1952 – Nasce Ana Cristina Cesar

«Seja mar­ginal/​seja herói» é a co­nhe­cida frase do pintor e es­cultor Hélio Oi­ti­cica que de­fine, se­gundo os es­pe­ci­a­listas, o pe­ríodo cul­tural co­nhe­cido como Mo­vi­mento Mar­ginal, que marcou a vida cul­tural no Brasil nos anos 70 e 80. A Ge­ração Mar­ginal, também co­nhe­cida como Ge­ração Mi­meó­grafo porque muitos po­etas re­cor­riam ao mi­meó­grafo (fo­to­co­pi­a­dora) para re­pro­du­zirem os seus textos e li­vros, teve em Ana Cris­tina Cesar uma das suas prin­ci­pais re­pre­sen­tantes. O pro­cesso al­ter­na­tivo de pro­dução e dis­tri­buição de obras, em subs­ti­tuição de edi­toras e li­vra­rias, flo­resce num con­tur­bado pe­ríodo da vida po­lí­tica bra­si­leira, su­jeita à cen­sura im­posta pela di­ta­dura mi­litar. Ape­li­dada de Mar­ginal por não obe­decer aos câ­nones li­te­rá­rios da cul­tura ofi­cial e se co­locar à margem da crí­tica li­te­rária, esta cor­rente conta com im­por­tantes nomes das artes que abrem novos ca­mi­nhos à li­te­ra­tura bra­si­leira. Ana Cesar, a quem se re­co­nhece um sen­tido es­té­tico ímpar, dis­tingue-se ainda pelo ca­rácter con­fes­si­onal da sua po­esia, pelo tom co­lo­quial, pela li­gação ao quo­ti­diano. For­mada em Le­tras, mestre em Co­mu­ni­cação e em Te­oria e Prá­tica de Tra­dução Li­te­rária, Ana foi também jor­na­lista, tra­du­tora e crí­tica li­te­rária. Sui­cidou-se a 29 de Ou­tubro de 1983, aos 31 anos.