«Um projecto só morre quando não há ninguém que o defenda»
Celebrar Outubro é lutar pelos seus valores na actualidade

CONCRETIZAÇÃO O PCP assinalou no domingo, 8, o 103.º aniversário da Revolução de Outubro com um comício na Castanheira do Ribatejo, no qual participou o Secretário-geral, Jerónimo de Sousa. A Revolução de Outubro e a luta na actualidade foi o lema da iniciativa.

Ainda o relógio não marcava as 15 horas, momento para qual estava marcado o começo daquela iniciativa, e já o pavilhão da Juventude da Castanheira estava cheio. Sem descuido das medidas e distâncias de segurança, os lugares foram sendo ocupados de forma rápida e ordeira.

Música de intervenção, pelas mãos de Zé Pinho e Amigos, recebeu os militantes e simpatizantes do Partido que ali se dirigiram. Os Vampiros, de José Afonso, e Canta, amigo, canta, de António Macedo, foram algumas das canções que mais entusiasmaram os presentes. Para finalizar o momento cultural, foi declamado um excerto de um dos poemas mais célebres de Ary dos Santos: Agora ninguém mais cerra/ as portas que Abril abriu, ouviu-se em uníssono, com o público a juntar-se ao declamador.

Apesar de não se ter formado a habitual «mesa» no início do período de intervenções, para além de Jerónimo de Sousa e de vários membros da Comissão Concelhia de Vila Franca de Xira, também Luís Caixeiro, membro do Comité Central, e Armindo Miranda, da Comissão Política, ali estiveram presentes.

Semente do futuro

«Como sempre o fizemos, aqui estamos, hoje em Castanheira do Ribatejo, neste concelho de Vila Franca de Xira, a assinalar e celebrar a Revolução Socialista de Outubro de 1917», começou por dizer o Secretário-geral, que realizou uma das duas intervenções do comício.

Para os militantes e apoiantes que ali se dirigiram, aquele momento não se tratou apenas de uma simples celebração. Como Jerónimo de Sousa afirmou, os comunistas assinalam o marco revolucionário «confirmando e reafirmando a validade do socialismo como solução para dar resposta aos grandes problemas dos povos e da humanidade». Para todos eles, a Revolução de Outubro permanece «no seu acto libertador e nas suas realizações como semente do futuro, como o grande empreendimento que continua a dizer-nos que outro mundo é possível».

«Comemoramos essa Revolução que tomou nas mãos a tarefa de rasgar novos caminhos, nunca antes experimentados, materializando o milenar sonho de emancipação e de libertação de gerações de explorados e oprimidos», prosseguiu Jerónimo de Sousa. Esta é, acrescentou, uma Revolução em que, pela primeira vez, «os trabalhadores e os seus aliados conquistaram o poder e encetaram um extraordinário processo de transformação e realização».

Se já não era evidente para todos os que ali passaram a tarde, o Secretário-geral enumerou algumas das muitas conquistas da grande Revolução, que adoptou a paz e a abolição da propriedade latifundiária como primeiras medidas. Que comprovou, na prática, as teses de Marx, Engels e Lénine e transformou a atrasada Rússia num país desenvolvido, capaz de conter o imperialismo. Que erradicou o analfabetismo, generalizou a escolaridade, eliminou o desemprego, garantiu direitos das mulheres, das crianças, dos jovens e dos idosos. Que promoveu o desenvolvimento artístico, científico e técnico e incrementou valores de amizade e solidariedade internacionais.

Uma Revolução que permitiu a um país ser o primeiro a pôr em práctica direitos fundamentais como a jornada máxima de oito horas, férias pagas, protecção na maternidade, direito à habitação, assistência médica, educação e segurança social universal.

Um ideal que está bem vivo

Os comunistas portugueses também celebram esta Revolução pelo exemplo impulsionador que esta disseminou pelo mundo e, também, em Portugal.

O combate pela concretização do grande objectivo da construção de uma sociedade socialista, livre da exploração e da opressão continua, e em Portugal «passa, como aponta o programa do PCP, pela etapa que caracterizamos de uma Democracia Avançada», afirmou Jerónimo de Sousa. «Etapa que é indissociável da luta que hoje travamos pela ruptura com a política de direita e pela materialização de uma política patriótica e de esquerda».

Com a experiência acumulada pelo movimento comunista, marxista-leninista, de natureza patriótica e internacionalista e com uma entrega total à luta pela concretização do projecto comunista – é assim que o PCP, «com orgulho», afirma a sua «identidade de classe».




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