«Problemas não são resolvidos pela limitação de direitos e por climas de medo»
Um Partido mais forte para travar todas as batalhas

PROPOSTA Apesar de ser o seu propósito, no comício de dia 8, a celebração da Revolução de Outubro não foi o único tema explorado. Várias matérias, como o trabalho desenvolvido pelo PCP a nível concelhio e os desenvolvimentos internacionais e nacionais mais recentes, também foram abordados.

Depois de apresentado o comício, Joana Bonito, da Comissão Concelhia de Vila Franca de Xira, foi a primeira a intervir. «A Revolução de Outubro inaugurou a fase histórica da passagem do capitalismo para o comunismo», começou por afirmar, acrescentando que essa passagem «depende da acção dos homens», dos quais os comunistas são a «vanguarda organizada».

Segundo a dirigente concelhia do Partido, a luta pelos direitos económicos e sociais dos trabalhadores e do povo, e em defesa da Constituição da República Portuguesa, e o esforço por as levar tão longe quanto possível junto dos trabalhadores e de outras camadas sociais são parte importante do «contributo dos comunistas portugueses para a superação do capitalismo».

Tarefas urgentes

Após enunciar algumas das principais contradições do capitalismo, que a COVID-19 tornou ainda mais evidentes, Joana Bonito lembrou que a epidemia também é pretexto para a «escalda do ataque ao comunismo, ao PCP e à sua iniciativa». Aprofundar a ligação às massas, estimular e dirigir as suas justas aspirações e lutas, agregar forças, elevar consciências e vencer preconceitos são, pois, tarefas actuais para os comunistas, também em Vila Franca de Xira.

Como noutros, naquele concelho os militantes tiveram de olhar de forma criativa para o desempenho da actividade partidária, de modo a reforçar a sua intervenção junto dos trabalhadores e das populações. Em consequência disso, ganharam ainda maior premência os boletins de empresa, como o Unidade, da Iberol, onde, graças à campanha dos 5000 contactos, foi possível reactivar a organização do Partido.

A reivindicação e a luta não tiveram tréguas em Vila Franca de Xira nos últimos meses, e o PCP lá esteve, cumprindo o seu papel: a exigência da reversão da PPP do Hospital de Vila Franca de Xira e da retoma dos cuidados nos centros de saúde, a reclamação de mais comboios na Linha da Azambuja e o fim das portagens da A1 foram algumas das principais.

No plano local, também as forças da CDU revelaram ser, de forma inquestionável, a voz das populações nos órgãos autárquicos.

A par do trabalho de preparação do XXI Congresso, Joana Bonito também informou que os militantes poderão assistir ao mesmo no Centro de Trabalho de Alhandra, onde estará instalado um ponto de transmissão em directo.

Medidas adequadas
às exigências do País

«Os tempos que aí estão são duros e as exigências vão duplicar, como é previsível e o indica a ofensiva ideológica que aí está, dirigida contra a força que verdadeiramente conta para afirmar uma alternativa para servir os trabalhadores, o povo e o País», afirmou, por sua vez, Jerónimo de Sousa.

No entanto, lembrou, estes problemas não são de hoje. Pelo contrário, os problemas que hoje atingem «os mais diversos domínios da vida colectiva» têm vindo a arrastar-se e a ampliar-se porque «não houve a necessária resposta para os debelar», disse o Secretário-geral do Partido, que os destacou: os crónicos défices estruturais, de entre os quais sobressai o produtivo, a deliberada fragilização dos sectores produtivos (e consequente dependência externa do País) e dos serviços públicos, que deveriam cumprir as funções sociais de acesso universal à saúde, à educação, à cultura, à habitação, à protecção social.

«Vivemos um tempo em que os trabalhadores, os intelectuais e quadros técnicos, os micro, pequenos e médios empresários, os reformados e um vasto conjunto das camadas populares estão a ser atingidos pelo efeito da pandemia», mas também «pelo aproveitamento que fazem dela os grandes interesses económicos e as forças políticas que os representam e assumem as suas conveniências», afirmou Jerónimo de Sousa. Acrescentando que, a pretexto da subida de casos de pessoas infectadas, «novamente se levantaram as vozes dos que reclamam mais restrições às liberdades, mais cortes de direitos e mesmo medidas mais musculadas, trocando a pedagogia pela via repressiva no combate à pandemia».

Para o Secretário-geral, as medidas adoptadas pelo Governo na sequência da declaração do Estado de Emergência afiguram-se «não só desproporcionais, incongruentes e desadequadas como, sobretudo, não têm correspondência com as exigências colocadas no plano da saúde pública e da capacitação do SNS para enfrentar a epidemia».

Antes de terminar, Jerónimo de Sousa ainda mencionou o Orçamento de Estado para 2021, a campanha de João Ferreira para Presidente da República e os trabalhos de preparação do XXI Congresso do PCP, que se realiza no final do mês.

A tarefa das tarefas

O capitalismo tem revelado «enormes capacidades de recuperação» e o quadro é ainda de «grande instabilidade e incerteza, onde estão presentes perigos que nos alertam para a possibilidade de recuos». O aviso foi deixado, no comício, pelo Secretário-geral do Partido, que apontou em seguida outro traço marcante da actual situação: a persistência da luta e da resistência traduz-se também «em reais possibilidades de avanços», como é visível na Bolívia, no Chile e noutros pontos do mundo.

Nessa luta, acrescentou Jerónimo de Sousa, fica evidente que «é o socialismo e não o capitalismo, por mais “humanizado” que tentem vendê-lo, que é o futuro da Humanidade!» Os comunistas portugueses sabem-no, garantiu, pelo que não esperam que o capitalismo «caia por si»: a sua superação é «inseparável da participação consciente dos trabalhadores e dos povos, da sua unidade, organização e luta no processo de transformação social e, particularmente, o do papel histórico da classe operária, dos trabalhadores e dos seus aliados».

Ela exige, portanto, um Partido Comunista «forte e permanentemente reforçado e influente. Consegui-lo é o grande desafio que temos pela frente. Um desafio que apela a um grande esforço e empenhamento de todo o nosso colectivo partidário».

 



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