EQUADOR Não foram ainda anunciados os resultados das eleições presidenciais de 7 de Fevereiro, não estando definido quem irá disputar a segunda volta com Andrés Arauz. Foi decidida uma recontagem e há denúncias de que a direita, com o apoio dos EUA, esteja a tentar adiar ou anular as eleições.
Lusa
A União para a Esperança (UNES), cujo candidato presidencial obteve o maior número de votos na primeira volta das eleições no Equador, no dia 7, exige transparência na recontagem de votos parcial pretendida pelas forças «empatadas» em segundo e terceiro lugares.
A UNES enfatizou que o processo deve ser transparente e garantir a participação de todas as organizações políticas – não só das interessadas na recontagem – e com supervisão internacional.
O candidato da aliança progressista, Andrés Arauz, assegurou que a UNES participará no processo para «cuidar dos seus votos e ampliar a vantagem».
A porta-voz da UNES, Jhajaira Urresta, expressou que «no processo democrático não deve haver nenhuma dúvida», pelo que «apoiaremos sempre a transparência eleitoral para que isso confirme e ratifique que a vontade popular vai ser respeitada até às últimas consequências».
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do Equador ainda não explicou como vai proceder à recontagem de votos.
Os equatorianos votaram para eleger o presidente e o vice-presidente da República, os 137 deputados da Assembleia Nacional e cinco membros do Parlamento Andino. Nas presidenciais, Andrés Arauz (com Carlos Rabascall como candidato a vice-presidente), conquistou 32,71% dos votos, seguido do banqueiro Guillermo Lasso (19,74%) e do dirigente indígena Yaku Pérez (19,38%).
A curta diferença entre Lasso e Pérez motivou acusações de fraude, tendo esses dois candidatos, conluiados contra a UNES, negociado com o CNE uma recontagem de votos na totalidade das urnas de Guayas e em metade das urnas de outras 16 das 24 províncias, para se apurar quem vai disputar a segunda volta, contra o claro vencedor da primeira, Andrés Arauz. A segunda ronda está marcada para 11 de Abril.
A decisão do CNE foi aplaudida pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, Luis Almagro, homem de mão de Washington e que interveio no golpe de Estado de 2019 contra Evo Morales, na Bolívia.
Também os EUA, por intermédio de Julie Chung, subsecretária interina do Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental, do Departamento de Estado, apoiaram a decisão do CNE, por permitir uma «melhoria das garantias para os candidatos e a cidadania».
Ricardo Patiño, que foi ministro em governos do ex-presidente Rafael Correa, alertou para a possibilidade de a direita estar a tentar adiar ou anular as eleições no Equador, face à pesada derrota, na primeira volta, de Guillermo Lasso, o candidato da banca e do governo direitista de Quito.
Comunistas apelam
à unidade e à luta
O Partido Comunista do Equador saudou o triunfo, na primeira volta das presidenciais, de Andrés Arauz e Carlos Rabascal, e dos bons resultados eleitorais da União para a Esperança nas legislativas. Os comunistas – que integram a UNES, juntamente com a Revolução Cidadã, a Confederação de Povos e Organizações Camponesas e Indígenas do Equador e organizações de trabalhadores, artistas, intelectuais, jovens e mulheres – apelou à «mais ampla unidade das forças populares» para continuar a luta. Esta «grande unidade das forças democráticas, progressistas e revolucionárias», assegura o Partido Comunista do Equador, conta com o apoio do povo na segunda volta das eleições, «numa autêntica luta de classes», seja contra Lasso, seja contra Pérez, «que representam os mesmos interesses da oligarquia».