1906 – Nasce Mario Quintana
«O milagre não é dar vida ao corpo extinto, / Ou luz ao cego, ou eloquência ao mudo... / Nem mudar água pura em vinho tinto... / Milagre é acreditarem nisso tudo!» – eis um belo testemunho da poesia de Mario (sem acento, que assim foi registado) Quintana, poeta, tradutor e jornalista brasileiro, o «poeta das coisas simples». Nascido em Alegrete, no Rio Grande do Sul, publica os primeiros versos na revista literária dos alunos do Colégio Militar de Porto Alegre, que frequenta até aos 18 anos. Começa a trabalhar como tradutor em 1929, no jornal O Estado do Rio Grande. Traduz autores como Voltaire, Virginia Woolf e Marcel Proust, incluindo a monumental obra deste último «Em Busca do Tempo Perdido». Em 1940, Mario Quintana publica o primeiro livro de sonetos: «A Rua dos Cataventos». Seguem-se outras obras, mas o reconhecimento de Quintana, hoje considerado como um dos maiores poetas do séc. XX, vem mais tarde. Três vezes rejeitado pela Academia Brasileira de Letras, virá a declinar o convite que finalmente lhe fazem. Mestre da síntese poética, recebe em 1980 o Prémio Machado de Assis da ABL e em 1981 o Prémio Jabuti. Morre em 1994, mas o seu humor resiste ao tempo: «Todos esses que aí estão /Atravancando o meu caminho,/ Eles passarão... / Eu passarinho!».