PAZ, DIREITOS E ALTERNATIVA

«tomar a iniciativa, desenvolver a luta»

Prossegue a escalada de guerra na Ucrânia, expressão da política de crescente confrontação promovida pelos EUA, a NATO e a UE com a Federação Russa, e em que se inserem as conclusões da recente reunião do Conselho Europeu, mas também a visita do Presidente dos EUA à Ucrânia e à Polónia.

Apresentada como sendo uma guerra entre a Rússia e a Ucrânia, esta guerra é, de facto, expressão da estratégia belicista dos EUA e da NATO visando a Rússia, em que o povo ucraniano é utilizado e sacrificado em função dessa mesma estratégia.

No mesmo sentido, é cada vez mais evidente que são os povos que estão a pagar os custos da instigação da guerra, da deriva militarista e das sanções levadas a cabo pelos EUA, a NATO e a UE, patentes no aumento do preço da energia, dos alimentos e de outros bens de primeira necessidade, no ataque aos direitos e condições de vida, no agravamento da pobreza e das desigualdades, na degradação da situação económica e social.

É cada vez mais evidente que quem ganha com a guerra e quer o seu prolongamento são as grandes empresas de armamento, de energia, de alimentação, da distribuição ou a banca, que acumulam lucros colossais.

Ora, é neste contexto que deve valorizar-se o significado e importância das iniciativas «Parar a guerra! Dar uma oportunidade à paz!» promovidas nas últimas duas semanas, em Lisboa, Porto, Viseu, Coimbra, Évora, Corroios e Setúbal, com relevante participação.

Cada dia que passa, reforça a razão do posicionamento do PCP de que é preciso que os EUA, a NATO e a UE cessem de instigar e alimentar a guerra na Ucrânia e que se abram vias de negociação com os demais intervenientes, nomeadamente a Federação Russa, visando alcançar uma solução política para o conflito, a resposta aos problemas de segurança colectiva e de desarmamento na Europa, cumprindo os princípios da Carta da ONU e da Acta Final da Conferência de Helsínquia. E de que é preciso que o Governo português se empenhe nessa solução, em vez de contribuir para o agravamento do conflito, do militarismo e da guerra.

 

Entretanto, no plano nacional, a pretexto da guerra e das sanções, agrava-se o custo de vida, aumentam os preços dos bens e serviços essenciais, desvalorizam-se salários e pensões, enquanto o Governo de maioria absoluta do PS mantém as suas opções pela política de direita – com o apoio dos projectos reaccionários e retrógrados do PSD, CDS, Chega e IL nas questões essenciais – como ficou visível nas medidas para a habitação apresentadas pelo Governo na passada quinta-feira, que não garantem esse direito às famílias ao não enfrentar a especulação financeira e imobiliária. E ficou igualmente visível na rejeição por estes partidos, no todo ou em parte, das propostas do PCP para fixar preços e taxar os lucros dos grupos económicos, revogar as normas gravosas da legislação laboral, defender a habitação própria face ao aumento dos encargos com o crédito à habitação, aumentar salários, reformas e pensões.

 

É neste contexto que se mostra incontornável a necessidade de manter uma política alternativa patriótica e de esquerda que eleve o poder de compra dos trabalhadores e do povo, aumente os salários e pensões, defenda e promova a produção nacional, assegure o controlo dos preços dos bens essenciais e a tributação extraordinária dos lucros dos grupos económicos e o reforço dos serviços públicos.

Foi em defesa dos direitos dos trabalhadores e pela concretização dessa política alternativa que o Secretário-geral do PCP desenvolveu contactos com os trabalhadores do mármore, no concelho de Vila Viçosa e com trabalhadores do INATEL, em Albufeira. Em ambos os casos, Paulo Raimundo defendeu a imperativa necessidade do aumento dos salários e destacou a importância para a economia nacional da defesa destas duas indústrias – a indústria do mármore e a indústria do turismo –, que requerem investimento para aumentar a capacidade produtiva e a valorização dos trabalhadores.

 

Trata-se de uma alternativa cuja concretização requer o desenvolvimento da luta de massas, o reforço do PCP e o alargamento da unidade e convergência com democratas e patriotas.

É por isso que, após o êxito que constituiu a jornada de luta do passado dia 9 de Fevereiro – Dia Nacional de Indignação, Protesto e Luta – se prepara agora a mobilização para a manifestação nacional de 18 de Março, em Lisboa, nova expressão de luta convergente convocada pela CGTP-IN.

Importante, no quadro da luta pelos direitos da mulher na lei e na vida, vai ser também a manifestação nacional de mulheres convocada pelo MDM para os dias 4 de Março no Porto e 11 de Março em Lisboa.

E vão ser igualmente as inúmeras lutas que se travam em torno da acção reivindicativa, nas empresas, locais de trabalho e sectores, bem como a luta das populações em defesa dos serviços públicos e dos seus direitos.

 

Tal como, sublinhando a grande importância que assume o reforço do Partido – com prioridade à responsabilização de quadros e à campanha nacional de recrutamento – na construção do caminho para a alternativa, o PCP reafirma o seu compromisso de sempre com os trabalhadores e o povo.