O Parlamento Europeu (PE) discutiu e votou uma resolução de balanço sobre «o legado do Ano Europeu da Juventude», que tinha sido anunciado pela Comissão Europeia (CE) em Setembro de 2021 para ser assinalado durante o ano de 2022.
Tal como tinha acontecido em 2021, com o Ano Europeu do Transporte Ferroviário, a propaganda superou em muito a obra feita! A resolução do PE critica a CE pelo «curto período de tempo para a adoção do regulamento, que atrasou a execução e o financiamento de muitos projectos». Até parece que, se não fosse isso, este ano teria dado algum contributo efectivo para a resolução dos problemas da juventude! Problemas que, significativamente, estiveram em grande medida ausentes do debate – assim como as respectivas soluções. Para vários intervenientes no debate de diferentes grupos políticos, a antecipação do voto nas eleições para o PE para os 16 anos é, imagine-se, a grande e decisiva questão.
O que está a escapar a esta propaganda e aos objectivos que lhe são inerentes é que a esmagadora maioria dos jovens dos Estados-Membros da União Europeia (UE) lida diariamente com obstáculos ao acesso aos serviços públicos, designadamente de educação, e especificamente ao ensino superior, seja através das propinas, seja através dos preços absurdos do alojamento, porque não existem números suficientes de quartos em residências universitárias; esbarram com a exploração, a precariedade e baixos salários, com ritmos de trabalho alucinantes e condições de trabalho degradantes; deparam-se com um aumento brutal do custo de vida e com cada vez mais dificuldades no acesso à habitação mas também à cultura, ao desporto, ao lazer.
E é esta mesma juventude, que é ignorada nas políticas da UE, que tem a força transformadora de lutar pelos seus sonhos. O compromisso dos deputados do PCP no PE é com esta juventude que precisa de uma outra Europa, onde os jovens possam afirmar o direito a ter direitos, o direito a uma vida melhor; onde a Escola Pública, Gratuita e de Qualidade, seja uma realidade para todos; onde a precariedade se erradique e dê lugar ao emprego com direitos; onde o acesso à cultura, ao desporto, a uma habitação digna, ao lazer, à saúde e à educação sexual, à igualdade de oportunidades não passem de um rol de intenções; onde viver no campo ou na cidade possa ser uma escolha consciente e não um constrangimento; onde as preocupações com as alterações climáticas não sejam instrumentalizadas para fazer novos negócios, sem soluções efectivas.
A Europa de que os jovens precisam pode não encaixar na UE, mas é por ela que não desistiremos de lutar, na construção de um futuro de paz, cooperação, direitos, prosperidade e felicidade. Pelos jovens e com os jovens.