Nove décadas a ser a voz do Partido e da luta pela democracia e socialismo
FUTURO A dias de completar 90 anos, ao longo dos quais superou os mais complexos desafios e obstáculos, o Avante! continua a ser o que é desde esse longínquo 15 de Fevereiro de 1931: o porta-voz dos direitos e aspirações dos trabalhadores e do povo português e da luta do seu Partido, o PCP, pela democracia e o socialismo.
O Avante! é parte da história do Partido praticamente desde o início
Pode ser por vezes difícil de compreender que, ao falarmos do Avante!, insistamos na ideia de que ele tem mais futuro que memória. Não o fazemos para desvalorizar o heróico papel desempenhado pelo órgão central do Partido na luta clandestina contra o fascismo, na Revolução de Abril ou na resistência à contra-revolução, nem tão pouco o contributo inestimável de todos quantos o construíram, escreveram, paginaram, distribuiram e leram – mesmo quando isso dava, por si só, direito à prisão e à tortura.
Todos quantos dedicaram e dedicam o melhor das suas energias e capacidades ao Avante! e à tarefa de o levar mais longe fazem parte da sua história e o seu património ímpares – e, por maioria de razão os seus heróis e mártires, de entre os quais sobressaem José Moreira, Maria Machado, José Dias Coelho, Joaquim Rafael. E todos, sem excepção, o fizeram a olhar para o futuro, para esse futuro de liberdade, direitos, justiça social, igualdade e paz por que nos batemos e que construímos na luta de todos os dias.
Na edificação desse futuro, democrático e socialista, o Avante! desempenhará o seu papel: informando, formando, esclarecendo, unindo, mobilizando.
Voz ímpar e insubstituível
Como é evidente, as profundas transformações – políticas, económicas, sociais, culturais, tecnológicas – ocorridas no País e no mundo nos últimos 90 anos levaram a que o Avante! se adaptasse e, também ele, mudasse: do estilo de textos ao formato, do grafismo ao tipo de imagens e ao peso por estas ocupado, pouco haverá em comum entre o primeiro número do Avante!, editado a 15 de Fevereiro de 1931, e este que o leitor tem hoje em mãos. Já os seus objectivos e a sua natureza mantêm-se inalterados.
Enfrentando quer a censura e a clandestinidade impostas pelo fascismo quer o domínio da generalidade da comunicação social pelo capital financeiro, o Avante! é desde o primeiro dia uma voz ímpar na imprensa portuguesa: noticia o que outros gostariam de ver silenciado, desmonta as narrativas construídas pelo grande capital e o imperialismo, aborda os diversos assuntos da actualidade nacional e internacional da perspectiva dos trabalhadores e dos povos – e não, como os restantes, do ponto de vista de quem os explora e oprime. E faz mais: em tempos marcados pela promoção do obscurantismo, o Avante! procura contribuir para a elevação do debate e do nível cultural dos seus leitores.
Sendo um jornal (com notícias, reportagens, entrevistas, artigos de opinião), o Avante! é mais do que isso – é um instrumento de luta do Partido do qual é orgulhosamente, e desde há nove décadas, órgão central. É nas suas páginas que surgem, como efectivamente são, as análises, posições e propostas do PCP e a actividade das suas organizações. E ele que expõe e explica o seu Programa de Uma Democracia Avançada – Os Valores de Abril no Futuro de Portugal e contribui para a sua concretização.
Levar mais longe
O Avante! desempenha ainda um papel relevante na dinamização e reforço das organizações do Partido. A sua distribuição assenta fundamentalmente na organização partidária, o que exige planificação, distribuição de tarefas e controlo de execução. A regularidade da sua publicação permite um contacto semanal entre o Partido e muitos militantes e simpatizantes. Já os fundos que gera, podem igualmente ser relevantes para o reforço da intervenção política das organizações.
Não menos importante é o modo como a leitura e estudo do Avante! – individuais ou colectivos – qualifica a militância comunista: militantes mais esclarecidos e preparados são mais capazes de desempenhar com êxito as múltiplas e exigentes tarefas que os comunistas têm pela frente.
Mas para que o Avante! desempenhe cabalmente o seu papel, ele terá de chegar mais longe – a mais militantes do Partido, desde logo, e a amplas massas de trabalhadores, jovens, mulheres, agricultores, micro, pequenos e médios empresários, criadores e trabalhadores da cultura. O que só acontecerá se o colectivo partidário for capaz de o fazer lá chegar! É este o desafio que está colocado. E é esta, também, a melhor forma de assinalar estes heróicos 90 anos, tão carregados de futuro!
