PROJECTAR A FESTA NA LUTA
«determinados na acção e confiantes no futuro»
No contexto de uma violenta e prolongada ofensiva anticomunista, o grande capital e as forças que o servem tentaram inviabilizar a 44.ª edição da Festa do Avante! e, deste modo, atingir o PCP.
Mas, ao invés, a realização da Festa do Avante! de 2020 constitui um notável êxito político, só possível pelo trabalho militante do PCP, da JCP e de muitos amigos da Festa.
De facto, concretizando o seu projecto, garantindo o seu funcionamento ao longo dos três dias, realizando o seu programa diversificado com uma imensa oferta cultural no plano dos espectáculos, este ano centrado na música portuguesa, a Festa do Avante! voltou a ser, como sempre foi, a maior realização político-cultural do País, o que nas condições concretas actuais constitui uma importância ainda maior.
Nas novas circunstâncias e com as redobradas medidas de natureza sanitária que foram tomadas e criteriosamente aplicadas, inseridas na divulgação pedagógica da prevenção e da protecção que continua a impor-se, a Festa foi de facto uma grande afirmação de estímulo à actividade, à cultura, à arte, ao desporto, ao convívio, ao lazer, à intervenção política, à solidariedade, à fruição da vida, hoje essenciais à saúde e ao bem-estar da população.
Ao afirmar-se mais uma vez como Festa de Abril e dos seus valores, profundamente enraizada nos trabalhadores, na juventude e no povo, a Festa do Avante! foi a festa da solidariedade internacionalista, da alegria e da paz. Foi uma festa segura, que derrotou os arautos do medo, afirmando o direito de viver, de usufruir do lazer e da cultura e, ao mesmo tempo, dos direitos democráticos, dando mais confiança e coragem para a luta em defesa do emprego, dos salários, dos direitos laborais e sociais, das liberdades.
Particularmente importante e carregado de significado político para o futuro foi o comício da Festa no domingo, uma enorme demonstração de força, unidade e organização. Comício da solidariedade, da paz, da amizade, da democracia e do socialismo, num quadro de inusitada hostilidade dos grandes interesses económicos e das forças mais reaccionárias e conservadoras relativamente ao PCP, que foi sobretudo uma demonstração da influência e do prestígio do PCP entre os trabalhadores, a juventude e as massas populares. Foi isto mesmo que Jerónimo de Sousa sublinhou na sua intervenção ao afirmar que «os comunistas tudo fizeram e tudo fazem para ajudar a resolver os problemas do País, dos trabalhadores e do povo. Tudo farão na luta geral que se trava contra a COVID-19. Mas não cederão ao medo real ou instalado através do pânico orquestrado, que visa isolar as pessoas, quebrar solidariedades de classe e sociais, para que os trabalhadores aceitem docilmente fazer sacrifícios, abdicar ou aceitar a limitação dos seus direitos e condições de trabalho e de vida e até da sua liberdade. Porque estamos certos que, combatendo com todo o vigor o vírus que enfrentamos e muitas outras doenças, obstáculos e contrariedades, apenas com grande confiança no futuro das nossas capacidades e nas do nosso povo, e continuando a viver com alegria e esperança a nossa vida familiar, social e cultural, encontraremos as forças para prosseguirmos na senda de um mundo melhor e mais justo.»
Agora, é preciso projectar a Festa nas batalhas que temos a travar pela defesa e conquista de direitos, pela ruptura com a política de direita e pela concretização da alternativa patriótica e de esquerda, por um PCP mais forte cujo reforço será sempre revertido em mais força na defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País.
Finda a Festa, importa agora projectá-la no estímulo à luta de massas e na dinamização da iniciativa, do funcionamento e do reforço do Partido. Importa, assim, mobilizar os trabalhadores para a acção nacional de luta marcada pela CGTP-IN para o dia 26 de Setembro e para a intensificação da acção reivindicativa nas empresas, locais de trabalho e sectores, nomeadamente pelo aumento geral dos salários e do Salário Mínimo Nacional para 850 euros. Importa dar novos passos na preparação do XXI Congresso do PCP marcado para 27, 28 e 29 de Novembro, avançando na planificação da sua terceira fase; preparar a participação nas eleições para Presidente da República com uma candidatura que assume os direitos dos trabalhadores, os valores de Abril e o projecto que a Constituição consagra mas que está muito longe de ser cumprido; participar na batalha eleitoral para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores; dinamizar as comemorações do Centenário, com particular atenção ao programa de reforço do Partido que estas comemorações integram, nomeadamente a campanha nacional de fundos «o futuro tem partido», a responsabilização de 100 novos quadros por células de empresa, local de trabalho ou sector profissional e a criação de 100 novas células.
E tal como foi possível com a Festa (com particular expressão no comício de domingo) dar uma resposta poderosa de capacidade, organização, responsabilidade, coragem e confiança aos que julgavam que o PCP se vergaria perante a mentira e a afronta, também agora é possível e é preciso enfrentar a exigente situação que estamos a viver, determinados na acção e confiantes no futuro.