Aumentar a produção nacional valorizando quem trabalha
A valorização dos trabalhadores e o incremento da produção nacional são condições que devem andar a par e passo no cumprimento do objectivo estratégico de assegurar o desenvolvimento e a soberania do País. Isso mesmo evidenciou Paulo Raimundo nas visitas que realizou às Minas da Panasqueira e à Autoeuropa, respectivamente nos dias 28 e 23.
A campanha Mais Força aos Trabalhadores continua a bom ritmo. Anteontem, 28, Paulo Raimundo contactou com quem trabalha na Beralt Tin and Wolfram, uma das empresas que prospecta algumas das explorações mineiras na Panasqueira, no distrito de Castelo Branco. Ao longo do dia e das várias iniciativas que o preencheram, embora muitos o procurem fazer esquecer, duas ideias ficaram claras: são os trabalhadores que produzem a riqueza e são também eles quem menos dela beneficia.
Na Panasqueira, tal como no resto do País – assim tem provado esta mais recente campanha, que tem envolvido o Partido e levado o Secretário-geral a visitar várias empresas e diversas regiões do território nacional –, os trabalhadores sabem o que podem esperar do PCP: todo o apoio a quem luta por uma vida melhor e a defesa intransigente dos direitos dos que, com orgulho e esforço, retiram da terra o sustento da sua vida. Por outras palavras, como salientou Paulo Raimundo várias vezes ao longo do dia, o PCP não tem duas caras e a que mostrou ali é a mesma que mostra em todos os outros espaços.
Presença assídua
O dia começou cedo para a delegação comunista, integrada também por Vladimiro Vale, da Comissão Política, Luís Silva e José Teles, do Comité Central, Pedro Manquinho, da Direcção da Organização Regional de Castelo Branco, e vários outros dirigentes locais do Partido. Mas mais cedo ainda tinha começado a jornada para os muitos trabalhadores que operavam as lavarias visitadas pelo Secretário-geral. Nas oficinas, no subsolo e nas demais áreas do processo de transformação do minério bruto, muitos outros laboravam já intensamente e fora de vista.
Antes, logo à porta da empresa, um sinal que mostrava a quantidade de dias desde o último acidente de trabalho ocorrido naquelas instalações (apenas sete dias) relembrava a dureza da actividade a que os mineiros da Panasqueira se dedicam há já várias gerações. A prospecção do minério, embora tenha sofrido salientáveis melhorias com a maquinização, a modernização de alguns métodos de extracção e a luta dos mineiros, continua a destacar-se pelas difíceis condições a que os trabalhadores estão diariamente sujeitos. Mas na superfície o cenário não é muito melhor, com a ausência de fumos, gases e poeiras a ser substituída pelo frio e o barulho intensos.
Para lá das visitas e da reunião com a administração da empresa, foi a conversa, o anotar de problemas, a apresentação de soluções e as demonstrações de apoio e solidariedade com quem está no terreno, todos os dias, a trabalhar, que marcou a agenda do dia. A seguir ao almoço, munidos de bandeiras e maços generosos de panfletos, os comunistas foram ao contacto. Para os muitos que abandonavam o turno ou pegavam agora ao trabalho, não foi surpresa ver os militantes distribuídos pelas várias entradas que davam acesso às instalações. A presença assídua do PCP na empresa foi até provada pelos muitos trabalhadores que saudavam algumas das caras que já conheciam.
Lutas, vitórias e compromissos
Mais tarde, depois de algumas declarações prestadas à imprensa, onde Paulo Raimundo salientou a existência de condições para desenvolver o País e para valorizar os salários dos trabalhadores, seguiu-se uma breve reunião com o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM).
As propostas que constam no caderno reivindicativo dos mineiros são significativas e mais do que justas: a actualização salarial, das anuidades e dos subsídios de turno e alimentação; a reposição de 25 dias de férias e do valor do pagamento de horas extras; o cumprimento de todas as normas de segurança, higiene e saúde no trabalho; um seguro de saúde para os trabalhadores e suas famílias; um subsídio de risco e a extensão do apoio para combustível a todos os trabalhadores.
Extensa é também a lista de problemas que estes enfrentam: não há água potável para quem está no subsolo nem espaço ou condições para realizar refeições; o subsídio de fundo de mina ainda não se aplica a todos os trabalhadores que entram na mina; há frio, insalubridade e mesmo falta de abrigo quando chove na superfície. Já o salário fica muito aquém nas necessidades – e das exigências. Na memória de todos aqueles trabalhadores, como exemplo de que a luta vale a pena, estava a conquista, em 2019, da antecipação da idade da reforma para os mineiros, para a qual o PCP deu uma relevante contribuição.
O Partido, através do Secretário-geral, não deu o contacto por terminado sem antes desejar força e êxito ao plenário de trabalhadores que se realizaria no dia seguinte e à luta que, seguramente, se lhe seguirá (duas horas de greve ao início de cada turno durante duas semanas) e que endurecerá caso a administração continue a recusar respostas satisfatórias. Deixou ainda o compromisso de brevemente lá voltar.
