Séc. XVIII – Panteão de Paris
A inscrição Aux grands hommes la patrie reconnaissante(Aos grandes homens a pátria reconhecida) ornamenta a frontaria do monumento parisiense que nasceu como igreja e acabou dedicado pela Revolução (1789) aos seus heróis. Na sua origem está o voto, em 1744, do rei Luís XV, então gravemente doente, de reconstruir a igreja Sainte-Geneviève, se se curasse. A promessa começa a ser cumprida onze anos depois, pelo arquitecto Jacques Soufflot. A igreja passa a ser designada de Panteão – palavra grega que designa o conjunto dos deuses – quando a Assembleia Nacional decide, em 1791, convertê-la em necrópole dos ilustres e ali enterrar Mirabeau, um dos dirigentes da Revolução, que será banido dois anos depois quando se descobre que esteve a soldo de Luís XVI. Seguem-se nomes como Marat, Voltaire, Rousseau, mas a igreja volta a ser devolvida ao culto e, em 1821, é encerrada a cripta. Com Luís Filipe I, o «rei burguês», há nova reviravolta: o monumento recupera as funções de Panteão e ganha a sua célebre inscrição, da autoria de David d’Angers. As voltas da História mudam as funções do monumento por mais duas vezes, até que o triunfo da República sela definitivamente o seu destino, consagrando-o como Panteão nacional nos funerais de Victor Hugo.