Jornalista palestiniana assassinada pelas tropas ocupantes israelitas

Os pa­les­ti­ni­anos pres­taram ho­me­nagem, na Cis­jor­dânia e na faixa de Gaza, à jor­na­lista Shi­reen Abu Akleh, as­sas­si­nada a tiro pelas forças is­ra­e­litas, no dia 11, quando re­por­tava mais uma in­cursão das tropas ocu­pantes na ci­dade de Jenin.

Morte de Shi­reen Abu Akleh foi «crime pre­me­di­tado e pla­neado»

Lusa

Em­pu­nhando ban­deiras na­ci­o­nais e dos di­versos par­tidos pa­les­ti­ni­anos, mul­ti­dões en­cheram as ruas dos ter­ri­tó­rios ocu­pados para se des­pedir de Shi­reen Abu Akleh, jor­na­lista, de 51 anos, re­pórter da te­le­visão Al-Ja­zeera, do Catar. Foi as­sas­si­nada com um tiro na ca­beça, apesar de estar iden­ti­fi­cada como re­pórter. Um «crime pre­me­di­tado e pla­neado», acusou a agência pa­les­ti­niana Wafa.

Em Je­ru­salém Ori­ental, na sexta-feira, 13, po­lí­cias is­ra­e­litas ata­caram o cor­tejo fú­nebre que acom­pa­nhava o caixão de Shi­reen para uma igreja cristã. O Cres­cente Ver­melho in­formou que de­zenas de pes­soas fi­caram fe­ridas em re­sul­tado da vi­o­lência po­li­cial.

A morte da jor­na­lista emo­ci­onou as po­pu­la­ções dos ter­ri­tó­rios ocu­pados e o crime do exér­cito is­ra­e­lita pro­vocou uma onda de con­de­na­ções em todo o mundo.

Co­mu­nistas con­denam

O Par­tido Co­mu­nista de Is­rael, a Frente De­mo­crá­tica para a Paz e a Igual­dade (Ha­dash) e o Par­tido Co­mu­nista Pa­les­ti­niano con­de­naram o as­sas­si­nato de Shi­reen Abu Akleh.

Para os co­mu­nistas is­ra­e­litas e o Ha­dash, a morte da jor­na­lista é um «sinal de ver­gonha» para o go­verno de Te­la­vive e recai sobre «todos os seus com­po­nentes» a in­teira res­pon­sa­bi­li­dade do «crime odioso» per­pe­trado pelos ocu­pantes.

O Par­tido Co­mu­nista Pa­les­ti­niano de­nun­ciou o as­sas­si­nato da jor­na­lista – «um crime odioso» – co­me­tido por «sol­dados fas­cistas si­o­nistas da ocu­pação». Apelou às ins­ti­tui­ções dos di­reitos hu­manos e a todos os jor­na­listas do mundo que con­denem o crime «cujo ob­jec­tivo é ocultar ao mundo a ver­dade dos ata­ques contra os pa­les­ti­ni­anos».

PCP no PE ques­tiona

João Pi­menta Lopes, de­pu­tado do PCP no Par­la­mento Eu­ropeu, ques­ti­onou a Co­missão Eu­ro­peia sobre o as­sas­si­nato de Shi­reen Abu Akleh e a si­tu­ação na Pa­les­tina.

A questão pre­cisa que a «re­co­nhe­cida jor­na­lista pa­les­ti­niana», cor­res­pon­dente da Al-Ja­zeera, foi as­sas­si­nada com um tiro na ca­beça por forças is­ra­e­litas, em Jenin, no Norte da Cis­jor­dânia ocu­pada. Des­taca que o chefe do canal Al-Ja­zeera afirmou que se tratou de um «as­sas­si­nato pre­me­di­tado por parte do exér­cito de ocu­pação». Re­fere que, se­gundo a agência Wafa, em 2021, foram re­gis­tadas 384 si­tu­a­ções de abuso por parte das forças is­ra­e­litas contra jor­na­listas que tra­ba­lhavam nos ter­ri­tó­rios ocu­pados da Pa­les­tina. E con­si­dera que per­siste «uma si­tu­ação pre­o­cu­pante, no con­texto da es­ca­lada de agressão de Is­rael contra o povo pa­les­ti­niano», res­pon­sável por cerca de 50 mortes, cen­tenas de fe­ridos e de­ten­ções de pa­les­ti­ni­anos por forças is­ra­e­litas, apenas du­rante 2022.

João Pi­menta Lopes per­gunta que po­sição tomou a Co­missão Eu­ro­peia face a estes as­sas­si­natos, no­me­a­da­mente o de Shi­reen Abu Akleh, e face à es­ca­lada de agressão de Is­rael contra o povo pa­les­ti­niano. E mais: que me­didas está a tomar a União Eu­ro­peia no quadro das re­la­ções com Is­rael e do res­pe­tivo acordo de as­so­ci­ação (tendo em conta a res­pe­tiva cláu­sula de sus­pensão), na sequência «destes acon­te­ci­mentos que con­firmam uma grave e rei­te­rada vi­o­lação de di­reitos hu­manos por parte de Is­rael».

So­li­da­ri­e­dade em Lisboa

Na se­gunda-feira ao final da tarde, cen­tenas de pes­soas con­cen­traram-se na Praça do Rossio, em Lisboa, para ma­ni­festar o seu re­púdio por mais este crime das forças de ocu­pação si­o­nistas e o seu apoio à luta do povo pa­les­ti­niano pelo seu Es­tado so­be­rano, in­de­pen­dente e viável. Na acção con­vo­cada pela co­mu­ni­dade pa­les­ti­niana em Por­tugal, in­ter­vi­eram vá­rias or­ga­ni­za­ções so­ciais e po­lí­ticas, entre as quais o PCP, que ali es­teve re­pre­sen­tado pelo de­pu­tado e membro do Co­mité Cen­tral Bruno Dias.

O di­ri­gente co­mu­nista lem­brou a longa e in­tensa acção do PCP em de­fesa dos di­reitos do povo pa­les­ti­niano, desde logo na As­sem­bleia da Re­pú­blica, e re­a­firmou que é a mo­bi­li­zação e a par­ti­ci­pação de cada um nas ac­ções de so­li­da­ri­e­dade que efec­ti­va­mente fazem a di­fe­rença. Não deixou de re­alçar que na Pa­les­tina não se ve­ri­fica qual­quer «con­flito» ou «con­fronto» – é ocu­pação, ga­rantiu.




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