1054 – Cisma do Oriente
A excomunhão do patriarca Miguel Cerulário pelo papa Leão IX ditou o surgimento da Igreja Ortodoxa ou Igreja Católica do Oriente, com sede em Constantinopla (antiga Bizâncio e actual Istambul), e da Igreja Católica Apostólica Romana, sediada em Roma. O cisma da Igreja Católica começou no entanto a germinar muito antes. Com a divisão do Império romano por Deocleciano, em 286, e depois com a queda do Império Romano do Ocidente, em 476, na sequência das invasões bárbaras, o Império Bizantino afastou-se paulatinamente de Roma tanto a nível político e económico como religioso. A Igreja de Roma acusou os orientais de heresias, criticando os adeptos do movimento monofisista, iniciado no século V, por negarem a humanidade de Jesus Cristo e advogarem que tinha existência unicamente divina, bem como por questionarem a doutrina da Trindade. Entrou também em rota de colisão com os iconoclastas, movimento que rejeitava a adoração de imagens e instava à destruição dos ícones religiosos. Acresce que os ocidentais rejeitam a infalibilidade papal. As diferenças acentuaram-se ao longo dos séculos e, em 867, a Igreja de Constantinopla deixou de reconhecer a autoridade da Igreja de Roma. Apesar das tentativas de aproximação, as duas igrejas continuam separadas.