Paulo Raimundo no Alentejo e no Algarve reafirmou urgência da alternativa

«Não es­tamos con­de­nados a esta po­lí­tica, ela pode, deve e vai mesmo ser tra­vada», afirmou o Se­cre­tário-Geral do PCP. Paulo Rai­mundo frisou que «há uma al­ter­na­tiva que serve a todos os tra­ba­lha­dores, ao povo e ao País» e que, «com es­cla­re­ci­mento, con­fi­ança e ale­gria, vamos, mas é que vamos mesmo cons­truí-la», porque «ela é justa, pos­sível, ne­ces­sária e cada vez mais ur­gente».

PS, PSD, Chega e IL optam sempre pelo apoio aos grupos eco­nó­micos

O di­ri­gente co­mu­nista in­ter­veio no do­mingo, dia 13, no al­moço-con­vívio de Verão, pro­mo­vido pela Or­ga­ni­zação Re­gi­onal de Beja do PCP, na Mina de São Do­mingos (Mér­tola). Antes, fa­laram José Ba­guinho, da Di­recção da Or­ga­ni­zação Re­gi­onal de Beja, res­pon­sável pelo Con­celho de Mér­tola, e João Dias, de­pu­tado na As­sem­bleia da Re­pú­blica, eleito pelo dis­trito.

No fe­riado de dia 15, Paulo Rai­mundo usou da pa­lavra em duas ini­ci­a­tivas da Or­ga­ni­zação Re­gi­onal do Al­garve (ORAL). Num al­moço em Odiá­xere (Lagos), onde também in­ter­veio Ma­nuel Ca­tarino, da Co­missão Con­ce­lhia do Par­tido, e num jantar-co­mício em Faro, onde foi pre­ce­dido por Celso Costa, do Co­mité Cen­tral, res­pon­sável pela ORAL.

Ao final da tarde, Paulo Rai­mundo vi­sitou a Feira Me­di­eval de Silves.

Nas in­ter­ven­ções e em de­cla­ra­ções à co­mu­ni­cação so­cial, o Se­cre­tário-Geral abordou a ac­tu­a­li­dade na­ci­onal, sa­li­en­tando por vá­rias vezes as di­fi­cul­dades que os tra­ba­lha­dores e o povo con­ti­nuam a so­frer, de­vido às con­sequên­cias de uma po­lí­tica e de me­didas que o Go­verno e o PS, tal como o PSD, a IL e o Chega, per­sistem em manter, re­jei­tando su­ces­si­va­mente e todos juntos as pro­postas do PCP.

Por outro lado, como acen­tuou Paulo Rai­mundo, essa po­lí­tica e essas me­didas be­ne­fi­ciam cla­ra­mente os grupos eco­nó­micos, que con­ti­nuam a acu­mular lu­cros de mi­lhões e a be­ne­fi­ciar de grandes par­celas do Or­ça­mento do Es­tado, em es­pe­cial na Saúde.

«Entre as di­fi­cul­dades vi­vidas por cen­tenas de mi­lhares de fa­mí­lias e os lu­cros de meia dúzia de grupos fi­nan­ceiros, PS, PSD, Chega e IL optam – e optam sempre – pelo apoio a essa meia dúzia», acusou Paulo Rai­mundo, na Mina de São Do­mingos, acen­tu­ando que «o que os mo­tiva, ao con­trário do que tentam passar, não é o peso dos im­postos sobre os tra­ba­lha­dores e o povo, mas os im­postos sobre os grupos eco­nó­micos».

 

Vai bem para quem?

«Todos os dias ou­vimos a len­ga­lenga de que não há al­ter­na­tiva, de que o que é pre­ciso é pa­ci­ência, mais dia menos dia as coisas vão me­lhorar, porque a eco­nomia está a crescer de uma forma ex­tra­or­di­nária», mas «o pro­blema de todos os dias é que isto vai bem para uns poucos e vai todos os dias mal e, a cada dia que passa, pior para muitos, para a larga mai­oria», disse o Se­cre­tário-Geral. E pre­cisou: «Para quem tra­balha, para quem produz a ri­queza, para quem tra­ba­lhou, para quem mais sofre com as dis­cri­mi­na­ções, as de­si­gual­dades e a in­jus­tiça».

Paulo Rai­mundo re­alçou que «não es­tamos con­de­nados ao em­po­bre­ci­mento, não es­tamos con­de­nados a esta po­lí­tica», e que ela «pode, deve e vai ser mesmo der­ro­tada e tra­vada», con­tra­pondo que «há uma al­ter­na­tiva, que serve a todos os tra­ba­lha­dores, serve ao povo e serve ao País, que é a al­ter­na­tiva pa­trió­tica e de es­querda», e que, «com es­cla­re­ci­mento, con­fi­ança e ale­gria, vamos, mas é que vamos mesmo, mais cedo ou mais tarde, con­ti­nuar a cons­truí-la e im­ple­mentá-la».

