PS dá o dito por não dito e trava diploma de combate à precariedade
O Parlamento chumbou, dia 26, o projecto de lei do PCP que visava dar combate à precariedade laboral. Depois de o ter aprovado antes na generalidade, o PS fez marcha atrás e juntou os seus votos aos de PSD, CDS, IL e Chega para chumbar o diploma.
O PS voltou a falhar aos trabalhadores
Esse tinha sido já dias antes o resultado das votações na especialidade na Comissão de Trabalho e Segurança Social, situação que levou a bancada comunista a avocar o seu texto para votação em plenário, onde acabou por ter igual desfecho. As restantes bancadas e as duas deputadas não inscritas votaram favoravelmente a iniciativa legislativa com a qual o PCP pretendia introduzir limitações à utilização dos contratos a prazo, reduzindo as situações em que é possível o recurso à contratação a termo, estabelecendo o número máximo de renovações destes contratos, e revogando os contratos especiais de muito curta duração.
Prevista era ainda a revogação do aumento do período experimental para 180 dias no caso de trabalhadores à procura do primeiro emprego e desempregados de longa duração.
Tratava-se, em síntese, de medidas dirigidas ao combate à precariedade, tanto mais necessárias e urgentes quanto é sabido, como salientou o líder parlamentar comunista antes da votação, que os «trabalhadores precisam de solução para os seus problemas, precisam de solução para que os seus contratos de trabalho sejam reconhecidos; para não terem de viver sujeitos aos contratos a prazo ou temporários; para não serem sujeitos à chantagem e incerteza do período experimental de 180 dias ou dos contratos de muito curta duração; para que as empresas não possam despedir e contratar a seu bel-prazer».
PS faz marcha atrás
Foi, pois, a esse conjunto de problemas que o PCP veio dar resposta, com a consciência plena de que todas e cada uma das soluções por si propostas constituem elementos integrantes de uma política de esquerda. Mais, «fazem parte do núcleo essencial de qualquer política que queira classificar-se como de esquerda», sublinhou João Oliveira, antecipando argumentos que dão força à dura crítica que dirigiu ao PS pelo flic flac por este dado neste processo legislativo.
«Depois de aprovar em Junho na generalidade o Projecto de lei do PCP, depois de destacar a importância das soluções apresentadas, depois de encher discursos reivindicando-se um partido das políticas de esquerda, o PS dá o dito por não dito, junta-se a PSD, CDS, IL e Chega e chumba integralmente as soluções de combate à precariedade laboral», condenou o presidente da bancada comunista, antes de observar que «não é no discurso que se faz a prova de esquerda das opções políticas, é nas soluções concretas que se concretizam que essa prova é feita».
E virando-se para os deputados do PS, lembrou-lhes que «não é ao PCP que o PS falha», mas sim «aos trabalhadores e às soluções de uma política de esquerda que sirva os trabalhadores e os seus direitos».
A terminar, João Oliveira fez ainda questão de deixar uma mensagem simples e directa às centenas de milhares de trabalhadores que naquele dia «voltaram a ver o PS falhar-lhes»: «a nossa luta continua!».