É indissolúvel a relação entre a Revolução de Abril e a Constituição da República, pela simples razão de que foi esta, dois anos depois, vencidas as forças retrógradas que se lhe opunham, que viria a acolher e a consagrar os valores de liberdade, democracia, justiça social, progresso, paz e soberania a que justamente chamamos valores de Abril.
E por serem esses os valores que enformam a Lei Fundamental, ela própria uma conquista de Abril – «Testemunho da História e fiel retrato da Revolução portuguesa», escreveu Álvaro Cunhal –, e que fazem dela um texto comprometido com a construção de um País mais livre, fraterno e solidário, é que sobre ela têm recaído os mais ferozes ataques.
Empobrecê-la e esvaziar-lhe o sentido emancipador e progressista foi também o fito das sete revisões constitucionais entretanto levadas a cabo. Porém, apesar das agressões e mutilações a que foi sujeita, a Constituição permanece um esteio dos direitos fundamentais dos trabalhadores, resiste, continua a transportar em si – e bem vivo – um projecto de democracia, em que estão presentes as vertentes política, económica, social e cultural, aliadas à defesa da soberania e independência nacionais.
A Constituição é, também, uma plataforma na qual se inscrevem princípios e opções de uma política de desenvolvimento económico e social ao serviço dos trabalhadores e do povo, capaz de resolver os problemas com que Portugal está confrontado. Em suma, uma política inspirada nos valores de Abril, como é a política patriótica e de esquerda que o PCP defende e propõe ao povo português.