Tempestade

Jorge Cadima

Os EUA e seus vassalos criam a ameaça real duma catástrofe

Inebriados pela vitória de há 30 anos, a superpotência imperialista e seus vassalos da NATO, UE e Israel, lançaram-se numa orgia de guerras, ferozes ofensivas contra trabalhadores e povos e acumulação de obscenas riquezas. Foi uma espécie de outing do capitalismo, que despiu a roupa «social» e «democrática» que a luta dos povos e as revoluções socialistas e de libertação nacional lhe haviam imposto e assumiu a sua verdadeira natureza. Jugoslávia, Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria, Venezuela, Bolívia, Ucrânia e tantos outros países simbolizam o mundo em que a «nação excepcional» esmaga quem não se submete.

Mas a roda da História não pára. A resistência dos povos agredidos fez diminuir o apetite dos EUA pelas ocupações militares directas. A crise de 2008, os apoios gigantescos ao grande capital a par da austeridade para os povos, a pandemia e as medidas tomadas (ou não) para a enfrentar, também revelaram a verdadeira natureza do capitalismo. Trump e Biden espelham a decadência dos EUA e o seu cada vez mais empobrecido povo revolta-se de forma crescente, embora ainda confusa, contra as gritantes desigualdades.

Entretidas a destruir países e acumular fortunas pilhando tudo em seu redor, as grandes potências imperialistas tardaram em ganhar consciência de que se operavam profundas alterações da correlação de forças mundial. A China, dirigida por um Partido Comunista que proclama o socialismo como objectivo, tornou-se um gigante económico. O seu crescimento já não assenta nos investimentos estrangeiros à procura de baixos salários, mas cada vez mais nas suas forças próprias, na melhoria das condições de vida do seu povo e numa posição de destaque em sectores tecnológicos de ponta. Simultaneamente, a Rússia – assumidamente capitalista – não aceita o papel de escravo, nem a destruição da sua existência nacional, que a actual ordem imperialista lhe quer reservar. Assim se explica a histeria agressiva e belicista anti-russa e anti-chinesa dos EUA/NATO/UE, que é hoje o maior perigo para a Humanidade e que sucessivos governos do PS, PSD e CDS acompanham servilmente. O avanço imparável da máquina de guerra imperialista para junto das fronteiras russas e chinesas é acompanhado pela destruição do que restava dos tratados de desarmamento e por provocações cada vez mais perigosas.

Os EUA e seus vassalos criam a ameaça real duma catástrofe. A rápida sucessão de acontecimentos dos últimos dias e as posições cada vez mais firmes de Rússia e China, que não aceitam a escalada de agressão de que são vítimas e exigem o respeito pela Carta da ONU que o imperialismo quer rasgar, são sinais de que algo de profundo está a mudar.

Os perigos duma confrontação aberta são grandes. Aos trabalhadores e povos cabe o papel decisivo de impedir que o imperialismo arraste a Humanidade para o abismo e de impor, com a sua luta, uma profunda mudança no mundo.




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