O PCP voltou a alertar para o desfasamento entre a realidade concreta da vida das pessoas e o discurso do Governo, sublinhando que enquanto este «acena com resultados económicos» o País continua e empobrecer.
«O Governo não vê que quando se regozija com o défice, a dívida, o crescimento económico e se auto-elogia, fica a faltar explicar porque é que então a vida está mais difícil a cada dia para a generalidade dos trabalhadores?», questionou a deputada comunista Alma Rivera em recente declaração política em nome da sua bancada no decurso da qual teceu duras críticas ao Governo do PS por este prosseguir uma política que não responde aos problemas do País.
Uma política que, nas opções de fundo, conta com o apoio e cumplicidade de PSD, Chega e Iniciativa Liberal, acusou, assinalando que a demonstrá-lo está o sistemático alinhamento na inviabilização de propostas do PCP com soluções para os problemas.
Assim aconteceu, exemplificou Alma Rivera, com as medidas de protecção para a habitação e que punham «os lucros da banca a suportar o aumento das taxas de juro». Ou com as propostas de «controlo dos preços de bens alimentares essenciais», com as quais os comunistas pretendiam combater os preços especulativos e o agravamento do custo de vida. Ou, ainda, com as propostas destinadas a resolver o problema do acesso à Saúde, assim como em defesa da Escola Pública e da dignificação dos professores, sem esquecer as dirigidas à melhoria dos serviços públicos.
Concentração da riqueza
Também a proposta de aumento intercalar de 9,1% das pensões, num mínimo de 60 euros, foi chumbada no Parlamento, lembrou a parlamentar do PCP, inconformada - falando já dos salários -, com o facto de haver «três milhões de trabalhadores que recebem menos de mil euros por mês» e de o Governo encher o peito com os anunciados resultados económicos mas isso não impedir os «trabalhadores de empobrecer».
«Nem aumento do Salário Mínimo Nacional para 850 euros (uma vez mais graças aos votos de PS, PSD, IL e abstenção do CH), nem aumento geral dos salários, nem estímulo à contratação colectiva, nem valorização dos salários da Administração Pública», lamentou a parlamentar do PCP, antes de sintetizar o que considera ser o traço forte que caracteriza a situação do País: «a riqueza cada vez mais concentrada, a traduzir-se em lucros obscenos, à custa de trabalhadores explorados, mal pagos, exaustos».
E se esta é, em síntese, a política de direita, a «economia que o Governo, PS, PSD, IL e CH defendem»,a «economia da exploração que vai de vento em popa», como constatou Alma Rivera, não é menos verdade que não falta «esperança e confiança» e, acima de tudo, «uma política alternativa, vinculada aos valores de Abril». E por isso, sublinhou, «a necessidade de mudança e de uma vida melhor falará sempre mais alto».