6 de Abril de 2021 – Fim da cinecensura em Itália

Em mais de um sé­culo de vi­gência, a ci­ne­cen­sura, ins­ti­tuída em 1914,saldou-se pela proi­bição de exi­bição em Itália de 274 filmes ita­li­anos, 130 norte-ame­ri­canos e 321 pro­ce­dentes de ou­tros países, para além de cortes e mo­di­fi­ca­ções em mais de 10 mil ou­tros filmes a pre­texto de mo­ti­va­ções po­lí­ticas, re­li­gi­osas ou mo­rais. Um dos casos pa­ra­dig­má­ticos é o do filme «O úl­timo tango em Paris», de Ber­nardo Ber­to­lucci: o re­a­li­zador foi con­de­nado por «pan­se­xu­a­lismo agra­vado» e pri­vado dos seus di­reitos civis du­rante cinco anos; todas as có­pias do filme foram des­truídas, com ex­cepção de três con­ser­vadas na Ci­ne­ma­teca Na­ci­onal. Outro exemplo é o do filme «Totó e Ca­ro­lina», de Mario Mo­ni­celli, nome grande da co­média ita­liana, que es­teve blo­queado pela cen­sura du­rante dois anos, aca­bando por es­trear após so­frer oi­tenta cortes por «in­frac­ções contra as forças da ordem». Pra­ti­ca­mente todos os grandes re­a­li­za­dores ita­li­anos, acla­mados em todo o mundo, so­freram os efeitos da ci­ne­cen­sura, como acon­teceu com todas as pe­lí­culas de Pa­so­lini. «Com a abo­lição da cen­sura no ci­nema saímos de­fi­ni­ti­va­mente do sis­tema de con­trolo e in­ter­venção que per­mitiu ao Es­tado imis­cuir-se na li­ber­dade de cri­ação dos ar­tistas», disse na oca­sião o mi­nisto da Cul­tura, Dario Fran­ces­chini.