Chilenos vão às urnas, no domingo, 25, por uma nova Constituição
Milhares de chilenos nas ruas «pelo direito de viver em paz»

CHILE Milhares de pessoas assinalaram nas ruas o primeiro aniversário do movimento social de protesto contra as políticas neoliberais do presidente Piñera. No domingo, 25, realiza-se o referendo sobre uma nova Constituição.

Lusa


Milhares de pessoas encheram no domingo, 18, a Praça da Dignidade, no centro de Santiago do Chile, numa grande jornada para assinalar um ano do começo do vasto movimento de protestos sociais no país sul-americano. A multidão concentrou-se na praça com cartazes, dísticos e bandeiras chilenas e mapuches. Abundavam cartazes e bandeiras brancas com o símbolo do Aprovo, por uma nova Constituição, e pela Convenção Constituinte, enquanto uma grande faixa exigia a demissão do presidente Sebastián Piñera.

Na concentração popular, que encheu também as ruas adjacentes à praça, participaram grupos representativos de organizações políticas, sociais, sindicais, estudantis, feministas e de outros sectores. E, uma vez mais, foi escutada a voz do cantautor Victor Jara, acompanhado por um coro de milhares de vozes entoando O direito de viver em paz, canção que se tornou um dos hinos dos manifestantes.

Nova Constituição

Quase 15 milhões de chilenos estão convocados para ir às urnas, no próximo domingo, para decidir em referendo a exigência de uma nova Constituição, rejeitando a actual imposta em 1980 pela ditadura de Augusto Pinochet, e escolher ainda quem a redigirá.

A convicção generalizada é a de que não se trata de mudar simplesmente uma lei fundamental por outra ou reformar a que está em vigor, mas antes o início de um complexo processo. O sufrágio decidirá se se estabelece uma carta magna que expresse os anseios de milhões de chilenos que, há um ano, saíram às ruas em grandes protestos exigindo mudanças em todos os sectores da sociedade, incluindo o desmantelamento do modelo neoliberal vigente.

Os estudos de opinião apontam para a vitória no referendo do Aprovo (uma nova Constituição) e da opção Convenção Constituinte, a instância que escreverá a nova lei fundamental do Chile.

Solidariedade do PCP

Por ocasião dos 50 anos do triunfo eleitoral de Salvador Allende e da formação do Governo da Unidade Popular no Chile, o PCP endereçou uma mensagem ao Partido Comunista do Chile (PCC) onde saudou os comunistas e povo chilenos e valorizou as realizações alcançadas nos 1041 dias em que esse governo durou.

Salientando o empenho do Governo dirigido pelo presidente Salvador Allende na defesa dos interesses e genuínos anseios dos trabalhadores e povo chilenos, mobilizando-os para a construção de uma sociedade mais democrática e justa, para a libertação do Chile das amarras da dependência, da exploração e do subdesenvolvimento, o PCP recordou as palavras do histórico dirigente comunista e antigo secretário-geral do PCC, Luis

Corvalán, que considerou que o «Governo Popular a que presidiu Salvador Allende e o processo de transformações revolucionárias que com ele se pôs em prática constituíram o acontecimento político mais importante ocorrido no Chile durante o século XX».

Após realçar o destacado papel do PCC na revolução democrática chilena e na unidade das forças democráticas, o PCP relevou ainda a inspiração que a Unidade Popular representou para as lutas de emancipação dos trabalhadores e dos povos, na América Latina e no mundo.

Relativamente àquela que é a «maior vaga de protesto social desde o fim da ditadura fascista», o PCP deseja os «melhores sucessos para a sua acção e luta em defesa dos direitos, interesses e anseios dos trabalhadores e do povo chileno e, em particular, para o referendo agendado para 25 de Outubro, tendo em vista a convocação de um processo constituinte democrático e a aprovação de uma Nova Constituição nacional».




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