EUA procuram travar gasoduto Nord Stream 2
PRESSÕES Os Estados Unidos estão a aumentar a pressão sobre as empresas europeias envolvidas na construção do gasoduto Nord Stream 2 e no projecto TurkStream. O governo da Alemanha e o responsável pela política externa da União Europeia rejeitam sanções e ameaças de sanções.
Washington ameaça impor sanções às empresas que participem no projecto russo
Washington «aumenta a pressão» sobre empresas da Alemanha e de outros países europeus envolvidos na construção do gasoduto Nord Stream 2. A notícia, na imprensa alemã, surge dias depois da Casa Branca anunciar que está a adoptar medidas para impor sanções aos investidores no Nord Stream 2 e no Turk Stream.
O diário alemão Die Welt assinala que as ameaças dos EUA têm lugar à margem dos canais diplomáticos oficiais e provocam «indignação» entre políticos da Alemanha. Relata que representantes dos departamentos de Estado, do Tesouro e da Energia norte-americanos mantiveram de forma confidencial duas vídeo-conferências individuais com empresários alemães e de outros países da Europa «para ressaltar as consequências de longo alcance» que poderiam advir se as empresas envolvidas prosseguirem com a construção do gasoduto.
Os funcionários norte-americanos «deixaram muito claro, num tom amistoso, que querem impedir que se complete a colocação da tubagem do gasoduto». Uma fonte que presenciou a conversa disse ao jornal que «a ameaça pareceu muito, muito grave».
Para a companhia energética alemã Uniper, com sede em Dusseldorf, as intenções da Administração Trump de «minar um importante projecto de infra-estrutura que é importante para a segurança energética da Europa» constituem «uma clara invasão da soberania europeia».
Ameaças de sanções
O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, anunciou há dias que os EUA estão a tomar medidas que poderiam permitir a Washington impor sanções aos investidores do Nord Stream 2 e de um ramal do TurkStream. O chefe da diplomacia norte-americana ameaçou os investidores nestes projectos de «sair agora ou arriscar-se às consequências».
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Heiko Maas, falando em nome da «Europa», emitiu um comunicado em que rejeita «as sanções extraterritoriais». Enfatizou que «o governo dos EUA não tem em conta o direito e a soberania da Europa para decidir aonde e como obtemos a nossa energia».
Por sua vez, o responsável pela política externa da União Europeia, Josep Borrel, declarou que estava «profundamente preocupado pelo uso crescente de sanções ou ameaças de sanções por parte dos EUA contra companhias e interesses europeus».
A construção do Nord Stream 2, que permitirá à Rússia duplicar o fornecimento de gás natural à Alemanha através do mar Báltico, avançou rapidamente até Dezembro passado, quando as ameaças de sanções por parte dos EUA obrigaram a empresa suíça Allseas a abandonar o projecto, o que impediu a conclusão das obras até ao final de 2019.
Cerca de 96 por cento das secções da tubagem já estão construídos e actualmente faltam menos de 160 quilómetros do gasoduto. Em Junho, um representante da companhia petrolífera russa Gazprom assegurou que o trabalho continua a avançar e manifestou a esperança de que a construção do Nord Stream 2 esteja concluída em finais de 2020 ou começo de 2021.
O Nord Stream 2 é um gasoduto que consiste em duas tubagens paralelas com um comprimento total de 1230 quilómetros, que permitirá duplicar o fornecimento de gás natural, da Rússia até à Alemanha, através do mar Báltico. É uma expansão do actual gasoduto Nord Stream e poderá abastecer 26 milhões de habitações e, segundo Moscovo, reduzir drasticamente as facturas de energia dos cidadãos da União Europeia.
Quanto ao TurkStream, é um projecto de gasoduto que ligará a Rússia e a Turquia através do mar Negro, com o objectivo de aumentar significativamente a fiabilidade do fornecimento de gás natural ao Sul e Sudeste da Europa.