Utentes e trabalhadores contestam mais encerramentos de agências da CGD
A Caixa Geral de Depósitos (CGD) prepara-se para encerrar, amanhã, sexta-feira, mais 23 agências em Portugal continental. Nos últimos dias, muitas centenas de pessoas manifestaram-se contra o fecho dos serviços públicos bancários.
Nos últimos 10 anos encerraram cerca de 300 agências da CGD
Na segunda-feira, 22, cerca de uma centena de pessoas participaram numa acção de protesto contra o fecho da agência no bairro do Rego, na Freguesia de Avenidas Novas, onde foi entregue um abaixo-assinado, subscrito por 562 pessoas, dirigido ao presidente da Comissão Executiva da CGD, Paulo Macedo. No documento recorda-se ao antigo ministro da Saúde que aquele bairro é «habitado por uma população residente de alguns milhares de pessoas, muitas delas de avançada idade». Também os comerciantes vêem a sua vida «claramente dificultada», alerta-se. Por isso, uma das palavras de ordem mais gritadas foi «Não encerrem o balcão».
Presente esteve João Ferreira, vereador do PCP na CML, que saudou todos aqueles que participaram no protestopara exigir «a reversão desta decisão errada». Deu ainda a conhecer que no dia 12 de Agosto os eleitos comunistas questionaram o presidente da autarquia, Carlos Moedas, para saber «que diligências já foram feitas junto do Governo para evitar o encerramento de nove balcõesfundamentais para a população».
Por seu lado, Jorge Canadelo, da Comissão de Trabalhadores (CT) da CGD, salientou que o encerramento de agências é «prejudicial» para as populações, mas também para a Caixa. «Este é um banco com 100 por cento de capital público, com responsabilidades sociais e na política nacional, ao nível da economia», reforçou.
Completo repúdio
Iniciativa semelhante aconteceu sexta-feira, 19, na freguesia de Alcântara, contra o encerramento da agência da rua Luís de Camões, depois de em 2018 ter ocorrido o mesmo na «vizinha» freguesia de Ajuda. Nesta acção – com a presença de Inês Zuber, do Comité Central do PCP – foi aprovada uma resolução (dirigida à administração da CGD, ao Governo e à CML) onde se transmite o «completo repúdio» dos utentes de Alcântara e da Ajuda por aquela sentença, exigindo-se, também ali,«a reversão do encerramento deste e de outros balcões da CGD, em defesa das populações e do direito ao uso-fruto do que deveria ser um serviço público e de proximidade».
Para amanhã, 26, está marcada uma concentração, às 11h00, junto à agência na rua Olivença, Mina de Água, Amadora.
Decisão sem explicação ou justificação
A Comissão Concelhia de Almada do PCP promoveu, no dia 19 de Agosto, uma concentração contra o encerramento da agência da CGD na Praça do MFA, em Almada, que contou com a presença de Paula Santos, presidente do grupo parlamentar comunista, de Margarida Luna de Carvalho, eleita da CDU na Assembleia de Freguesia de Almada, Cova da Piedade, Cacilhas e Pragas, e de Jorge Conadelo, da CT da CGD.
Neste concelho e nos últimos 10 anos foram já encerradas as agências da Sobreda, Feijó, Cacilhas, Praça São João Baptista, Estação Ferroviária do Pragal, Monte da Caparica, Faculdade de Ciências e Tecnologia, rua da Liberdade e Almada Fórum.
Também a Comissão Concelhia do Seixal do PCP se manifestou contra o encerramento da agências de Corroios, uma freguesia com mais de 50 mil habitantes.
Reverter os encerramentos
Na região do Porto, a administração da CGD prevê encerrar as agências de Gueifães (Maia), Amial, São João e Lordelo do Ouro (cidade do Porto). Segundo a Direcção da Organização Regional do Porto (DORP) do PCP, a confirmar-se esta intenção, «só na cidade do Porto, representa uma diminuição de 37 para 18 agências em dez anos». Entretanto, esta semana já decorreram acções de protesto em Gueifães, Lordelo do Ouro e Amial, promovidas pelo PCP. Hoje, às 12h00, tem lugar uma concentração junto à agência de São João.
Os comunistas contestaram também o fecho das agências de Lobão, Santa Maria da Feira, e de Gafanha da Nazaré, Ilhavo.
Na passada semana, em nota do seu Gabinete de Imprensa, o PCP informou que irá chamar o ministro das Finanças à Assembleia da Republica para questionar as orientações do Governo para a CGD.