1982 – Nasce o parque Fiumara d'Arte

O meu legado para a Sicília é educar para a beleza”, disse Antonio Presti, criador do parque de esculturas Fiumara d’Arte, em entrevista ao La Repubblica, em Outubro último. A morte súbita do pai obrigou-o a regressar a Tusa, na siciliana província de Messina, interrompendo os estudos de engenharia para tomar conta da fábrica de cimento da família. Apaixonado pela arte, contrata o escultor Pietro Consagra para dedicar um monumento à memória do seu progenitor. A inauguração da escultura, ‘A matéria poderia não existir’, coincide com o anúncio de um museu ao ar livre. As autoridade locais assistem ao evento e apoiam a ideia, mas logo interesses obscuros interfirem no projecto. Os processos judiciais por apropriação indevida de terrenos públicos e construção ilegal, bem como atentados da máfia, prolongam-se por 25 anos, mas Presti não desiste. As obras de autores de renome internacional sucedem-se. “Herege da beleza”, defende a heresia: “Significa não fazer parte dessa globalização dos sentimentos do ser humano que tem mais a ver com robótica do que com o verdadeiro conhecimento”. Em 2006, o projecto é consagrado como património da Sicília. O parque aí está, a mostrar que “diante da devastadora política global de ignorância, a única coisa que temos que fazer é educar”.