A meio caminho da realização do XXI Congresso do nosso Partido, olhar para o processo que se iniciou há cerca de quatro meses e meio e tem outros tantos pela frente permite-nos questionar o que é que tem este Partido que é tão diferente de todos os outros.
Diferente, desde logo, porque não soçobrou perante as dificuldades que se colocaram neste ano, de todos tão diferente. Avaliando as novas condições, tomando medidas para garantir a sua segurança e a segurança dos seus militantes, olhou para a realidade que se transformava a uma velocidade estonteante e mudou tudo o que foi preciso para continuar onde sempre esteve, junto dos trabalhadores e do povo, na primeira linha da defesa dos seus direitos e interesses.
Enquanto uns se recolhiam e outros aproveitavam esse recolhimento para, nas novas circunstâncias, intensificar o ataque a salários e direitos, o PCP agia e apelava a que ninguém se calasse perante as injustiças e que ninguém considerasse normal o saque que se começava a organizar.
Com as devidas distâncias, poderia dizer-se que não fizemos mais que honrar o Centenário do Partido que estamos a celebrar. Não é verdade que, no seguimento do golpe de Estado de 1926, todos os outros partidos se dissolveram ou foram extintos e que só nós, de forma organizada, procedemos às mudanças necessárias no nosso funcionamento e, nas novas condições, mantivemos acesa a chama da resistência e da luta? E que, em cada momento que se seguiu, assim fizemos em todas as curvas difíceis da nossa vida colectiva?
Que é que tem este Partido de tão diferente, para manter marcado o seu XXI Congresso, quando todos os outros adiaram reuniões e eleições internas e reduziram o funcionamento quase só à dimensão institucional?
Talvez se possa responder com outra pergunta. Num momento tão complexo para o País e para o mundo, quando o imperialismo revela as suas facetas mais perigosas, mais desumanas, mais predadoras, não conseguindo mais esconder a sua brutal crise estrutural, quando se acentua a ofensiva política, económica, social, ideológica e mesmo militar, para garantir o domínio hegemónico do capital e uma ainda maior concentração da riqueza, poderíamos nós esperar que «isto» passasse, que viessem melhores dias, para, apenas depois, voltarmos ao debate, à organização e à luta?
Organizar e intervir
Até porque a preparação de um Congresso do PCP – mais uma diferença relativamente a todos os outros –, como não inclui o combate entre grupos que se digladiam entre si, antes procura potenciar a opinião e o contributo de todos e de cada um dos militantes, não precisa de nenhuma trégua na batalha.
Precisa, isso sim, como fizemos nesta primeira fase que agora terminou, mesmo nas difíceis condições em que se realizou, e como faremos imediatamente a seguir à Festa do Avante!, de tomar as medidas em cada organização para assegurar a cada militante o espaço para participar neste processo de construção colectiva de uma opinião que, em Dezembro, será de todos.
Não é por teimosia que insistimos no desenvolvimento da vida partidária, que damos toda a força à luta de massas, que mantivemos a edição regular do Avante! – e o distribuímos de forma militante em todo o País –, que realizámos dezenas de reuniões e plenários, que estamos a preparar a Festa do Avante!, a Festa da juventude e do Portugal de Abril, que prosseguimos as comemorações do Centenário do Partido, que preparamos com afinco o XXI Congresso, para o qual discutiremos as Teses, faremos propostas, elegeremos os delegados.
Colocando no centro das nossas preocupações a vida, o bem-estar, a saúde dos trabalhadores e do povo, assentando o funcionamento interno no desenvolvimento criativo do centralismo democrático, não admitindo, nunca, a suspensão da democracia interna, não desistindo do nosso projecto socialista para Portugal, eis também o que faz de nós um Partido diferente de todos os outros.