectivo, em reduzir os custos com os fundos de pensões e os direitos dos trabalhadores, em separar da empresa um conjunto de actividades entregues a prestadores de serviço (muitas vezes do próprio grupo) para poder aumentar a precariedade e a exploração. Tudo isto aumentando o «valor» da empresa porque potenciando a sua capacidade de gerar lucro.
Lusa
Um processo desastroso, onde uma multinacional comprou uma empresa estratégica nacional, a PT/MEO, para a retalhar, vender por troços, despedir trabalhadores, precarizar as relações laborais e acumular ganhos gigantescos para si própria (façam as contas ao acima exposto, onde a arrecadação pela alienação dos vários bocados pode chegar aos 14 mil milhões de euros e tenham em conta que a PT custou à Altice algo como 5,6 mil milhões, e ainda gera um lucro anual de algumas centenas de milhões de euros).
É mais um dos processos de privatização que apenas significou um conjunto de excelentes oportunidades de negócio para meia dúzia de capitalistas e intermediários, com as perdas a serem acumuladas nos utentes/clientes, nos trabalhadores da empresa e do sector e no Estado.
O Grupo Parlamentar do PCP já questionou o Governo sobre o papel do Estado perante este processo. Que tem sido nulo. Estamos perante um processo, onde activos estratégicos nacionais estão a ser oferecidos, vendidos e degradados, activos onde se podia e deveria alavancar a reconstrução de uma empresa pública e nacional de telecomunicações, capaz de assegurar as necessidades estratégicas do País e de criar um verdadeiro serviço público e universal de telecomunicações.
E enquanto o grande capital vai distribuindo entre si, neste e noutros jogos de similar consequência, a mais-valia gerada pelo trabalho, os utentes das telecomunicações em Portugal, reduzidos a clientes de uma MEO, de uma NOS, de uma Vodafone, continuam a pagar das telecomunicações mais caras da Europa, como o próprio regulador denunciava, e ainda vão aumentar mais os preços no início de 2024, num valor acima da taxa de inflação registada e muito acima do valor dos aumentos salariais praticados nos grupos referidos.
Se perante o que se passa na PT/Meo o Governo se tem fingido de morto, já perante estes sucessivos aumentos de preços injustificados, como denunciou a própria ANACOM, o Governo já agiu, resolutamente, e mudou o presidente da ANACOM.