A LUTA É O CAMINHO
«Paz, democracia e progresso social»
A situação económica e social que estamos a viver vai tornando cada vez mais evidentes os efeitos desastrosos de décadas de política de direita responsáveis pelos atrasos e défices estruturais que afectam o País. Situação que a especulação promovida pelos grupos monopolistas, a pretexto da guerra e das sanções,agrava ainda mais.
Entretanto, neste quadro, que requer respostas imediatas e globais, as opções do Governo – como se constata na sua proposta de OE para 2022 – são ditadas pela subordinação aos interesses do grande capital e da União Europeia e não pela necessidade de dar resposta a estes problemas, que, desta forma, tenderão a agravar-se.
De facto, não se pode aceitar que o governo, em vez de apostar na resposta aos problemas do País, tenha como sua prioridade principal obter um défice de 1,9%, continuando a recusar as soluções defendidas pelo PCP.
Também nas opções da política externa se confirma o alinhamento do governo com os interesses e ambições geoestratégicas e militaristas do imperialismo norte-americano e das principais potências europeias.
A propósito do anunciado alargamento da NATO à Finlândia e à Suécia, o PCP reitera «as suas posições relativas à situação na Europa e ao conflito na Ucrânia, o PCP condena a escalada de guerra e militarismo em curso, contrária aos interesses dos trabalhadores e dos povos, e alerta para os sérios perigos que uma tal escalada comporta, nomeadamente para outros patamares de confrontação mais globais.»
«O anunciado novo alargamento da NATO é acompanhado por brutais aumentos nas despesas militares dos seus países membro. O dinheiro que alegadamente nunca existe para aumentar salários, reforçar os sistemas públicos de saúde, segurança social e ensino, ou outros investimentos sociais, é milagrosamente encontrado para financiar despesas belicistas. O aumento de gastos na máquina de guerra das potências da NATO, além de representar uma escalada nos perigos de guerra, servirá ainda de pretexto para novos ataques contra as condições de vida dos trabalhadores e dos povos.»
O PCP apela ao reforço da luta pela paz, contra a escalada de guerra, a corrida aos armamentos, o aumento das despesas militares, contra o autoritarismo e a promoção de forças fascistas e fascizantes, pelo fim dos blocos político-militares, pelo desarmamento geral, simultâneo e controlado.
Impõe-se, pois, combater esta política e os seus efeitos, que infernizam a vida do povo português, lutar pela paz e pelos direitos, combater o aumento do custo de vida, reivindicar o aumento geral dos salários e pensões, lutar por uma política alternativa patriótica e de esquerda que valorize o trabalho e os trabalhadores, reponha o aparelho produtivo, defenda a produção nacional, crie emprego com direitos, invista nos serviços públicos, defenda a Constituição da República e o regime democrático.
Isso exige, antes de mais, dar força à luta que é preciso ampliar.
O PCP valoriza as diversas lutas que têm vindo a ser travadas e apela à mobilização dos trabalhadores pelo aprofundamento da acção reivindicativa e a intervenção nas empresas, locais de trabalho e sectores. Neste sentido, apela à participação na manifestação nacional dos trabalhadores da Administração Pública convocada pela Frente Comum dos Sindicatos, amanhã em Lisboa.
Mas apela igualmente à participação na acção de luta nacional promovida pela CGTP-IN pelo aumento dos salários e pensões, contra o aumento do custo de vida e o ataque aos direitos e pela defesa dos serviços públicos, com início a 27 de Maio, com a concentração na AR, com acções e lutas em todos os sectores, por todo o País, durante o mês de Junho, culminando com uma Acção Nacional em Lisboa.
A situação que vivemos exige também a acção do PCP no plano institucional, de que são expressão as mais de três centenas de propostas apresentadas no âmbito da discussão do OE para 2022, em defesa dos direitos dos trabalhadores, do povo e dos interesses do País.
Exige também a iniciativa do Partido, de que foi expressão, no domingo passado, o Encontro Nacional da Cultura «Democratização, liberdade cultural. Por um serviço público de cultura». De que foi igualmente expressão, anteontem, a Mesa Redonda «Energia e recursos na transição energética. Soberania, segurança, ambiente e desenvolvimento», com a participação do Secretário-geral do PCP.
Exige um Partido reforçado, ligado às massas, pronto para o combate ideológico e o esclarecimento, num tempo em que proliferam abundantes mistificações e muitas falsidades, e o grande capital e os seus centros ideológicos prosseguem uma intensa campanha antidemocrática de pendor anticomunista.
Será pelo desenvolvimento da luta dos trabalhadores e das populações, com um PCP mais forte, contribuindo para o alargamento da unidade e a convergência de democratas e patriotas, que o Partido prosseguirá a sua intervenção por uma política alternativa que dê resposta global aos problemas nacionais, garanta a paz, promova o desenvolvimento e assegure o progresso social.