O Grupo Parlamentar do PCP promoveu segunda-feira, 15, uma audição pública na Assembleia da República com trabalhadores dos centros de contacto e das telecomunicações integrada na Acção Nacional do PCP «Mais força aos trabalhadores!».
Contando com a participação da presidente do Grupo Parlamentar do PCP, Paula Santos, de João Frazão, da Comissão Política, e de Ana Sofia Correia, do Executivo da DORL, a audição procurou aprofundar não apenas o conhecimento sobre as especificidades da situação laboral no sector, mas também, como afirmou a líder parlamentar comunista na abertura dos trabalhos, «como intervir [no plano legislativo] para proteger os trabalhadores e melhorar as condições de trabalho, as remunerações e a estabilidade do emprego». A precariedade, realidade que atinge este sector mas que é transversal a tantos outros, foi também abordada, com Paula Santos a denunciar o sistemático recurso das grandes empresas ao outsourcing e como isso fragiliza direitos dos trabalhadores.
Muitos dos participantes na audição denunciaram os baixos salários, os elevados ritmos de trabalho, as péssimas condições de trabalho, a ausência do pagamento de despesas com o teletrabalho, a exploração, os ataques à organização sindical, a ausência de apoio psicológico, o proliferar de doenças profissionais no plano auditivo, da visão ou de carácter ósseo.
A situação dos trabalhadores contrasta com os lucros brutais dos grandes grupos económicos que acumulam cada vez mais riqueza, e que actuam de forma concertada, afirmou, por sua vez, João Frazão, dando como exemplo a este propósito o caso dos preços das telecomunicações em que «as operadoras das telecomunicações subiram praticamente todas no mesmo dia os preços dos valores da factura das telecomunicações sem que tenham reflectido minimamente sobre a possibilidade de o fazerem também em relação aos salários».
O estímulo à organização dos trabalhadores e à luta foi deixado também pelo dirigente da Comissão Política do PCP na conclusão da audição.