Presidente Arce e vice-presidente Choquehuanca apelaram à unidade dos bolivianos
Novo poder democrático na Bolívia retoma caminho do desenvolvimento

DEMOCRACIA Depois do expressivo triunfo eleitoral do Movimento ao Socialismo (MAS), Luís Arce e David Choquehuanca tomaram posse, no dia 8, como presidente e vice-presidente da Bolívia. Evo Morales regressou ao país, um ano após o golpe.

A Bolívia retomou o caminho da democracia e do desenvolvimento, com a posse de Luís Arce e David Choquehuanca na presidência e vice-presidência da República, após a contundente vitória do MAS nas eleições de 18 de Outubro. Os dois dirigentes defenderam a unidade da nação e prometeram trabalhar para reconstruir o país, seriamente abalado pelo governo de facto instalado após o golpe de Estado de 10 de Novembro de 2019.

No discurso de posse, Luís Arce dedicou as primeiras palavras às vítimas dos actos violentos provocados pelas autoridades golpistas encabeçadas por Jeanine Áñez, em particular os massacres de Senkata, Sacaba e El Pedregal, assim como às vítimas da perseguição política e do racismo.

Assegurou que nesta nova etapa, o governo do MAS trabalhará com todos para recuperar os níveis de crescimento económico que os golpistas destruíram. «Para isso, daremos continuidade à construção de uma economia plural e diversa que recupere, fortaleça e promova todo o potencial que temos, as iniciativas e capacidades da Bolívia, desde o sector comunitário dos povos originários e camponeses até ao estatal, privado, cooperativo e da ampla diversidade cultural», garantiu.

Em matéria de política externa, o presidente boliviano afirmou que a sua administração assumirá com força os princípios da autodeterminação dos povos, a não intervenção, o não alinhamento e a plena igualdade jurídica e política de todos os Estados sem nenhuma forma de subordinação. Apostará, disse, numa integração emancipadora e não subordinada que considere todos os âmbitos da vida, desde a saúde e a educação até à económica. E assegurou que reivindicará a integração Sul-Sul num mundo globalizado em que não se imponham desígnios a partir do Norte, e que pugnará pela unidade política da diversidade da América Latina e das Caraíbas, para o que a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC) é a melhor via para conquistar tão nobre e histórica causa.

Já o vice-presidente David Choquehuanca advogou preservar os valores da pluriculturalidade da Bolívia e sanar as feridas causadas pelo golpismo. Apelou à unidade dos bolivianos após um ano de golpismo, caracterizado pela perseguição política, a estigmatização e o racismo face aos povos originários do Estado Plurinacional.

O presidente já nomeou o novo governo, que estará focado na reconstrução da economia nacional, seriamente danificada por um ano de golpismo. As actuais condições económicas do país exigem não só recuperar os indicadores positivos como também «a reconstrução total do sector».

O gabinete, em que foi reposto o Ministério de Culturas e Turismo, eliminado pelos golpistas, é encabeçado pela ministra da Presidência, Marianela Prada, primeira mulher a ocupar o cargo na Bolívia. O ministro dos Negócios Estrangeiros é Robelio Mayta, um advogado de direitos humanos.

Uma das primeiras medidas do novo poder democrático boliviano foi a convocação de eleições locais – departamentais, regionais e municipais – para 7 de Março de 2021.

Evo Morales regressou

O ex-presidente Evo Morales regressou na segunda-feira, 9, ao seu país, depois de quase um ano exilado no México e na Argentina, após o golpe de Estado que o forçou a abandonar a Bolívia.

Milhares de pessoas – indígenas, camponeses, mineiros, militantes do MAS –, concentradas no município de Villazón, no Sul da Bolívia, receberam com bandeiras, cartazes, aplausos, música e júbilo o popular dirigente, ido por terra da Argentina. Foi acompanhado até à fonteira pelo presidente Alberto Fernández e com ele viajou o ex-presidente Álvaro Garcia Linera, que esteve também exilado no México e na Argentina.

Ao longo de três dias, Morales viaja, juntamente com simpatizantes, até à zona de Chapare, no departamento de Cochabamba, para, segundo declarou, continuar a luta junto do seu povo e apoiar as políticas promovidas pelo governo de Luís Arce.

Esta normalização, porém, não é total. No dia 6, uma bomba explodiu junto a uma sede do MAS onde se encontrava Luís Arce, não havendo vítimas a registar. Em alguns pontos do país, a extrema-direita procurou replicar o guião de há um ano, agitando com denúncias de fraude eleitoral, embora sem grande expressão.




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