Produtores manifestam-se pelo preço justo do leite
Centenas de produtores de leite manifestaram-se, no dia 25 de Agosto, frente a várias superfícies comerciais contra o abuso e desvalorização do preço do leite pelos supermercados.
Governo não intervém em defesa do sector do leite
O protesto iniciou-se junto ao Lidl Logistica, no Ribeirão, Vila Nova de Famalicão, e seguiu em direcção à Trofa, pela Nacional 4, passando pelo Lidl, Mercadona, Minipreço, Intermaché, Continente e Pingo Doce, onde foram depositados caixões fúnebres, como alerta para a morte do sector.
Juntando agricultores de todo o País, a manifestação – feita a pé e de tractor – foi promovida pela Associação de Produtores de Leite de Portugal (Aprolep), com o objectivo de alertar para a necessidade de aumentar o preço do leite ao produtor.
«Desde o final do ano passado que a actividade de produção de leite se está a tornar insustentável. Estamos com margens negativas e não conseguimos produzir aos preços que nos estão a ser pagos», explicou Jorge Oliveira, presidente da Aprolep, citado pela Lusa.
No local, o dirigente lembrou que a média nacional paga aos agricultores por litro de leite ronda os 30 cêntimos, mas que, para as explorações serem sustentáveis, os produtores precisam de receber, pelo menos, entre 35 a 36 cêntimos, apelando a um aumento do preço à produção.
A piorar a situação dos produtores está o aumento dos custos de produção, nomeadamente os valores das rações dos animais, que desde o início deste ano subiram cerca de 30 por cento, lapidando as margens dos agricultores.
Sector em crise
Esta acção contou com a presença de Diana Ferreira, deputada do PCP na Assembleia da República (AR), e de Fernando Sá, primeiro candidato da CDU à Câmara Municipal da Trofa.
Como destaca o Partido, a produção leiteira atravessa uma crise de enorme gravidade resultante do processo de integração na União Europeia e da Política Agrícola Comum, a par do fim de um regime de regulação da produção, que pôs em causa a rentabilidade das explorações, impossível de alcançar com os baixos preços pagos à produção e com os custos de produção a aumentarem, sem que o Governo garanta uma intervenção em defesa deste sector.
Esta situação tem motivado a proposta e intervenção do PCP, tanto na AR como no Parlamento Europeu. Recentemente, numa pergunta dirigida ao presidente da AR, os deputados João Dias e Diana Ferreira lembram que as medidas anunciadas pelo Governo «não vêm resolver o problema do baixo preço do leite pago à produção, nem alivia a difícil situação que muitas das explorações atravessam, com particular destaque para os pequenos e médios produtores de leite».
Face ao actual quadro, os comunistas solicitaram esclarecimentos relativamente às «medidas de apoio extraordinário» que o Governo está a considerar implementar, concretamente as «relativas à necessária subida do valor do preço do leite pago à produção». Entre outras matérias, o PCP quer ainda saber de que forma o Executivo PS vai «impedir a especulação e o esmagamento do preço do leite, fiscalizar a sua actividade e garantir a prática de preços justos à produção por parte da grande distribuição».