Colocar os recursos geológicos ao serviço do desenvolvimento
Na preenchida agenda houve ainda espaço para uma reunião com a administração da Beralt Tin and Wolfram. De novo, a produção, o trabalho, os desafios do futuro e as perspectivas da prospecção mineira no seu contexto ecológico foram temas centrais da discussão. No entanto, foi o tema da soberania nacional a assumir particular destaque ao longo da conversa.
Ao contrário do que muitas vezes se afirma, Portugal não é um país pobre em recursos naturais, desde logo dos que se encontram no subsolo. Pelo contrário, possui reservas significativas e diversificadas de minerais valiosos e, em alguns casos, até mesmo estratégicos.
Para além das águas minerais e de nascente, de uma grande diversidade de rochas industriais e ornamentais e dos recursos geotérmicos (capazes, todos, de sustentar múltiplas fileiras industriais e suportar o desenvolvimento de vastas regiões do País, nomeadamente no Interior), Portugal possui recursos geológicos na parte emersa do território e, também, nas suas águas territoriais e Zona Económica Exclusiva.
Ao volfrâmio, extraído desde há 120 anos das minas da Panasqueira, soma-se metais básicos como o ferro, o cobre, o zinco, o estanho, o chumbo, o alumínio, o tungsténio; metais nobres como o ouro e a prata; e ainda minérios de elementos raros como o lítio, o cobalto, o antimónio, o vanádio, o arsénio, o rubídio, o tântalo e o índio. Foram encontrados também minerais contendo alguns elementos do grupo das chamadas «terras raras», de elevado valor estratégico – e comercial – dada a sua utilização em produtos tecnológicos nas áreas da electrónica e da óptica.
No mar existirão significativas reservas de sulfuretos e metais básicos, nobres e raros. Há fortes perspectivas da existência de grandes reservas de gás natural no Sotavento Algarvio e até mesmo de petróleo.
Pôr fim à dependência
O problema não está, pois, na falta de recursos. É que apesar de possuir imensas riquezas no seu subsolo, Portugal raramente as aproveitou em benefício do seu desenvolvimento e do bem-estar do seu povo. No que concerne à exploração e transformação dos seus recursos geológicos, aliás, são notórias as características de subdesenvolvimento e a elevada dependência dos interesses das grandes potências imperialistas.
No essencial, e à excepção de um curto período após a Revolução de Abril, em que o Estado teve algum protagonismo no sector, a exploração dos recursos mineiros esteve sempre na mão do capital estrangeiro. A isto acresce o facto de esses recursos não serem transformados no País: são exportados tal e qual são extraídos ou sob a forma de concentrados, transferindo-se para o estrangeiro as transformações de muito maior valor acrescentado. Portugal chega a importar produtos intermédios ou acabados que incorporam os elementos que exportou.
O País não possui metalurgias, ao contrário do que acontece em quase todos os países europeus, mesmo os que não têm tantos recursos. Ainda por cima, os impostos e royalties pagos pelas multinacionais presentes são, no mínimo, ridículos.
Entre as propostas do PCP para o sector, contam-se a reversão da actual situação de domínio do capital privado, particularmente do capital estrangeiro, iniciando processos que visem a curto prazo o reassumir posições dominantes e determinantes na pesquisa, exploração e primeiras transformações em território nacional de minérios, sejam eles básicos, nobres ou elementos raros. É ainda fundamental a reanimação, reorientação e fortalecimento da EDM – Empresa de Desenvolvimento Mineiro.
«Mais força aos trabalhadores» da Autoeuropa
Em mais uma acção da campanha intitulada Mais força aos trabalhadores, o Secretário-geral do PCP contactou, no dia 23 de Fevereiro, com os trabalhadores da Autoeuropa, em Palmela, uma das unidades de produção que a Volkswagen tem em 14 países. Entre a saída do turno da manhã e a entrada do seguinte, Paulo Raimundo, acompanhado por dirigentes nacionais, regionais e locais do Partido, bem como por trabalhadores daquela fábrica de automóveis, distribuiu o documento «São os trabalhadores. És tu… que produzes toda a riqueza. É preciso distribuí-la com justiça!», onde se afirma , por exemplo, a necessidade de aumentar «todos» os salários, que «têm perdido poder de compra ao longo dos últimos anos e não chegam para as necessidades de cada um». Isso mesmo foi confirmado por muitos que cumprimentaram o Secretário-geral comunista.
Aos jornalistas, Paulo Raimundo destacou o «exemplo de resistência» dos mais de cinco mil trabalhadores que, recentemente, encetaram um «processo de luta», com greves e plenários, que permitiram alcançar melhores [ainda que insuficientes] resultados de aumentos salariais. Se assim não fosse, a administração daquela empresa teria ficado apenas pelo pagamento do prémio único de 400 euros.
Entretanto, como foi relatado, outros problemas persistem, como os ritmos excessivos nas linhas de montagem, o que leva ao aumento dos acidentes de trabalho e de doenças profissionais.