AFIRMAÇÃO DE LUTA E CONFIANÇA
«Pela saúde, pelos direitos pela alternativa»
A situação internacional torna ainda mais visível a natureza desumana do capitalismo com o seu imenso rol de exploração, injustiças, desigualdades sociais, discriminações e racismo.
A nível nacional, impõe-se o reforço do SNS – que se mostrou fundamental no combate ao surto epidémico – para responder aos atrasos verificados no tratamento de outras patologias e recuperar milhares de cirurgias, exames de diagnóstico e tratamentos que os grupos económicos insistem em chamar a si como mais uma oportunidade de negócio.
Mas, impõe-se igualmente travar a batalha em defesa dos direitos dos trabalhadores que o grande capital, sob o pretexto do surto epidémico, atacou brutalmente e mantém ameaçados.
Depois da Comissão Europeia ter anunciado um «fundo de recuperação» no valor de 750 mil milhões de euros que, como o PCP oportunamente sublinhou, responde sobretudo aos interesses das grandes potências e grupos económicos e financeiros da UE, veio esta semana o Governo minoritário do PS apresentar o chamado «programa de estabilização económico e social».
É um programa que fica aquém na resposta que se exigia para atacar os graves problemas que vivemos e, em particular, o desemprego: não assume a proibição dos despedimentos, nem a reposição dos vínculos de todos os que entretanto foram despedidos neste período. Não assume o apoio às micro, pequenas e médias empresas e, ao decidir prolongar o lay-off, não garante a todos os trabalhadores a remuneração a 100%.
Para o PCP, a principal e mais importante condição para a recuperação económica é a defesa do tecido económico e a garantia da valorização dos salários, pensões e rendimentos dos trabalhadores e do povo.
Como afirmou Jerónimo de Sousa no comício do PCP do passado domingo, «se estamos aqui hoje afirmando claramente que no combate à epidemia, nem um direito a menos! também é preciso reafirmar que no combate às injustiças e desigualdades é preciso ir mais longe. É preciso manter vivas as bandeiras da luta pelo aumento geral dos salários e a valorização das carreiras e profissões, bem como a revogação das normas gravosas da legislação laboral e, em particular, da caducidade da contratação colectiva e da reposição do princípio do tratamento mais favorável».
É preciso romper com as opções da política de direita que nos mantêm amarrados às imposições da União Europeia e do euro e submetidos ao domínio do capital monopolista. É precisa una política alternativa, a política patriótica e de esquerda, centrada na valorização do trabalho e dos trabalhadores, que assuma a soberania nacional como questão essencial, que defenda e valorize o aparelho produtivo e a produção nacional, que invista nos serviços públicos e garanta o controlo público sobre os sectores básicos e estratégicos.
Décadas de política de direita, da responsabilidade dos governos do PS, PSD e CDS já provaram que a única estabilização que esta garante é a dos lucros do grande capital, à custa da instabilidade da vida dos trabalhadores e do povo.
O PCP, os trabalhadores e o povo português manterão, pois, o seu combate pelas liberdades, pelos direitos, incluindo a liberdade e o direito de manifestação, o direito à greve, ao exercício da acção sindical nas empresas, ao protesto e lutarão pela política alternativa que promova o caminho que interessa a Portugal e ao povo português.
São, pois, de relevar as diversas lutas desenvolvidas estes dias, nomeadamente dos enfermeiros, dos trabalhadores da cultura, dos transportes, da Administração Local, dos CTT, dos hotéis do grupo JJW no Algarve ou do complexo industrial de Sines, a par de muitas outras agendadas para os próximos dias em torno da acção reivindicativa nas empresas, locais de trabalho e sectores. Igualmente significativa é a semana nacional de luta marcada pela CGTP-IN, de 22 a 26 de Junho, em defesa da saúde e dos direitos dos trabalhadores.
No mesmo sentido, assume grande importância assegurar o normal funcionamento do Partido; dinamizar a sua intervenção política, com particular atenção às tarefas que de imediato se colocam à acção dos comunistas, nomeadamente, a preparação da Festa do Avante!, a sua construção, divulgação e venda da E; reforçar a organização do Partido com a criação de novas células de empresa; promover a campanha nacional de fundos «o futuro tem Partido» inserida nas comemorações do centenário; dar força à acção «Nem um direito a menos! Confiança e luta por uma vida melhor», dinamizar a acção de contacto com micro, pequenos e médios empresários; intensificar a preparação do XXI Congresso.
Neste contexto, foi de grande importância a realização do comício do PCP no passado domingo, dia 7, em Lisboa. Pela mobilização, pelos conteúdos, pela organização e disciplina, foi, de facto, factor de dinamização do funcionamento do Partido e uma poderosa afirmação de luta e confiança.