O Códice de Leningrado é o texto completo mais antigo da Bíblia em hebraico preservado até hoje. Com o Códice de Aleppo, mais antigo mas sem data definida e incompleto, constitui uma das duas principais fontes para o estudo das Escrituras Hebraicas. Também designado por Códice do Cairo, local onde foi escrito em pergaminho, possivelmente em 1009, o manuscrito, remontando a uma tradição de quase dois mil anos, é um texto totalmente vocalizado que possibilita a pronúncia correcta de cada palavra. Contém ainda todas as marcas de acento ( te'amim) acima e abaixo das letras, o que serve três funções distintas: a cantilação da palavra (ritual de cantar leituras da Bíblia nas liturgias da sinagoga); mostrar a parte da palavra a acentuar ou acentuada; e servir como marcas para fraseado e pontuação. O Códice de Leningrado esteve na posse do escritor, arqueólogo e coleccionador de manuscritos hebraicos Abraham Firkovich, que o vendeu à então Biblioteca Imperial de São Petersburgo. Encontra-se agora na Biblioteca Nacional Russa em São Petersburgo (antiga Leningrado), que em 1876 adquiriu a Colecção Firkovich, a qual conta, entre outros tesouros, com obras da autoria do filósofo, linguista e um dos maiores poetas sefarditas, o espanhol Moses ibn Ezra.