Entrevista a Edgar Silva

Transportar para o voto o reconhecimento e apoio popular à CDU

A CDU parte com confiança para as eleições regionais da Madeira do próximo dia 24 de Setembro. Uma confiança alicerçada na sua profunda ligação aos trabalhadores e ao povo daquelas ilhas, revela em entrevista ao Avante! Edgar Silva. Para o Coordenador Regional do PCP e primeiro candidato da CDU, há assim razões para acreditar que, também na Madeira, «vamos ter mais CDU».

CDU é a voz da exigência e da luta e por uma vida melhor

No encerramento do XI Congresso do PCP/Madeira, em Fevereiro deste ano, Paulo Raimundo, Secretário-geral do Partido, anteviu boas condições para a CDU obter um «grande resultado eleitoral» nas eleições regionais de 24 de Setembro. O ambiente que se vive confirma essa perspectiva?
Sim, sentimos que há um bom ambiente. Mas, o bom acolhimento, a consideração positiva, e até a explicitação do reconhecimento e da valorização do trabalho político que a CDU desenvolve, em si mesmo o bom ambiente não nos basta. É preciso transformar esse reconhecimento em expressão eleitoral. De facto, nas iniciativas que temos desenvolvido nas ruas, nas acções de contacto com os trabalhadores, nas empresas e locais de trabalho, nas localidades, naquela que é a nossa proximidade com as populações nas zonas altas e super-altas, sentimos que temos pela frente a complexa tarefa de transportar para o voto esse apoio.

Como está a ser construído este caminho?
É na proximidade com pessoas concretas, que dinamizaram iniciativas reivindicativas em cada um dos sítios, procurando estabelecer a ligação entre quem, como a CDU, foi decisivo na hora de lutar e a hora de votar. Idêntica dinâmica estamos a construir em relação às empresas e locais de trabalho, exactamente com o mesmo objectivo de valorizar a iniciativa política que deu força política a lutas concretas em determinados locais de trabalho e a mobilização para o voto na CDU.

De que forma os resultados da campanha nacional de recrutamento «O Futuro tem Partido» vão contribuir para este objectivo?
O recrutamento de novos militantes tem alargado a base militante do PCP na organização regional, e, na sequência da campanha nacional, já se fazem sentir os bons resultados alcançados, pois, a maior vitalidade que cada novo militante tem trazido ao colectivo a que pertence e a disponibilidade para assumir responsabilidades já são realidades bem visíveis, desde logo, na recolha de candidaturas para estas Eleições Regionais e nas iniciativas da pré-campanha.

Quem são estes novos militantes e de que forma estão integrados, também no âmbito das próximas eleições?
Muitos destes novos recrutamentos resultam de lutas que estão em andamento, são fruto de uma outra consciência social e de uma consciência política nascidas a partir de dinâmicas reivindicativas, no contexto da organização de movimentos sociais.

Na intervenção de todos os dias, a CDU dirige-se apenas aos excluídos da Região Autónoma da Madeira? Quais as prioridades da vossa intervenção e quais as dificuldades com que se deparam?
No centro das nossas prioridades estão os trabalhadores, os seus direitos, salários, condições de vida. Mas também na Região são muitos os trabalhadores que empobrecem a trabalhar. E que, em largo número, são relegados para ultraperiferias urbanas e para lugares humanamente periféricos. Não pararam de aumentar os excluídos que habitam nas margens, nas periferias. A CDU tem sido sempre a voz do povo das zonas altas, dos distantes, dos mais afastados nestas zonas ultraperiféricas, onde moram as populações abandonadas pelos governantes. E é aqui, nestas margens densamente povoadas, que estão os explorados. Nestas ultraperiferias estão aqueles que mais sofrem com a economia de exclusão. É aqui que se encontram as vítimas da fabricação das desigualdades nesta terra. Então, é muito importante que cada pessoa que habita nas periferias saiba que terá na CDU a sua voz e a sua força reivindicativa. As populações das ultraperiferias sociais, todos quantos tanto experimentam uma vida sofrida, os pobres e excluídos do desenvolvimento regional, tiveram sempre, e continuarão a ter, na CDU a certeza do compromisso com a justiça social. Por isso, os candidatos da CDU se comprometem a fazer das ultraperiferias sociais o lugar da exigência de que é possível viver melhor na nossa terra.

Como avalias em termos gerais estes quatro anos de Governo PSD/CDS na Região?
A governação PSD/CDS intensificou a economia de exclusão que faz com que se agravem as desigualdades, em vez da redução do fosso que separa a maior parte das pessoas da prosperidade de que usufruem poucos na nossa terra. Tem sido essa economia de exclusão, desencadeada pelos governantes, que está na origem dos lugares ultraperiféricos na Madeira e no Porto Santo, quer devido aos baixos níveis salariais que são praticados, quer pela crescente precariedade laboral, factores que aceleram de sobremaneira a probabilidade de se cair em situações de grande fragilidade social, e que remetem tanta gente para as margens do desenvolvimento nestas ilhas.

Nos últimos quatro anos foram intensificadas dinâmicas de exclusão e segregação. O aumento dos níveis de pobreza à escala regional mostra que a desigualdade prevalece como a marca mais negativa da governação PSD/CDS ao longo dos últimos tempos nesta Região Autónoma.

De que forma se consegue desmascarar as falsas promessas e mentiras de quem exerce o poder?
São muitos os casos de falsas promessas por parte do Governo Regional, da responsabilidade política do PSD/CDS. Uma das mais flagrantes mentiras dos governantes é a prometida universalização do direito a um médico de família e a enfermeiro de família. Esta é uma de entre tantas outras falsas promessas que caracterizam a actual governação.