In­dicou, de se­guida, os mo­tivos por que essa al­ter­na­tiva «é justa, pos­sível, ne­ces­sária e cada vez mais ur­gente»:

– «Porque é justa, pos­sível, ne­ces­sária e ur­gente a va­lo­ri­zação do tra­balho e dos di­reitos dos tra­ba­lha­dores, para todos os tra­ba­lha­dores, in­cluindo os mi­grantes, que estão su­jeitos a uma ex­plo­ração ainda mais dura e mais acen­tuada;

– Porque é justo, pos­sível, ne­ces­sário e ur­gente o au­mento geral dos sa­lá­rios, das pen­sões e das re­formas;

– Porque é justo, pos­sível, ne­ces­sário e ur­gente o in­ves­ti­mento no Ser­viço Na­ci­onal de Saúde, a in­te­gração do Hos­pital de Serpa no SNS;

– Porque é justo, pos­sível, ne­ces­sário e ur­gente o in­ves­ti­mento na Es­cola Pú­blica, na ha­bi­tação, nos trans­portes pú­blicos, na re­so­lução do IP8, na elec­tri­fi­cação da linha férrea, no ser­viço postal, no acesso à cul­tura e ao des­porto.

– Porque é justo, pos­sível, ne­ces­sário e ur­gente o con­trolo pú­blico dos sec­tores es­tra­té­gicos, para que es­tejam ao ser­viço da vida de cada um de nós, da vida co­lec­tiva e da vida do País.

– Porque é justo, pos­sível, ne­ces­sário e ur­gente que as muitas forças e re­cursos deste País, que não é pobre mas tem sido em­po­bre­cido, sejam co­lo­cadas ao ser­viço do povo e da pro­dução na­ci­onal.

– Porque é justo, pos­sível, ne­ces­sário e ur­gente im­ple­mentar a re­gi­o­na­li­zação, va­lo­rizar o Poder Local de­mo­crá­tico, in­verter o des­po­vo­a­mento do In­te­rior e os graves pro­blemas sen­tidos com a si­tu­ação de seca.

– Porque, como todos os dias se re­vela, é justo, pos­sível, ne­ces­sário e ur­gente em­pe­nhar todos os es­forços e todas as forças na cons­trução da paz, da so­li­da­ri­e­dade e da co­o­pe­ração entre todos os povos. A guerra não serve os povos;

– Porque é justo, pos­sível, ne­ces­sário e ur­gente cum­prir e fazer cum­prir a Cons­ti­tuição e con­sa­grar os va­lores de Abril».

 

O que faz falta à ju­ven­tude

«A ju­ven­tude en­frenta, de facto, pro­blemas muito com­plexos: pro­blemas na Es­cola Pú­blica, no acesso a todos os graus de en­sino; a brutal pre­ca­ri­e­dade, que hoje é regra nas re­la­ções de tra­balho. En­frenta os baixos sa­lá­rios, di­fi­cul­dades cres­centes no acesso à ha­bi­tação, au­sência de res­posta pú­blica para ga­rantir cre­ches gra­tuitas, in­su­fi­ci­ência de res­posta do SNS aos seus pro­blemas es­pe­cí­ficos, no­me­a­da­mente ao nível da saúde mental, entre ou­tros. (...)

Do que a ju­ven­tude pre­cisa é exac­ta­mente da­quilo que a po­lí­tica de di­reita lhe roubou e que tudo fará para não repor.

Mais do que ce­ri­mó­nias, es­tudos, anún­cios e men­sa­gens de pre­o­cu­pação, os jo­vens pre­cisam é do re­forço da Es­cola Pú­blica, gra­tuita e de qua­li­dade; é de em­prego com di­reitos e com me­lhores sa­lá­rios; é de verem ga­ran­tidos os di­reitos à cul­tura, à saúde, ao des­porto; é que se as­se­gure o com­bate às dis­cri­mi­na­ções.

Res­ponda-se aos ver­da­deiros pro­blemas da ju­ven­tude, cri­emos con­di­ções para que cá fi­quem, cá vivam e cá tra­ba­lhem, e cer­ta­mente que a von­tade da larga mai­oria, tendo con­di­ções e mo­ti­vação dos mesmos, é cá fi­carem – e tanta falta fazem.»

