- Nº 2433 (2020/07/16)

Temos Partido e política alternativa para construir um País com futuro

PCP

FOZ DO ARELHO Os trabalhadores, o povo e o País precisam de uma política que supere os défices estruturais que a pandemia veio expor de forma crua, afirmou Jerónimo de Sousa, domingo, nas Caldas da Rainha.

A adopção de uma política verdadeiramente alternativa à de direita, que sucessivos governos vêm praticando há décadas, foi defendida pelo Secretário-geral do PCP no comício que encerrou, dia 12, a Festa de Verão promovida pela Organização Regional de Leiria (ORLEI) do PCP. O dirigente comunista interveio, a meio da tarde, num recinto ao ar livre perante cerca de 150 militantes e amigos do Partido, boa parte dos quais foram chegando depois do almoço para usufruírem das bancas de livros novos e usados, de artesanato e produtos regionais, de comes e bebes, e, naturalmente, do salutar convívio, que pese embora as necessárias regras de higiene e segurança não deixou de acontecer.

Esta é aliás uma primeira nota que importa relevar na iniciativa, e que foi sublinhada por André Martelo, membro da Direcção da ORLEI, que usou da palavra antes de Jerónimo de Sousa, no período das intervenções políticas que se seguiu ao momento musical, protagonizado por Joaquim Raminhos e Nelson Rodrigues.

«Esta Festa de Verão, erguida num contexto particular e respondendo a novos desafios, confirma a nossa capacidade de organização e realização» e permite «afirmar que, com medidas de organização e bom senso, é possível prosseguir a vida, conviver, ter acesso à cultura e ao lazer e intervir para defender os nossos direitos, que não estão nem podem estar de quarentena. Esta nossa iniciativa é uma prova de que os comunistas, mesmo nos contextos mais difíceis, nunca viram a cara à luta e de que o povo do nosso distrito pode contar com o nosso Partido», disse André Martelo.

De resto, no terreno bem pontuado por pinheiros, situado na Foz do Arelho, ninguém entrava sem máscara e sem proceder à higienização das mãos com álcool-gel disponibilizado pela organização. As casas-de-banho foram limpas três vezes por hora, as mesas e cadeiras desinfectadas à exaustão ao longo de todo o tempo, e, da tribuna, José Carlos Faria, também da DORLEI, apelou mais do que um par de vezes à observação do distanciamento físico, ao uso permanente da máscara e à desinfecção frequente das mãos nos pontos assinalados para o efeito.

Que fique claro
André Martelo, da tribuna onde se encontravam ainda Manuela Pinto Ângelo, do Secretariado do Comité Central, e Ângelo Alves, da Comissão Política do PCP, salientou igualmente, que a actual crise sanitária está a ser aproveitada pelo capital para «ajustar contas com os direitos conquistados nos últimos anos», dando como exemplos, no distrito de Leiria, os já mais de 17 mil desempregados e as dezenas de milhares de trabalhadores com salários cortados, empurrados ou vítimas da precariedade, que viram o seu direito a férias negado ou aos quais o patronato continua a não garantir as mais elementares regras de protecção no local de trabalho.

Ora, para Jerónimo de Sousa, estes e outros problemas, incluindo os défices estruturais nacionais em vários domínios, sobretudo na esfera produtiva, «têm como raiz décadas de política de direita». Ou seja, estamos perante uma realidade feita de fragilidades acumuladas que «agora o surto epidémico expôs com crueza».

«Nos últimos anos, alguns problemas foram atenuados com a reposição de direitos e rendimentos», para o que foi «decisiva a contribuição do PCP, lembrou o Secretário-geral do Partido, que aproveitou a oportunidade para esclarecer que o chumbo do PCP ao Orçamento Suplementar, diferentemente do que sucedeu nos orçamentos do Estado anteriores, deve-se ao facto de, naqueles, «embora de forma limitada e insuficiente», terem-se registado «avanços e conquistas», ao passo que neste último documento, «mesmo considerando tal ou tal medida positiva, algumas com a proposta do PCP, a verdade é que houve injustiça e retrocesso».

Este é o momento
Neste contexto, o dirigente comunista defendeu que «Portugal precisa de pôr em marcha um verdadeiro programa de desenvolvimento», e não «um programa ditado pela agenda e critérios escolhidos pelas grande potências da União Europeia», destinado a «servir os seus interesses e os das multinacionais».

«Portugal precisa de ter presente as importantes lições que se retiram da actual situação» e «não pode ignorá-las no futuro», reiterou, salientando, por isso, a centralidade «do papel dos trabalhadores na sociedade, dos serviços públicos, da produção nacional e de os sectores estratégicos estarem nas mãos do País».

«Portugal precisa de produzir cá o que nos impuseram comprar lá foram, modernizando e dinamizando as actividades económicas; de recuperar para o País o que nunca devia ter sido privatizado, de acelerar o investimento, adquirir os equipamentos, construir infra-estruturas e assegurar serviços públicos essenciais», detalhou Jerónimo de Sousa, que avançou, além do mais, com outros aspectos fundamentais de uma verdadeira política alternativa, capaz de recolocar os trabalhadores, o povo e o País na senda do progresso: valorizar quem trabalha e quem trabalhou pelo aumento geral dos salários (e em especial do Salário Mínimo Nacional para os 850 euros) e das pensões de reforma; combater a precariedade, as desigualdade e discriminações sociais e revogar as normas gravosas da legislação laboral; ampliar a protecção social reforçando o sistema público de segurança Social; acabar com os privilégios fiscais do grande capital e defender o regime democrático combatendo a corrupção e assegurando uma Justiça independente e acessível a todos.

«Independentemente das medidas de protecção sanitária necessárias, este é o momento de intervenção do Partido», o qual precisamos de ter «a funcionar e a decidir», frisou o dirigente comunista, que, lembrando o «muito trabalho pela frente» no plano do reforço do PCP, da sua influência e ligação às massas – frisando em especial o XXICongresso deste «grande colectivo partidário que hoje, decide, reflecte, sempre com a contribuição individual, num processo democrático sem paralelo» –, apelou a que os militantes comunistas façam «boa cara ao mau tempo», neste tempo em que «o Partido está uma vez mais posto à prova».