Morreu Joaquim Pessoa
Joaquim Pessoa, poeta, letrista, artista plástico e publicitário, falecido segunda-feira aos 75 anos de idade, deixa um importante legado artístico que o coloca como uma relevante personalidade da cultura portuguesa do nosso tempo.
A sua obra literária foi galardoada em 1981 com o Prémio da Associação Portuguesa de Escritores e da Secretaria de Estado da Cultura e ainda com o Prémio de Literatura António Nobre e com o Prémio Cidade de Almada, contando com mais de 30 livros de originais publicados, desde 1975 a 2019, para além de figurar em inúmeras antologias de poesia portuguesa.
Nascido no Barreiro em 1948, criado na Moita, concelho que instituiu em seu nome um prémio bianual de poesia, Joaquim Pessoa foi um famoso letrista de canções populares, desde 1970. Nessa qualidade trabalhou com compositores e cantores como Carlos do Carmo, Carlos Mendes, Fernando Tordo, Jorge Palma, José Mário Branco, Kátia Guerreiro, Lúcia Moniz, Manuel Freire, Nuno Nazareth Fernandes, Paco Bandeira, Paulo de Carvalho, Rui Veloso, Samuel, Tonicha, Tozé Brito ou Vitorino, entre outros.
No mundo das canções a sua popularidade atingiu um ponto alto quando escreveu as letras para dois álbuns de Carlos Mendes: Amor Combate (1976) e Canções de Ex-Cravo e Malviver (1977), de onde se destacaram, por exemplo, as canções Álcacer Que Vier e Amélia dos Olhos Doces.
Os dois trabalhos foram editados por uma cooperativa de artistas chamada «Toma Lá Disco», fundada em 1975 por Mendes e Pessoa conjuntamente com Fernando Tordo, Paulo de Carvalho, José Carlos Ary dos Santos, Luís Villas-Boas, entre outros artistas que se engajaram no espírito transformador saído do 25 de Abril de 1974 e que procuravam editar canções de intervenção, de cariz progressista, de apoio às aspirações sociais das classes trabalhadoras.
Joaquim Pessoa foi director criativo e director-geral de várias agências de publicidade e autor ou co-autor de diversos programas de televisão, como 1000 Imagens, Rua Sésamo e 45 Anos de Publicidade em Portugal, entre outros.
Joaquim Pessoa foi também director da Sociedade Portuguesa de Autores, entre 1988 e 1994, diretor literário da Litexa Editora, director do jornal Poetas & Trovadores, colaborador das revistas Sílex e Vértice e do jornal A Bola. Editou, ainda, discos onde diz poesia de sua autoria.