Em ano de Centenário há mais Partido junto dos trabalhadores
Responsabilizar 100 novos quadros por células e criar 100 novas células de empresa, local de trabalho e sector eram dois dos objectivos de reforço orgânico estabelecidos no âmbito das comemorações do Centenário do Partido. Terminado o prazo para a sua concretização, as metas propostas foram superadas.
Consciencializar, unir e mobilizar os trabalhadores
«A célula é a organização de base do Partido, é o seu alicerce e o elo fundamental da ligação do Partido com a classe operária, com os trabalhadores, com as massas populares, é o suporte partidário essencial para promover, orientar e desenvolver a luta e a acção de massas.»
- Estatutos do PCP, Art.º 46.º
Tratando-se de objectivos quantificáveis, é natural que comecemos pelos números: 102 células criadas e 119 militantes comunistas que passam a assumir a responsabilidade pelo acompanhamento das organizações partidárias em empresas, locais de trabalho e sector profissional ou de empresas. Umas e outros vêm reforçar aquela que era, já antes, uma importante organização do Partido junto dos trabalhadores.
Estas medidas, que se incluíam no amplo programa de reforço do Partido inserido nas comemorações do Centenário, seguiram-se a outra acção de grande fôlego, concluída precisamente há um ano, na qual se propunha o contacto com trabalhadores sobre o Partido, os seus objectivos, o seu projecto, a sua luta. Também aí o colectivo partidário superou o que lhe foi colocado, realizando 5074 contactos dos quais resultaram 1350 recrutamentos. Essa base foi essencial para a constituição, agora, de tantas novas células e da responsabilização de tantos quadros por esta importante tarefa.
As novas células criadas abrangem um vasto conjunto de sectores e empresas: da indústria transformadora ao comércio e logística; da vigilância aos centros de contacto; das autarquias às Instituições Particulares de Solidariedade Social; das universidades aos hospitais.
O momento particular em que este ambicioso objectivo foi concretizado – marcado pela epidemia, por sucessivos confinamentos e estados de emergência – torna ainda mais notável o feito do colectivo partidário comunista.
Um constante fazer e refazer
Se destas novas células algumas são ainda muito recentes e só agora iniciam a sua actividade, outras formaram-se há meses e são já uma realidade incontornável nas empresas e locais de trabalho em que intervêm, reunindo regularmente os seus membros, distribuindo tarefas entre si, editando e distribuindo boletins e comunicados, esclarecendo e mobilizando os trabalhadores para a importância decisiva da sua unidade, organização e luta.
Nas novas células, como em todas as outras, o labor é constante e nunca está concluído. A cada uma delas, e aos seus membros individualmente, está colocado o desafio permanente do seu reforço, a adequação do seu funcionamento e actividade à realidade concreta de cada local de trabalho, o recrutamento de novos membros, a promoção da sindicalização e o fortalecimento das organizações representativas dos trabalhadores.
Às organizações regionais e concelhias permanece o desafio para que transfiram para as células ou sectores os membros do Partido com menos de 55 anos que sejam trabalhadores no activo.
Nas empresas onde se tiver iniciado o processo de criação de célula e o mesmo não tenha sido concluído, importa levá-lo até ao fim: independentemente de prazos e acções concentradas, esta é – e terá de ser sempre – uma preocupação constante das organizações e militantes do Partido.
Questão estratégica
No livro A Célula de Empresa, editado pela primeira vez em 1947 e republicado com adaptações diversas em 2003, explica-se por que a célula de empresa é considerada a mais importante organização de base do Partido: desde logo por uma questão de natureza, ou não fosse o PCP, acima de tudo, o Partido da classe operária e de todos os trabalhadores.
Depois, pela consideração que é nas empresas que os trabalhadores passam mais tempo e onde estabelecem fortes laços com os seus colegas de trabalho, que desenvolvem acções em defesa dos seus interesses – por melhores salários e condições de trabalho, pela ampliação dos seus direitos. É também no local de trabalho que se ganha consciência da exploração, se compreende o papel e força da unidade e da organização, que melhor se adquire a noção da necessidade de criar uma nova sociedade, sem classes antagónicas nem exploração, o socialismo.