A governação de Miguel Albuquerque tem-se especializado na arte da promessa, fazendo crer que o virtual se poderia confundir com a realidade.

Quer através do contacto directo com as populações, quer pela denúncia pública dos casos concretos, cabe-nos esclarecer para o abismo entre a propaganda e a realidade.

O facto de no momento das eleições aparecerem sempre numerosos partidos, muitos dos quais com pouca ou nenhuma intervenção na região, é um factor de preocupação? Como lidam com isso?
Ao contrário das últimas Eleições Regionais, profundamente condicionadas por uma forte bipolarização, neste ano, temos pela frente as implicações de uma multiplicação de candidaturas. Temos preocupação pelo que alguns destes processos de candidatura implicam de dispersão do voto e, nalguns casos, de equívoco na hora do voto.

Com os meios que temos ao nosso alcance, cabe-nos esclarecer quanto ao voto certo na CDU, quanto aos cuidados a ter para que as pessoas não se enganem na hora do voto.

As dez medidas de implementação imediata já presentadas pela CDU são a solução para os problemas?
As dez medidas de implementação imediata dão resposta a problemas concretos sentidos pelos trabalhadores e pelo povo nas ilhas a que pertencemos. E, no seu conjunto, sintetizam linhas de orientação de um projecto alternativo para o desenvolvimento regional, e comportam uma força reivindicativa indicadora de que é possível viver melhor na nossa terra.

A alternativa política proposta pela CDU pode alterar este panorama?
O nosso “Manifesto Eleitoral” assume-se como a ruptura com os fabricadores de desigualdades sociais e territoriais que estão no Governo Regional e no Governo da República há décadas. A CDU demonstra como é possível colocar a Autonomia ao serviço dos trabalhadores e do Povo.

Qual a importância do crescimento da CDU e quais as razões que apresentas no contacto com os eleitores para os levar a decidir votar na CDU?
Mais força à CDU abrirá novas possibilidades de iniciativa ao projecto que se contrapõe quer aos projectos do PSD/CDS e de outras forças reaccionárias, quer à falsa oposição que o PS proclama conhecidas que são, no essencial, as mesmas opções da política de direita desencadeada pelo actual Governo da República.

 

CDU é a voz dos trabalhadores no Parlamento

Nas últimas eleições regionais, a CDU elegeu apenas um deputado. Neste mandato, que importância teve e no que é que se distinguiu?
A CDU, com apenas um deputado, foi quem desenvolveu maior iniciativa política e concretizou maior capacidade propositiva. Apenas a CDU colocou no Parlamento os problemas dos trabalhadores e apresentou propostas para dar andamento a justas reivindicações dos trabalhadores.

Na Região Autónoma da Madeira, são diferentes PS e o PSD?
PS e PSD partilham um trajecto de cumplicidades e de orientações políticas. Diferenciam-se na medida em que se esforçam por indicar uma alternância de actores, caras ou estilos. Aliás, como aconteceu na Câmara Municipal do Funchal, que o PS perdeu para o PSD/CDS, num processo de rotativismo entre uns e outros, sem alterar o essencial do que tem que ser mudado. Entre o PS e o PSD, tudo quanto aconteceu nos últimos tempos na autarquia do Funchal diz da mesmidade entre PS e PSD nesta Região. Na Câmara do Funchal prevaleceu a continuidade da mesma política de desprezo pelas populações e pelos seus problemas, o mesmo folclore comunicacional, a mesma protecção aos grandes grupos económicos, o mesmo favoritismo à especulação imobiliária e aos grandes negócios.

A saída de Paulo Cafofo (PS) para o Governo da República abriu espaço à esquerda ou, em sentido contrário, a projectos e concepções folclóricas, reaccionárias e fascizantes?
Porque o PS não conseguiu formar uma maioria parlamentar, Paulo Cafofo optou por um afastamento político. Até que surgiu uma saída para o Governo da República. Tudo isto criou muitas contradições políticas. E o resultado está aí... vemos a descredibilização dessa ideia de mudança, com o que significa de desagregação de dinâmicas favoráveis à concretização de uma alternativa política, e as desilusões abrem caminho a projectos e concepções reaccionárias, que se multiplicam nestas ilhas.

Em que medida a ofensiva de pendor anticomunista que tem estado presente ao longo destes anos afecta a nossa intervenção?
A uma intensa e agressiva campanha anticomunista, num quadro de desinformação e de demagogia, procuramos responder com iniciativa política enraizada nos problemas concretos e mais sentidos pelo povo, identificando-nos com o clamor do povo e fazendo com que o povo se reconheça na nossa demanda.

 

Um colectivo que se reforça e renova

Voltaste a ser reeleito Coordenador Regional do PCP. Como sentes este voto de confiança?
No âmbito de um trabalho colectivo, numa fase de um processo de formação de novos quadros dirigentes e quando estamos a concretizar uma maior responsabilização de jovens nos diversos organismos de direcção do Partido, quer ao nível local, como regional, então, esta reeleição insere-se nessa dinâmica de trabalho. E tem por objectivo dar continuidade mais funda e extensiva à renovação e ao rejuvenescimento, ao reforço da organização do Partido nesta Região.

Que mensagem diriges a quem ler esta entrevista?
Gostaria de transmitir uma mensagem de confiança. Somos agora chamados a empreender uma difícil batalha eleitoral na Madeira e no Porto Santo, na qual temos uma clara noção, das nossas vulnerabilidades, das adversidades e das nossas possibilidades. Mas, da ligação que temos aos trabalhadores e ao povo destas ilhas nasce a firme convicção de que, tal como no resto do País, aqui também, vamos ter mais CDU.