Os eleitos da CDU na Câmara de Almada (CMA) solicitaram esclarecimentos sobre uma aplicação financeira de 20 milhões de euros, realizada pelo município no final de Dezembro de 2020. Pretendia-se saber a data da constituição da aplicação, o banco junto do qual foi contratado, o prazo de vigência e a taxa de juro.
Em resposta, a presidente da autarquia, Inês do Medeiros, do PS, informou que os 20 milhões de euros foram depositados no dia 18 de Dezembro, na Caixa Geral de Depósitos, por 90 dias, a uma taxa de juro de zero por cento.
«Em ano particularmente exigente face à pandemia de COVID-19», a CMA «não encontrou melhor destino» para os 20 milhões de euros «que não uma conta a prazo, por três meses, e sem remuneração!», refere a CDU, lembrando que aquele dinheiro tornou-se «totalmente improdutivo para o município», passando a estar «à disposição da especulação bancária».
Com esta decisão, a autarquia do PS pretendeu «maquilhar a execução orçamental em 2020, particularmente na despesa de investimento» que «ficou muito pouco acima da linha da calamidade», acusa a Coligação PCP-PEV, lamentando «a enorme incapacidade de concretização de investimento que marca todo o mandato iniciado em 2017».
«Mas há um outro caminho. Um caminho alternativo, capaz de voltar a colocar os recursos do município ao serviço dos reais interesses dos almadenses. Um caminho que que urge retomar na gestão municipal em Almada!», afirma a CDU.
Apoiar o MAP
Num outro momento, a Coligação PCP-PEV alertou para a «quebra quase total» de receitas do Movimento Associativo Popular (MAP) do concelho de Almada. Como denunciou a Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto: um terço das estruturas do MAP em todo o País poderão não conseguir reabrir portas e reerguer actividades, consequência da paralisação quase total imposta pela pandemia de COVID-19.
Em Junho de 2020, a CDU propôs que a CMA mobilizasse um montante mínimo de um milhão de euros, integralmente destinados a cobrir os custos correntes fixos do MAP, de modo a permitir a sua sobrevivência imediata, e o relançamento das actividades mais adiante, face à perda quase total de receitas. Por seu lado, a maioria no município aprovou uma «solução limitada e desajustada da realidade», impondo «um normativo muito distante das necessidades objectivas». Apenas foram aprovadas 23 candidaturas, envolvendo um valor global de perto de 26 mil euros para todo o MAP.