«Os Verdes» reuniram, no sábado, o seu Conselho Nacional para analisar a situação eco-política do País, e assinalaram os 40 anos do partido, numa sessão com intervenções políticas, inauguração de exposições e um momento musical.
Na sede de Lisboa foram inauguradas mostras sobre «A iniciativa e lutas ecologistas» e outra relativa à «Campanha SOS Natureza». As intervenções estiveram a cargo de Manuela Cunha, dirigente nacional do Partido Ecologista «Os Verdes» (PEV), e de Filipe Lavrador, membro do Ecolojovem.
«A perda de representação parlamentar, que nos acompanha quase há 40 anos, cria obviamente obstáculos ao nosso desempenho, à nossa intervenção. Mas esses obstáculos não são intransponíveis, como aliás temos vindo a demonstrar», afirmou Manuela Cunha, que dirigiu a maior parte das suas palavras aos jovens e àqueles que chegaram mais recentemente ao PEV, tendo lembrado que, durante este percurso,«Os Verdes» não agiram «em função, nem na dependência, das cadeirinhas ou cadeirões do poder! Não fomos atrás de modas fáceis (poluidor pagador/taxas e taxinhas ou proibitismos sem alternativas), ou de protagonismos pessoais. Fomos sempre um partido independente dos interesses económicos e dos lobbys.»
«Este projecto foi-se construindo à volta de bens-maiores: a protecção da natureza; a melhoria do ambiente em geral; a defesa da qualidade de vida e da dignidade dos cidadãos; a preservação e valorização do nosso património; a defesa da paz e dos valores de Abril, liberdade, democracia e desenvolvimento, que queremos sustentável», acrescentou a dirigente.
Destruição do ICNF
No comunicado do Conselho Nacional, o PEV manifesta a sua profunda preocupação em relação à transferência de competências do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) para as comissões de coordenação e desenvolvimento regional (CCDR), que o Governo PS quer impor. Segundo esclarecem os ecologistas, «as CCDR passam a ter as competências de gestão das áreas protegidas, recuperação de espécies ou planos de ordenamento, entre outras matérias essenciais para a conservação da natureza», deixando o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) «limitado a competências que podem designar de meramente administrativas».
«Esta machadada é mais uma peça que reflecte o efectivo desinvestimento e a pouca importância que o Governo PS dá a questões tão relevantes como a biodiversidade e a conservação da natureza», acusam os ecologistas.
Saudação do PCP
O PCP dirigiu uma mensagem ao PEV de felicitação pelo seu 40.º aniversário,onde se transmite «saudações amigas e fraternas dos comunistas portugueses». «São 40 anos de determinada, intensa e ímpar luta e acção ecologista em defesa da vida, da paz, da natureza e do ambiente, da democracia e do progresso social, em prol de uma sociedade ecologicamente equilibrada, desenvolvida junto das populações e nas instituições, mobilizando milhares de activistas ao longo das últimas quatro décadas», reforça o Partido.
Na nota, os comunistas destacam a «acção» do PEV que se «afirmou e afirma imprescindível na luta pela preservação e conservação da natureza e dos recursos naturais, pela salvaguarda dos ecossistemas e da biodiversidade, pelos direitos sociais e a igualdade, pelo desenvolvimento ambientalmente sustentável e a qualidade de vida das populações, em defesa do património e identidade culturais».
Reafirmam ainda a sua vontade «em prosseguir e reforçar o caminho conjuntamente percorrido pelo PCP e o PEV, incluindo na Coligação Democrática Unitária, na luta por um Portugal que corresponda ao anseio do povo português a uma vida melhor».