Os efeitos da seca nos sectores agrícola e pecuário foram tema de debate no Parlamento, com o PCP a apresentar um conjunto de medidas imediatas de apoio e mitigação de prejuízos. A recomendação ao Governo nesse sentido foi chumbada pelo PS.
Lusa
Adoptar os procedimentos que garantam a ajuda de crise no âmbito da Política Agrícola Comum, por forma a que os agricultores acedam a tais apoios extraordinários com a maior celeridade, era uma das medidas preconizadas no diploma, que contou com a abstenção de PSD, IL e PAN e os votos favoráveis das restantes bancadas e do deputado único do Livre.
Proposto pelo PCP no seu projecto de resolução era também o incremento de um programa de medidas de gestão de água para fins agrícolas, bem como a criação de um apoio extraordinário para aquisição de alimentação animal, a par, entre outras medidas, do desenvolvimento de um Plano Nacional de Forragens.
Como salientou o deputado comunista João Dias neste debate agendado pela sua bancada, tais medidas vão ao encontro das dificuldades sérias sentidas no sector agrícola devido às condições de seca, assegurando a «protecção das produções e a continuidade das explorações».
Lamentavelmente, apesar de se dizer «muito preocupado» com a situação de seca, e de reconhecer a existência de «muitos problemas que afectam com gravidade o sector agrícola e os agricultores», o PS, pela voz do deputado Norberto Patinha, alegou que o Governo tem «actuado de forma adequada e oportuna» e que já estão no terreno medidas para «mitigar os prejuízos resultantes do período de seca», a que se juntará um «pacote de medidas excepcionais» que estará «em preparação».
Anúncios de milhões e mais milhões que não convenceram João Dias, que observou que «bem pode o Governo falar em ajudas de crise» que a realidade desmente-o. Dado foi o exemplo do ano passado, em que se assistiu aos mesmos anúncios e o resultado foi a chegada de alguns apoios só no final do ano, ficando milhares de pequenos e médios agricultores sem receber nenhum.
«Este ano vamos pelo mesmo caminho, os anúncios de milhões atrás de anúncios já estão feitos, apoios nem vê-los e [o Governo] já está a transformar os apoios de combate à inflação em apoios de combate à seca», verberou o parlamentar comunista, que deixou ainda palavras de solidariedade para com as populações e com os agricultores de Murça, Foz Côa e da Meda, para os quais exigiu do Governo rápidas medidas de apoio que minimizem os elevados prejuízos que sofreram devido à intempérie que atingiu a região.