A célula de empresa tem como objectivos fundamentais consciencializar os trabalhadores, uni-los em torno dos seus interesses e anseios comuns, organizá-los para a luta contra a exploração de que são vítimas, pelas suas aspirações. Como nota o referido livro, a criação de uma célula do PCP é «um acontecimento muito importante na história dos trabalhadores dessa empresa. O que é preciso é que essa célula – e os seus membros – saiba cumprir a missão que tem».
É este o desafio que as novas células e os novos responsáveis têm diante de si. E quem melhor do que os comunistas para superar desafios?
Importa dar conteúdo ao trabalho de cada célula
Na Direcção da Organização Regional de Lisboa (DORL), a concretização desta acção começou com o levantamento de 65 empresas onde se considerou ser «necessário e possível, de imediato, procurar constituir uma célula do Partido até Março de 2021», recorda Luís Fernandes, do seu Secretariado e membro da Comissão Central de Controlo do Partido: «Avaliámos as empresas onde havia militantes mas onde ainda não se tinham constituído em célula, os camaradas com quem se poderia conversar para assumirem novas responsabilidades em células já existentes ou a constituir e as empresas ou locais de trabalho onde era preciso recrutar para constituir uma célula.»
O resultado foi animador, garante: 36 novos militantes assumiram responsabilidades por células e em 26 empresas foram constituídas novas organizações do Partido. Nos próximos tempos, importa ainda criar células nas empresas onde esse processo foi iniciado e não concluído, e apoiar e formar os novos responsáveis: em Janeiro foi já realizada uma primeira acção de formação e está outra marcada para Maio. «Agora é preciso dar conteúdo ao trabalho de cada célula formada», conclui.
Muito ainda por onde avançar
No Porto, são 20 as novas organizações partidárias criadas em empresas e sectores, contou ao Avante! Jaime Toga, da Comissão Política. Entre elas contam-se novas células em sectores como câmaras e empresas municipais ou turismo e três novos organismos concelhios que agregam trabalhadores de diferentes locais de trabalho, o que pode permitir melhores condições para a intervenção do Partido.
Na concretização destes objectivos foi fundamental o acompanhamento regular ao desenvolvimento desta tarefa pelos organismos de direcção regional do Partido, particularmente intensa nas últimas semanas, realça Jaime Toga. Várias destas novas organizações do Partido são hoje realidade graças aos recrutamentos resultantes da acção dos 5000 contactos. Dos oito novos responsáveis, vários entraram aí para o Partido.
Durante o mês de Abril, todas as células do Partido (as novas e as outras) irão reunir para preparar o 1.º de Maio e a manifestação nacional de 8 de Maio, no Porto, sendo prioritária a edição e distribuição de boletins e comunicados.
Segundo o membro da Comissão Política, nos próximos tempos poderão vir a ser constituídas mais seis células.
Alarga-se o núcleo activo do Partido
No distrito de Santarém foram criadas quatro células e duas organizações de sector profissional, uma na área dos transportes e outra num importante sector industrial do distrito. Só estas duas últimas reúnem quase meia centena de militantes. Até ao momento, estas organizações (na maioria, muito recentes) já editaram três documentos públicos, distribuídos aos trabalhadores das respectivas empresas e sectores.
Segundo Diogo d’Ávila, do Comité Central, foi possível criar estas organizações graças à conjugação de vários factores: desde logo, os efeitos da acção dos 5000 contactos, que revelou potencialidades de recrutamento e de intervenção partidária, mas igualmente pelo «estudo do ficheiro do Partido», onde se encontravam inseridos mas desorganizados muitos daqueles que hoje constituem aquelas organizações. Contribuiu ainda, acrescentou, o alargamento da discussão sobre esta tarefa às comissões concelhias e de freguesia, o que permitiu criar células onde ao início não se previa.
Fruto deste trabalho deverão ser criadas mais três organizações, uma das quais de um sector profissional onde o Partido conta com 40 militantes e que deverá começar a funcionar já no próximo sábado.