Ex­certo da in­ter­venção de Paulo Rai­mundo em Odiá­xere


Opção pela grande mai­oria

«A al­ter­na­tiva que pro­pomos, da qual somos por­ta­dores não serve a todos. Não serve a quem con­centra a ri­queza à custa de mi­lhares e mi­lhares, não serve a quem acha que o povo aguenta, aguenta, não serve aos se­nhores da guerra, não serve a essa mi­noria que se vai en­chendo todos os dias à nossa conta.

A al­ter­na­tiva que pro­pomos, da qual somos por­ta­dores serve, sim, à grande mai­oria, aos tra­ba­lha­dores, aos que pro­duzem a ri­queza, aos que põem o País a fun­ci­onar, serve aos que tra­ba­lharam uma vida in­teira, serve à ju­ven­tude, serve aos micro, pe­quenos e mé­dios em­pre­sá­rios, aos agri­cul­tores, aos pes­ca­dores, aos de­mo­cratas (...).

«É do in­te­resse da mai­oria, e só do in­te­resse da mai­oria, o au­mento dos sa­lá­rios, das pen­sões, que se dis­tribua a ri­queza, que se ponha a pagar quem mais tem e quem mais pode.

É do in­te­resse da mai­oria que se de­fenda os tra­ba­lha­dores e se faça res­peitar os seus di­reitos.

É do in­te­resse da mai­oria, e só da mai­oria, uma po­lí­tica que as­se­gure o di­reito à ha­bi­tação, que pro­teja a ha­bi­tação pró­pria per­ma­nente, trave des­pejos e pe­nhoras, im­ponha que o peso do au­mento das taxas de juro re­caia sobre os cho­rudos lu­cros da banca (...).

É do in­te­resse da mai­oria, e não dos grupos eco­nó­micos, o in­ves­ti­mento nos ser­viços pú­blicos e nos seus pro­fis­si­o­nais, (...) o con­trolo pú­blico dos sec­tores es­tra­té­gicos e o au­mento da pro­dução na­ci­onal (...).

É hoje muito evi­dente que é do in­te­resse da mai­oria uma po­lí­tica fiscal mais justa, que desça o IRS para a larga mai­oria dos tra­ba­lha­dores, com o en­glo­ba­mento obri­ga­tório para ren­di­mentos do mais ele­vado es­calão de IRS, bai­xando o IVA da elec­tri­ci­dade, do gás e das te­le­co­mu­ni­ca­ções, aca­bando com os be­ne­fí­cios fis­cais dos re­si­dentes não-ha­bi­tuais, abran­gendo os grupos eco­nó­micos da banca, se­guros, energia e dis­tri­buição com uma taxa de 35% sobre o IRC de 2022 e 2023, para serem efec­ti­va­mente tri­bu­tados os lu­cros.

É do in­te­resse da mai­oria a rede pú­blica de cre­ches, gra­tuitas, que ga­ranta que todos os bebés têm acesso a um ser­viço de grande qua­li­dade e que todas as fa­mí­lias têm a se­gu­rança de saber que têm essa res­posta quando de­cidem ter um filho. Fa­zendo cor­res­ponder o enorme avanço que cons­ti­tuiu, com a pro­posta e a acção do PCP, a creche para quase 60 mil cri­anças, com a ne­ces­sária du­pli­cação do nú­mero de vagas, porque au­mentar os bebés por sala, man­tendo o nú­mero de tra­ba­lha­dores, não pode ser so­lução.»

Ex­certo da in­ter­venção de Paulo Rai­mundo em Faro


Não há fé­rias para os pro­blemas

«Os pro­blemas das pes­soas não foram de fé­rias, con­ti­nuam aí todos», pelo que o papel do PCP, mesmo num pe­ríodo de des­canso, «é exac­ta­mente esse: de­nun­ciar os pro­blemas, avançar com pro­postas, pro­curar res­ponder aos pro­blemas das pes­soas», ob­servou Paulo Rai­mundo, no dia 12, du­rante uma vi­sita às Festas Po­pu­lares da Amora, no con­celho do Seixal.

O Se­cre­tário-Geral do PCP alertou para o facto de es­tarmos «con­fron­tados com duas re­a­li­dades». Por um lado, «a re­a­li­dade do faz-de-conta, dos nú­meros que são todos es­pec­ta­cu­lares, da eco­nomia a crescer, da in­flação a baixar». Por outro lado, «a re­a­li­dade da vida, as con­di­ções de vida cada vez mais di­fí­ceis e um con­traste brutal com os lu­cros, que con­ti­nuam a subir de forma ex­tra­or­di­nária».