A Nicarágua recebeu demonstrações de apoio internacional após anunciar a sua retirada da Organização de Estados Americanos (OEA), pelas políticas de ingerência praticadas por essa entidade.
O ministro nicaraguense dos Negócios Estrangeiros, Denis Moncada, comunicou, no dia 19, a saída definitiva do seu país da OEA devido ao seu longo historial intervencionista. Numa carta enviada a Luis Almagro, secretário-geral do organismo, Manágua reiterou as denúncias de intromissão da OEA nos assuntos internos do país centro-americano e a sua postura de subserviência aos interesses dos Estados Unidos da América, actuando como um instrumento de Washington e da sua política de hegemonia e intervencionismo na América Latina e nas Caraíbas.
O presidente de Cuba, Miguel Diaz-Canel, qualificou de «valente» a decisão da Nicarágua de abandonar a OEA – o «Ministério das Colónias yankee» – e reafirmou a solidariedade da ilha com a nação centro-americana. Também o ministro cubano dos Negócios Estrangeiros, Bruno Rodriguez, apoiou a determinação do governo de Manágua e denunciou a ingerência da OEA «em contubérnio com os EUA para tentar interferir nas decisões que cabem ao povo nicaraguense».
Também o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, saudou o início do processo de retirada definitiva da Nicarágua desse «fracassado instrumento do governo dos EUA para intervir nos assuntos internos» dos países latino-americanos e caribenhos.
De igual modo, o ex-presidente boliviano, Evo Morales, reiterou a importância da saída da Nicarágua da OEA, «um acto digno, uma posição soberana». O líder do Movimento ao Socialismo (MAS), da Bolívia, realçou que os povos que conquistaram a libertação do imperialismo e defendem a sua soberania, como os de Cuba, Venezuela e Nicarágua, resistem ao bloqueio económico dos EUA e ao bloqueio diplomático da OEA, «organizadores de golpes e intervenções militares» na América Latina e nas Caraíbas.