África procura silenciar as armas

Carlos Lopes Pereira

A União Africana confirmou que a Zona de Comércio Livre Continental de África entrará em vigor formalmente a partir de 1 de Janeiro de 2021, apesar de reconhecer que a aplicação do acordo comercial será dificultada pela presente situação no continente.

O chefe do Estado da África do Sul, Cyril Ramaphosa, presidente em exercício da organização pan-africana, afirmou que o êxito do futuro mercado comum continental não pode ser separado de um ambiente pacífico e estável favorável às trocas comerciais e aos investimentos.

Numa cimeira extraordinária realizada no dia 6, por videoconferência, devido à pandemia de COVID-19, os dirigentes africanos reafirmaram os seus propósitos de avançar com o processo de integração económica.

A declaração final da reunião apelou «às mulheres, aos jovens, às empresas, aos sindicatos, à sociedade civil, aos comerciantes transfronteiriços, à academia, à diáspora africana e a outros interessados» para apoiar «este esforço histórico» de criar o bloco comercial continental, que abarcará os 55 países de África e a sua população de mais de mil milhões de habitantes.

Para Ramaphosa, a iniciativa da área comercial é uma afirmação clara de que os países da região estão decididos a «construir o seu destino»: «É um edifício que alberga os sonhos e as aspirações de nos convertermos num continente integrado e próspero». O líder sul-africano considera que o mecanismo impulsionará o comércio, promoverá a industrialização e a competitividade, contribuirá para a criação de empregos, estabelecerá cadeias de valor regionais e facilitará a participação da África no comércio mundial. Tudo isto, espera-se, no interesse dos povos africanos.

De igual modo, o chadiano Moussa Faki Mahamat, presidente da Comissão da União Africana, lembrou que os pais fundadores da Organização da Unidade Africana (criada em 1963 e transformada em 2002 na actual União Africana) aspiraram construir um mercado comum africano, e saudou o consenso sobre a necessidade de o concretizar quanto antes.

Os dirigentes africanos reafirmaram também, na recente cimeira, o compromisso colectivo de procurar silenciar as armas no continente. Em 2013 tinham elaborado um roteiro para lograr esse objectivo até ao final de 2020, mas verificaram agora que a paz está ainda distante.

Ramaphosa enfatizou que, quanto a guerras e conflitos, a África – apesar de alguns resultados positivos como por exemplo no Sudão do Sul e no Sudão – enfrenta hoje «desafios consideráveis». Desde a Líbia e o Sahara Ocidental, no Norte de África, até Moçambique, na África Austral, passando pela faixa do Sahel, pela Nigéria e por países da bacia do Lago Chade, pela República Centro-Africana, pela região dos Grandes Lagos, pela Somália e, recentemente, pela Etiópia.

Neste contexto, Angola propôs uma cimeira extraordinária para abordar «acções colectivas contra o terrorismo» e defendeu que a União Africana e a Organização das Nações Unidas devem continuar a gerar condições favoráveis para atingir quanto antes o objectivo de calar as armas, pondo termo a guerras e conflitos que só beneficiam os inimigos da independência e da soberania dos povos africanos.

É o reconhecimento de que sem paz não haverá desenvolvimento e progresso social. Em África, tal como em todo o mundo.




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