- Nº 2463 (2021/02/11)

Rússia exige ao Ocidente respeito pela sua soberania

Internacional

CAMPANHA A Rússia instou os EUA e outros países do Ocidente a respeitar o direito dos Estados soberanos a decidir os seus assuntos internos. Moscovo denuncia uma campanha anti-russa da NATO e da União Europeia.

Lusa


A Rússia respeita o direito dos países soberanos a resolver por si próprios as suas questões internas, de acordo com os princípios da Carta das Nações Unidas e outros instrumentos internacionais, declarou a porta-voz do Ministério russo dos Negócios Estrangeiros, Maria Zakharova.

Anteriormente, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguéi Lavrov, indicou que a histeria do Ocidente em relação ao caso Alexei Navallny e à situação na Rússia atingiu proporções enormes.

A 2 de Fevereiro, um tribunal de Moscovo decidiu da prisão efectiva de Alexei Navallny a três anos e meio, em função da aplicação de uma pena por acusações de fraude em grande escala no âmbito da sua actividade empresarial. Mas terá de cumprir apenas dois anos e meio, devido ao tempo que permaneceu em prisão domiciliária.

A porta-voz comentou que o objectivo das declarações dos países da NATO e da União Europeia é uma tentativa de afrontar a Rússia e interferir nos seus assuntos internos. «Esta é uma campanha de desinformação coordenada, o objectivo é uma tentativa global de suster o nosso país, de interferir nos nossos assuntos internos. Não há nada de novo aqui», resumiu.

Relações UE-Rússia

A Rússia manifestou surpresa pelas declarações do responsável da Política Externa da União Europeia (UE), Josep Borrel, após a sua recente visita àquele país.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo nota que as afirmações de Borrel, publicadas no seu blogue após o regresso a Bruxelas, diferem das anteriores, proferidas durante uma conferência de imprensa, no dia 5, em Moscovo, em conjunto com o ministro Serguéi Lavrov.

Borrel escreveu que os resultados da sua viagem à Rússia indicam que as autoridades russas não estão interessadas em melhorar as relações com a UE. E avançou que Bruxelas poderia impor mais sanções à Rússia.

Antes, em Moscovo, Borrel disse que a UE e a Rússia mantiveram um diálogo «aberto e honesto» sobre todos os temas das relações bilaterais, incluindo a luta contra a pandemia de COVID-19 e a mudança climática global. Comentou que também foram temas de análise as relações com o Irão, os desacordos sobre a Ucrânia, o apoio de Bruxelas a Navalny e a expulsão da Rússia de três diplomatas de países que integram a UE que participaram em manifestações de apoio a este.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa, Sergey Lavrov declarou, durante a conferência de imprensa conjunta realizada no final das negociações com Josep Borrell, Alto Representante da União Europeia e Vice-Presidente da Comissão Europeia, realizada em Moscovo, dia 5 de Fevereiro, que durante o encontro analisaram exaustivamente o estado das relações entre a Rússia e a União Europeia, considerando que, «obviamente, [estas] não estão no seu melhor, também devido às limitações, restrições unilaterais e ilegítimas que a União Europeia introduz sob pretextos fictícios»

Lavrov afirmou que «não escondemos as discrepâncias, tentamos discuti-las com franqueza, sem hipocrisia e, ao mesmo tempo, encorajar os contactos onde isso seja benéfico para ambas as partes. Estamos prontos para isso.»