1842 – Tratado de Nanquim

Considerado na historiografia chinesa como o primeiro dos chamados «tratados desiguais», ou seja, impostos após uma guerra e atentatórios da soberania, o Tratado de Nanquim entre a China (dinastia Quing) e a Grã-Bretanha pôs fim à Primeira Guerra do Ópio. Desencadeada para impedir a interrupção do comércio de ópio da Índia Britânica para a China, a guerra teve como detonador a decisão do governador de Cantão, em 1839, de apreender e mandar queimar 20 000 caixas de droga, o que foi classificado como uma violação da propriedade britânica. A cidade foi bombardeada e o imperador forçado a capitular. O Tratado continha doze artigos, todos favoráveis ao vencedor, incluindo o pagamento de 21 milhões de dólares de prata à Grã-Bretanha como indemnização pelas caixas de ópio destruídas e reparação das despesas militares da Inglaterra, bem como a concessão de Hong Kong à Grã-Bretanha como «propriedade perpétua». O humilhante Tratado abriu caminho a cerca de outros vinte envolvendo EUA, França, Rússia, Japão e Grã-Bretanha, em que a China foi forçada a abrir portos para o comércio e a ceder territórios como a Manchúria para a Rússia, Taiwan para o Japão ou a Baía de Jiaozhou para a Alemanha. À excepção de Taiwan, todas as situações acabaram por ser revertidas a favor da China.