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Conquistar mais leitores, dentro e fora do Partido
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Alargar o número de distribuidores do Avante!
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Assegurar a distribuição do Avante! em mais locais, criando novas ADE e garantindo redes de distribuição
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Promover vendas públicas e edições especiais
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Enviar sugestões e informações para a redacção
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Discutir regularmente o Avante! e a sua distribuição nas reuniões partidárias
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«A história do Avante! é a história de numerosos comunistas que, ao longo dos anos, entregaram toda a sua vida à causa da classe operária, de homens e mulheres que passaram dezenas de anos na clandestinidade, de muitos outros que, por imprimirem, distribuírem ou lerem o Avante! foram presos, torturados e condenados»
Álvaro Cunhal, 1974
«Quem pode imaginar quantas dificuldades é necessário vencer para montar, alimentar e manter uma tipografia nas condições de clandestinidade a que somos forçados? Quem pode imaginar quantos olhos e nervos têm sido gastos, em dias e noites seguidas, a juntar letras que nem sempre a escola ensinou a conhecer?»
Joaquim Gomes, 1965
«Participávamos numa coisa concreta, que se via. As ideias eram transformadas em palavras e estas em jornais e manifestos que eram levados às pessoas e que depois tinham uma realização prática nas lutas do nosso povo. E nós éramos actores disso.»
Mariana Rafael, 2006
«Se a liberdade de imprensa não fosse uma farsa, esta tipografia não precisava de ser clandestina. Se houvesse liberdade de ideias, não precisavamos de ocultar os nossos nomes de patriotas honrados. O Avante! defende os interesses do povo trabalhador de Portugal.»
Maria Machado, 1945
Leitura e difusão indispensáveis
A imprensa partidária – o Avante! e O Militante – assumem um papel insubstituível na acção do Partido.
Num quadro político e ideológico complexo acresce a importância da leitura e difusão da imprensa partidária, instrumento fundamental na informação sobre as posições, análises e orientações do Partido a nível nacional e internacional, na batalha das idéias, na elevação da consciência de classe e política, na formação e ajuda aos militantes, na ligação do Partido às massas e no alargamento da sua influência e prestígio, como meio de contacto entre o Partido e os seus militantes, amigos e outros democratas, na informação e valorização das lutas dos trabalhadores e dos povos.
O Avante!, órgão central do Partido, assume um papel fundamental na vida partidária. Um papel que exige o alargamento da sua difusão com a implementação de medidas para: aumentar o número dos seus compradores regulares, contactando os membros e simpatizantes do Partido para que o adquiram semanalmente; alargar e rejuvenescer o número de camaradas que assumem a tarefa de distribuição do Avante!, valorizando-a no quadro da assunção de responsabilidades permanentes; criar novas estruturas para a difusão editorial (ADE); organizar com carácter regular vendas públicas, nomeadamente nas empresas e locais de trabalho; promover edições e vendas especiais; prosseguir o esforço para o alargamento da sua presença e projecção na Internet.
Ao nível do conteúdo é necessário que se alargue o tratamento temático e se diversifiquem as formas de abordagem. Ao mesmo tempo o reforço da ligação com as organizações e o fornecimento de informações, notícias e sugestões é um contributo para diversificar conteúdos e o tratamento de questões da actualidade.
- da Resolução Política do XXI Congresso do PCP
Tarefa que se cumpre
com dedicação e carinho
Francisco Mendes tem 20 anos e é, desde Março, responsável pela distribuição do Avante! em Alhandra. Se até essa altura estava praticamente todas as quintas-feiras no Centro de Trabalho a vender o jornal, a epidemia levou-o a assumir novas responsabilidades e a desempenhar de outro modo esta função.
«Concluímos que teriam de ser aqueles que continuavam na rua a assumir a distribuição do Avante!. Fizemos contactos, passámos a entregar os jornais na casa dos camaradas e até aumentámos o número de exemplares distribuídos», conta.
Contudo, realça, «a nossa função não é só entregar o Avante!, mas perceber se há algum problema com os camaradas, se precisam de alguma coisa. Somos também um ponto de informação sobre outros camaradas ou sobre questões políticas». Se foi a necessidade a impor esta forma de distribuir o Avante!, o jovem comunista garante que ela irá prosseguir para lá da epidemia.
Para Francisco Mendes, as tarefas partidárias – e esta em particular – têm de ser cumpridas «com dedicação e carinho». Sobre o Avante!, reconhece-lhe o papel de informar sobre o que «não passa noutros jornais e nas televisões, porque não convém». É um jornal «que qualquer um pode ler», seja ou não comunista, e é fundamental para «conhecer o Partido, o País e o mundo».
