1875 – Inauguração da Ópera de Paris
Luís XIV abriu as portas da corte francesa à ópera com a criação da Academia Real de Música, em 1671, e difundiu depois o bel canto por todo o território com a fundação da Academia de Ópera, em 1669, mas foi um desconhecido de origens modestas, o arquitecto Charles Garnier, quem, duzentos anos mais tarde, concebeu a obra-prima que é a Ópera de Paris. A decisão de dotar a capital com um monumento dedicado à arte foi do imperador Napoleão III, e para o efeito foi organizado, pela primeira vez, um concurso de arquitectura. O projecto de Garnier, então com 35 anos, reuniu o consenso do júri, rendido ao que o autor descreveu como um “monumento à arte, ao luxo, ao prazer”, num estilo inédito, barroco e fantástico, qual retrato da classe dirigente do Segundo Império. Uma sumptuosa escada de mármore branco italiano conduz aos diferentes andares e à sala de espectáculos, cuja disposão foi concebida para que o público veja e seja visto. A decoração, luxuriante, com pinturas – como o famoso tecto redecorado por Chagall –, estátuas, colunas, dourados, mármores coloridos, não deixa ninguém indiferente, tal como o grande vestíbulo, inspirado na Galeria dos Espelhos de Versalhes. As obras demoraram 15 anos, vindo a inauguração a ter lugar já sob a III República.