Francisco Mendes
Comissão de Freguesia de Alhandra (Vila Franca de Xira)
Nem a cerca sanitária
parou o Avante!
O Avante! é uma «lufada de ar fresco perante a avalanche de informação da comunicação social dominante imposta pela força avassaladora do grande capital». Quem o afirma é Carlos Ramos, professor de 49 anos que, no concelho de Ovar, assume a responsabilidade pela distribuição do Avante!. É ele que, com outros cinco militantes, faz chegar o jornal aos leitores todas as semanas. Inclusivamente naquelas em que se ergueu em redor daquele concelho do distrito de Aveiro uma cerca sanitária, devido à propagação comunitária da COVID-19.
Normalmente, os jornais são deixados numa papelaria junto ao Centro de Trabalho do Partido, para onde são levados para, daí, serem distribuídos. Durante o período da cerca sanitária, alterou-se a rotina, recorda Carlos Ramos: os jornais eram deixados na fronteira sul do concelho por membros da Direcção da Organização Regional de Aveiro e, «de imediato, eu distribuía pelos assinantes que me foram atribuídos e entregava a outros camaradas que, por sua vez, distribuíam aos restantes assinantes».
Para Carlos Ramos, a distribuição do Avante! teve nesse período uma «dupla importância», pois serviu também, em tempos de incerteza, para ouvir as preocupações dos militantes e simpatizantes do Partido e transmitir-lhes palavras de «conforto, confiança e esperança».
Carlos Ramos
Comissão Concelhia de Ovar
Da consciência à intervenção
No processo que conduziu Regina Cerqueira da revolta com a sua situação ao questionamento sobre a sociedade e daí à militância comunista, o Avante! desempenhou um papel central. Natural de uma família operária de Marco de Canaveses, Regina – hoje com 22 anos – começou a trabalhar aos 16 para poder continuar os estudos, que prosseguem na Universidade de Coimbra, onde frequenta o Mestrado em História.
Foi já no Ensino Superior que travou conhecimento com jovens comunistas, que lhe falaram das lutas, do Partido e do Avante! – que passou a comprar semanalmente, muito antes de pensar em ser militante: «tornou-se numa ferramenta fundamental para aprofundar os conhecimentos e promover a discussão. Aprendi que havia forma de lutar contra as injustiças que eu própria sentia na pele.»
A consciência que se aprofundava e a relação cada vez mais próxima com os colegas comunistas levaram Regina à Juventude Comunista Portuguesa, na qual assume hoje a responsabilidade pela organização no distrito de Aveiro. Nessa exigente tarefa, continua a contar com o apoio do Avante!, cuja leitura estimula entre os restantes militantes: «quanto mais os camaradas lerem o Avante! mais preparados estarão, eles próprios, para debaterem com outros jovens e não se deixarem levar pela propaganda anticomunista. O Avante! permite-nos resistir a isso tudo.»
Regina Cerqueira
Dirigente da JCP
Não há impossíveis
para os comunistas
A célula do Partido na Autoeuropa (uma das maiores unidades industriais do País) é activa e goza de um considerável prestígio junto dos trabalhadores. A distribuição do Avante!, que juntamente com outras tarefas assume um papel estruturante no seu funcionamento, é actualmente assumida por Adérito Liques, de 60 anos, para quem é necessária hoje uma ginástica enorme para entregar os jornais.
Se até há três anos, os comunistas da empresa reuniam-se com frequência e encontravam-se na portaria na mudança de turno (momento que era aproveitado para distribuir a imprensa), com a desregulação dos horários, tudo se dificultou. Actualmente, a fábrica trabalha todos os dias (incluindo sábados e domingos) em quatro turnos, o que obriga a que, todas as semanas, seja necessário combinar com cada um dos leitores do Avante! uma hora e um local para receber o seu jornal. «Não é possível haver uma rotina», afirma Adérito Liques, lembrando que nem ele nem cada um dos outros labora sempre no mesmo turno: «às vezes chego a demorar dois dias a entregar os jornais todos.» Certo é, porém, que o Avante! chega sempre aos seus leitores.
Atribuindo grande importância à leitura da imprensa do Partido – «é a melhor coisa que um militante tem para se formar», garante –, Adérito Liques aposta numa mais ampla distribuição de tarefas para que, também na Autoeuropa, o Avante! chegue ainda mais longe.
Adérito Liques
Célula da Autoeuropa